sofás gêmeos

Nov 05

achei um sofá gêmeo do meu! ;D

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A vida não é um doce. Aceite.

Aug 31

foto: Corbis

Reflexão básica depois de ter feito o sofá: estamos viciados no rápido, fácil e instantâneo, não estamos, não?

Isso porque li um comentário no face dizendo que seria mais fácil comprar um sofá pronto. Seria mesmo. E no final das contas também seria mais barato, porque tempo custa muitos dinheiros (a não ser o tempo baratinho das pessoas desocupadas). Então pra quê perder tempo e dinheiro fazendo um sofá ou fazendo qualquer outra coisa que demanda tanta energia, esforço, dias e dias “perdidos”? Para algumas pessoas, somente otários fazem essas coisas. Esse modo de ver traduz bem como as coisas são hoje ou pra onde elas caminham. Ninguém quer dificuldades ou tentam escamoteá-las a todo custo. Até as crianças vão absorvendo essa mentalidade tão em voga. Vira e mexe vejo sistemas de ensino e escolas prometendo um ensino “lúdico” (aliás, ô palavra depauperada!), propagandeando que as crianças irão aprender brincando, como se não precisassem se esforçar pra isso e os pais acham ótimo. Eu acredito que é possível aprender alguma coisa brincando, mas não se enganem, a maioria das coisas, o conhecimento e o raciocínio mais finos e profundos e que nos levam mais longe exigem esforço e tempo. E muito. Temos que meter a cara nos livros e estudar anos e anos. É assim e sempre foi, não tem mágica (e eu não vou nem entrar no assunto cotas, porque aí a coisa fica mais sinistra ainda)! É demorado e trabalhoso e até onde sei, não existe ainda nenhuma tecnologia que enfia conteúdo na nossa cabeça, assim por osmose. Os adultos, especialmente os novos adultos, também estão infantilizados, pensando que é fácil fazer dinheiro. Penso que a ostentação das pessoas nas redes sociais contribui muito para essa sensação de que tudo é fácil. Parece que Nova York, Paris e Istambul ficam logo ali na esquina, que comer em restaurantes bacanas todo dia é trivial e que comprar todo tipo de coisa toda hora é banal. Costumo dizer que redes sociais têm diegese própria, ou seja, têm um campo ficcional, uma narrativa particular, onde há apenas a melhor versão de tudo, as melhores fotos, os melhores ângulos, os melhores momentos. Nada contra. É justo. Quem não quer mostrar só o melhor de si, feito os comerciais de TV? O problema é a vulnerabilidade do espectador. Muita gente acredita que esse pedacinho da verdade é toda a verdade. Não caiam nesse conto da carochinha, somos adultos, a vida é difícil, sempre foi. Por que justo a nossa geração seria agraciada por uma vida sem dificuldades? Cada perfil do facebook carrega tantas tragédias privadas quanto momentos cor de rosa, embora só estes últimos entrem na narrativa. É uma questão de agenda.

Mas do que eu estava falando mesmo? Sim, de projetos longos e demorados! Nesses últimos dias, morreu o flautista Altamiro Carrilho e numa das reportagens que assisti fiquei sabendo que ele começou a tocar flauta bem novinho e ele mesmo as fazia, furando bambu com ferro quente:

“Eu comecei a fazer as minhas próprias flautinