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o tempo que escapa…

 

Constatação que, de repente, despenca sobre a sua cabeça: não sou mais mãe de um pequeno bebê, de um amendoimzinho que só mamava e dormia, mas de uma pessoinha cheia de vontades, com uma personalidade em franca expansão, prestes a andar, falar e que come como se amanhã fosse o fim do mundo. É gentem, todos dizem que o tempo começa a voar daqui pra frente, então é apertar o cinto e curtir a viagem, que vai ser longa, mas bem rápida! Yu-hu!

A vida não é um doce. Aceite.

foto: Corbis

Reflexão básica depois de ter feito o sofá: estamos viciados no rápido, fácil e instantâneo, não estamos, não?

Isso porque li um comentário no face dizendo que seria mais fácil comprar um sofá pronto. Seria mesmo. E no final das contas também seria mais barato, porque tempo custa muitos dinheiros (a não ser o tempo baratinho das pessoas desocupadas). Então pra quê perder tempo e dinheiro fazendo um sofá ou fazendo qualquer outra coisa que demanda tanta energia, esforço, dias e dias “perdidos”? Para algumas pessoas, somente otários fazem essas coisas. Esse modo de ver traduz bem como as coisas são hoje ou pra onde elas caminham. Ninguém quer dificuldades ou tentam escamoteá-las a todo custo. Até as crianças vão absorvendo essa mentalidade tão em voga. Vira e mexe vejo sistemas de ensino e escolas prometendo um ensino “lúdico” (aliás, ô palavra depauperada!), propagandeando que as crianças irão aprender brincando, como se não precisassem se esforçar pra isso e os pais acham ótimo. Eu acredito que é possível aprender alguma coisa brincando, mas não se enganem, a maioria das coisas, o conhecimento e o raciocínio mais finos e profundos e que nos levam mais longe exigem esforço e tempo. E muito. Temos que meter a cara nos livros e estudar anos e anos. É assim e sempre foi, não tem mágica (e eu não vou nem entrar no assunto cotas, porque aí a coisa fica mais sinistra ainda)! É demorado e trabalhoso e até onde sei, não existe ainda nenhuma tecnologia que enfia conteúdo na nossa cabeça, assim por osmose. Os adultos, especialmente os novos adultos, também estão infantilizados, pensando que é fácil fazer dinheiro. Penso que a ostentação das pessoas nas redes sociais contribui muito para essa sensação de que tudo é fácil. Parece que Nova York, Paris e Istambul ficam logo ali na esquina, que comer em restaurantes bacanas todo dia é trivial e que comprar todo tipo de coisa toda hora é banal. Costumo dizer que redes sociais têm diegese própria, ou seja, têm um campo ficcional, uma narrativa particular, onde há apenas a melhor versão de tudo, as melhores fotos, os melhores ângulos, os melhores momentos. Nada contra. É justo. Quem não quer mostrar só o melhor de si, feito os comerciais de TV? O problema é a vulnerabilidade do espectador. Muita gente acredita que esse pedacinho da verdade é toda a verdade. Não caiam nesse conto da carochinha, somos adultos, a vida é difícil, sempre foi. Por que justo a nossa geração seria agraciada por uma vida sem dificuldades? Cada perfil do facebook carrega tantas tragédias privadas quanto momentos cor de rosa, embora só estes últimos entrem na narrativa. É uma questão de agenda.

Mas do que eu estava falando mesmo? Sim, de projetos longos e demorados! Nesses últimos dias, morreu o flautista Altamiro Carrilho e numa das reportagens que assisti fiquei sabendo que ele começou a tocar flauta bem novinho e ele mesmo as fazia, furando bambu com ferro quente:

“Eu comecei a fazer as minhas próprias flautinhas: serrava perto do ombro do bambu, deixava toda a parte aberta, e ia furando com um ferro quente. Furava e tocava, tirava uns sons agradáveis tocando sozinho em casa. Nessa época, eu morava em Niterói. Um dia, o carteiro que entregava a nossa correspondência parou, deu as cartas pra minha mãe e de repente perguntou: ‘Que som bonito! Quem toca flauta aí na sua casa?’. Minha mãe respondeu: ‘Não é flauta profissional não, é uma flautinha de bambu, o meu filho mesmo que faz e tal, assim, assim’… O carteiro pediu para me conhecer. E lá vim eu com a flautinha na mão, menino, onze anos por aí… O carteiro me perguntou se eu queria estudar flauta. Eu disse quero, e ele começou a me dar aulas gratuitas. Ainda emprestava a flauta transversa dele para que eu estudasse. Em casa, eu me virava com a flautinha de bambu mesmo”. O trecho veio daqui.

Temo pelas crianças e adultos incapazes de se dedicar a qualquer coisa por mais de algumas horas ou de completar projetos extra-escolares ou não-profissionais, sim, porque estes você tem obrigação de fazer, então você faz. A gente tem que viver tudo tão intensamente, não é? É isso que as propagandas discursam por aí: você tem que viver cada dia como se fosse o último, senão corre o risco de você ser um mongo e sua vida não valer nada! Mas tem alguém que celebra, comemora e pula de pára-quedas todo dia? Tem não, todo mundo tem suas misérias pra remediar e tratar. A maioria dos dias são ordinários, não acontece nada de espetacular. É incrível como parece que a geração que vem por aí tem dificuldades de aceitar isso. Acho que haverá cada vez menos crianças dispostas a fazer de um bambu uma flautinha. Fazer flautinhas não é viver intensamente, porque demora, porque é introspectivo, é uma felicidadezinha que não se esbanja, porque o sujeito tem que ficar esquentando ferro e furando bambu e provavelmente não vai ganhar dinheiro, nem fama e as meninas da escola não vão querer saber de um menino assim. Ou seja, flauta é uma coisa “idiota” de se fazer! Ainda é capaz de a criança ser alvo de chacota das crianças mais “espertas”, que compram tudo pronto. As coisas estão estranhas… Lembro que o Mário Sérgio Cortella dizia num Café filosófico que as crianças hoje já não querem mais estudar piano clássico, porque demora, toma uma década de estudo, horas por dia… Imagina só o desatino!

sobre prioridades e receitas infames

foto: Corbis

Depois que virei mãe meu tempo diminuiu drasticamente. Quem é mãe sabe como é verdade! Mas isso tem um lado bacana (tudo tem!): estou aprendendo a priorizar as atividades, mesmo as virtuais, e isso tem sido ótimo! Já devia ter feito isso antes (shame on me!), porque o tempo que a gente perde lendo futilidades e coisas que não te ajudam em nada não tá escrito! Não que eu ache que a gente só deve ler coisas edificantes e inteligentes na internet, mas andei reparando que muito do que eu acompanhava nem me divertia, não me acrescentava nada, nem me fazia sorrir, muito menos me sentir melhor… Limei! Unfollow total! Tudo isso caiu fora do meu dia-a-dia e do meu reader! Xô!

Sigo muitos blogs há anos. Sou daquelas que adora começar o dia com uma boa xícara de café e uma sondada no que acontece nos lugarzinhos mais interessantes da blogosfera (acho meio quadradinho falar “blogosfera”, mas falei, pronto), mas muita coisa tem me enjoado! Já disse em algum post lá atrás que aquela comoção por esmaltes de unha, por exemplo, já tava cansando, não que eu não curta o tema (quem não gosta de uma peruagem, de uma unha bem feitinha de vez em quando?), mas admito que o excesso de posts em cima de cores e mais cores e modos de se pintar a unha já tava me dando nos nervos. Parecia uma discussão em cima do nada! Quando vi, já pulava tudo que era post sobre o assunto. Posts sobre como se maquiar assim ou assado já deu pra mim também! Aliás, quantas pessoas vocês conhecem que fazem uma super produção na maquiagem todos os dias? Na minha vida simplinha, as pessoas se atêm, no máximo, a um batonzinho e a uma base para sair de casa. Até o make de festa é levinho, acho que estou no mundo errado, rs… e juro que eu acho bizarro entrar, por exemplo, em algumas lojas (algumas de rede e acho que vocês sabem de qual estou falando) e ver atendentes mega-maquiadas, com pálpebras azuis ou verdes, bochechas vermelhinhas feito bonecas, aff… minha cabeça não processa! Vai ver minha vida é bem mais simplória do que julgam estes blogs, rs…  O que incomoda não são os PAPs, mas é o excesso, que faz parecer que tudo tem receitinha. Aliás receita é o que não falta quando a gente vai se vestir também, socorro! Parece que há um modo correto de se vestir e ficar “na moda”, é color block, nude, forro do bolso do shorts aparecendo, sapato com tachinhas e outras modinhas que vão se alastrando ad infinitum e de repente tá todo mundo parecido! Olha, eu não acho que essas febrezinhas são necessariamente bobas e fúteis. Elas devem servir para algumas pessoas, mas penso que é uma minoria. Se você não é uma delas, avalie se não está perdendo seu precioso tempo! O excesso de imagens de determinadas roupas e jeitos de se vestir nos dão a ilusão de que tem mais gente se vestindo daquele jeito X nas ruas, mas olha, acho que a gente tem que olhar pros nossos arredores, pra nós mesmas e simplesmente ter noção e bom senso. A vida real, aqui e agora, não tem photoshop, não tem filtro do Instagram, e se você seguir à risca algumas modinhas, corre o risco de você sair fantasiada de “blog de moda” na rua. Gente, divirtam-se para se vestir, ok?

Como tudo na vida, as tendências não servem para todo mundo. Sim, infelizmente nem todas tem o corpo ideal para usar determinadas peças, outras pessoas simplesmente não combinam com a moda em vigor ou não habitam um tempo-espaço-dimensão coerente com aquele padrão. Na verdade, há coisas que não se encaixam, há mulheres que não se encaixam na última modinha que pipoca nos blogs e revistas de moda, é bem simples! É a vida e é uma delícia que seja assim! Pessoas, somos adultas e ninguém precisa chorar e fazer bico porque não tem o corpão da revista ou não tem as cifras da colega rica, que só compra roupas com vários dígitos na etiqueta! Deixa isso para as adolescentes, que têm tempo pra esse dramalhão. No meu entender, elegante e segura é a mulher que sabe o corpo que tem, o bolso que carrega e entende suas relações de consumo, que não vai, lôka, pegar fila e se digladiar no provador com a peruada no lançamento da coleção do estilista famoso para alguma loja de departamento do shopping mais próximo.

Há mulheres invejáveis por aí, lindas e distintas, que se vestem lindamente com pouquíssima grana, com um guarda-roupas bem magrinho, mas é porque elas sabem escolher o que valoriza o seu shape, a sua estatura, peso e proporções, ó só que lucidez!! O fato de ter pouco dinheiro as faz comprar menos, pensar mais na hora de consumir e optar pelos clássicos que podem ser usados por anos a fio. A pobreza falta de recursos estimula a criatividade que só vendo! E pensem na nobreza daquela que faz suas próprias roupas, compra de pessoas que fazem peças artesanais sob medida ou ainda reforma suas roupas! Vejam só, que coisa moderna e atual! Não era para falar do Tofu Studio, mas não vou passar este post sem dizer: nossa freguesia arrasa, viu! Conheço parte da mulherada que usa nossas peças e posso dizer que elas são da mais alta estirpe, pessoas criativas e leves, nem um pouco pedantes, que não estão nem aí para esses códigos de moda maçantes, preferem o limpo, descomplicado, com alguma loucurinha aqui e ali no look. Ó que gente esperta!

Fina e elegantérrima também é aquela que compra consciente do impacto social e ambiental que aquela peça produz, porque né, é triste comprar uma peça de moda passageira numa loja que troca de vitrine adoidado, porque está sempre atrás da última tendência, e para manter esse ritmo alucinado tem que mandar fazer suas roupas numa confecção predatória e xexelenta, escondida em alguma canto da cidade ou lá no fim do mundo. É melancólico ver que aquele vestido que você mal usou já está datado e você tem que deixá-lo no fundo do armário ou se desfazer dele, porque se você sair na rua com ele, meu bem, azamigas peruas vão achar você tão, tão last season, ô dó!

Enfim, tô fugindo das receitinhas virtuais (e do mundo real também) e dando prioridade às atividades que trazem algum bem-estar ao meu dia-a-dia. É um descarrego fazer isso, viu!

divagações de supermercado ou vivendo bem com poucas opções

Vocês se lembram de quando eram crianças e o tempo parecia beeem mais lento? Os 365 dias do ano duravam uma eternidade e você pensava que ia passar a vida toda na escola, rs… Agora você é atropelada pelo relógio, que te esmaga e você, atordoada, mal vê! Sim, adultos têm mais afazeres do que as crianças do primário e até os nossos avós talvez achassem que o tempo dos adultos é bem mais corrido do que das crianças, mas me peguei pensando na quantidade insana de opções que temos hoje. Uma simples ida ao supermercado já dá a medida do estresse. Há tantas marcas e variações infindáveis dos mesmos produtos que suas compras acabam ficando mais demoradas, você tem que escolher mais, andar mais, ler mais rótulos e tabelas nutricionais (bom, eu leio!) e lá se vão 40 minutos, uma hora!

Tenho meus 32 anos e na minha infância, havia poucos sabores de bolacha (os wafers eram de morango, chocolate e limão), os macarrões tinham menos formatos, sabão em pó era sabão em pó, não havia nenhum sistema inovador ou partícula mirabolante que fazia sua roupa ficar mais branca, eram praticamente 2 as marcas de creme dental, 3 marcas de chocolate, chicletes eram Ping Pong e Ploc, Buballoo ainda era novidade, panetone era só panetone, não tinha essa história de chocotone e os recheios insólitos de hoje. Aí os mercados podiam ser pequenos, os corredores podiam ser curtos, a gente passava por lá e resolvia a paradinha bem rápido, pedia para marcar na conta ou dava um cheque e ia pra casa com as compras acomodadas naqueles saudosos sacos de papel kraft. Se for ver, o mercado é uma abreviatura do mundo, um microcosmo. Hoje, fazer compras pode ser uma tortura para os indecisos crônicos. Imaginem que suplício para o indeciso ter que optar por molhos de tomate com manjericão, champignons, azeitonas, light, bolonhesa ou ervas finas? Pânico! E os pães que hoje podem ter centeio, kümmel, aveia, granola, castanhas, linhaça, iogurte, podem ser integrais, podem ser lights e integrais, afe! E as restrições alimentares, os cuidados com o coração, colesterol, com o açúcar, o sódio? A gente fica lá lendo letrinhas miúdas vendo o que pode, o que não pode. Aí os mercados e seus estacionamentos foram inflando, inflando e ó, eu tô meio sem paciência para frequentar mercados enormes, afinal eles são grandes comedores de tempo e cansam minha beleza! Assim como no mercado, nossas vidas hoje têm tanta informação, sabemos de tanta coisa e temos acesso a praticamente tudo que é dado, imagem, temos cartões de crédito e acesso a tudo que é financiamento, ou seja, as opções e oportunidades se multiplicaram absurdamente. Antigamente era comum as pessoas seguirem a profissão do pai, ficar na mesma cidade, casar com alguém do próprio bairro. Hoje há zilhões de cursos universitários, carreiras novas surgem a todo momento e a gente tem a possibilidade de conhecer e casar com pessoas de qualquer parte do mundo. São muitas opções! O mundo de hoje nos deu um grande poder, o de decidir. Aí eu sempre lembro daquela frase do tio Ben ao Peter Parker, que é o homem-aranha nas horas vagas: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. É, porque quando você decide, você descarta todas as outras possibilidades e você tem que viver bem com isso e com os desdobramentos disso e mesmo que você faça a opção errada, na próxima encruzilhada, você vai ter que correr o risco de errar de novo e de novo e se responsabilizar por isso. Normal, né? Deveria ser, mas eu também me pego numa angústia danada e tô tentando domar o bichinho da ansiedade dentro de mim. Já consegui alguns progressos: meus arrependimentos são bem menos amargos do que já foram um dia; vejo com mais nitidez os ganhos com as decisões erradas (afinal nossos erros são nossos melhores professores); aprendi a diagnosticar melhor onde errei e por que; ah, e também já montei um esquemão para ser mais objetiva em minhas decisões: limo sem dó tudo que não me apetece, tudo que minha intuição diz para eu não fazer, corto todas as opções que podem agradar mais ao outro do que a mim (porque a gente cai nessa armadilha facinho, ô se cai!). Assim, fico com um universo menor de opções. Bingo! Restringir meu leque de opções me fez um bem danado! Prefiro minhas poucas alternativas muito bem curtidas e assimiladas do que ter um cenário vastíssimo e lindo, mas não poder apreender nada dali e passar pela angústia da indecisão. O pior é que, às vezes, o medo da opção errada nos faz adiar uma decisão, engavetá-la, e deixar aquele assunto em suspenso, pendente. Não sou uma pessoa muito mística, mas se isso não for um encosto, uma energia negativa, não sei o que mais pode ser.

Sabe aquela vez em que você fez uma viagem maravilhosa cheia de pontos turísticos famosíssimos para visitar em poucos dias? Aí você foi alucinada conhecer um por um, na correria, com tempo calculado para cada um deles. Já fiz isso e posso dizer que a experiência foi quase a mesma do que ver um álbum de fotos. Apenas vi, não vivi! A gente cai na cilada de que precisamos fazer tudo ao mesmo tempo para aproveitar tudo ao máximo, mas toda essa intensidade parece que mais ofusca nossas experiências do que as consolidam. E outra esse ritmo combina com você? Já aprendi que meu tempo é outro e não devo me sentir mal por isso. Penso que sou uma criatura melhor depois que me dispus a conhecer uma coisa de cada vez e a fundo, quando for possível, respeitando o meu tempo e estou tentando bravamente conhecer o que realmente quero e não o que os outros esperam de mim ou acham que é melhor para mim.

eu, emy, 3 décadas de viagens no supermercado =)

a vida depois dos 30…

foto: Corbis

Sou eu ou o tempo está realmente fora de controle? Acho que houve um reordenamento do sol, da lua, dos astros, uma mudança no átomo de césio e não avisaram a gente! Meus dias devem ter 18 horas pelas minhas contas; as outras 6h me escapam todo dia invariavelmente… desde que passei dos 30 o tempo anda diminuindo, minuindo, indo… Se o problema não for cósmico, deve ser porque as coisas práticas da vida ocupam cada vez mais o nosso HD nessa idade: contas a pagar, listas de compras para eliminar, clientes a atender, cremes anti-idade para aplicar (sim, porque vcs viram como está a Patti Smith?), demandas do marido, da mãe, do gatinho, da internet… sua vida vira um amontoado de listas, sabe como é? A lista da feira, das compras do armarinho, dos pequenos afazeres do dia, dos fornecedores, dos orçamentos das mais variadas coisas, você acaba precisando de uma lista de listas, enfim a realidade, as coisas materiais, tangíveis e mundanas, que antes eram vis e infames, batem à porta insolentes, viu! Foi-se o tempo em que eu me detinha a refletir sobre doutrinas filosóficas, correntes de pensamento, vários ismos a que somos introduzidos no colégio, na faculdade: marxismo, feminismo, populismo, modernismo… de repente tudo isso fica obsoleto, vai ver é porque estão obsoletos mesmo, porque né, a fila anda e parece que nada dura muito tempo neste século novo! E vou dizer: se um dia o capital era sinônimo de terra, bens, força de trabalho, agora rico é quem tem tempo ou quem consegue organizar muito bem seu tempo. Então deduzo que tô pobrinha, pobrinha, de marré de si!

É, e daí a gente faz 25, faz 30 e é jogada na “adultecência” e temos que fazer trapézio sem rede de proteção em baixo, porque se você falhar, meu bem, não tem mais brigada de incêndio pra vir te salvar, né! Nessa altura, o tempo para as divagações e para os sonhos grandiloquentes de 10, 15 anos atrás já se foi. Lembra quando você acreditava que podia mudar o mundo, salvar uma baleia do outro lado do planeta, e agora isso parece uma piada, pfff…? Sim, no momento, contento-me em cuidar da minha saúde e dos meus e não me sinto desprezível e cafajeste por isso, pelo contrário sinto que sou um peso a menos no mundo se eu me cuidar melhor e ser racional com meus gastos e com o espaço que ocupo (não me dou com pessoas espaçosas e odeio ser uma). Ah, e o corpo, essa bobagem… as gordurinhas e pelancas que eram a morte quando tínhamos 20 anos agora são a coisa em que você menos pensa durante seu dia, que afinal só tem 18 horas mesmo né. Resta-me deduzir: eu pensava nessas trivialidades femininas nas 6 horas que me escaparam? Bom, então elas não me fazem falta hoje. Justo.

e todas as coisas que você quer fazer e não tem tempo? E as idéias geniais que você tem em baixo do chuveiro e que você esquece assim que põe o pé para fora do banheiro porque neste ínterim você já está pensando no que vai fazer para o jantar? Você quer fazer aquela receita sensacional de torta holandesa que você viu num blog ontem à noite, mas não se lembra qual era o blog e nem comprou biscoito no mercado #fail

é, pessoas, o dia-a-dia pode ser massacrante, é massacrante às vezes, e você não precisa procurar sarna para se coçar, porque os afazeres pipocam sozinhas ao seu redor, pode crer!

Ok, foi só um desabafinho à toa de um meio de tarde… as mamães estão aí pra me lembrar que eu ainda não vi nada, porque quando vêm os pequenos é que a coisa pega né e eu não vou ter tempo nem de escrever um post sobre a falta de tempo, mas ó eu me entendo e me acho nessa correria viu, minha sanidade continua aqui comigo! Que assim seja. Amén.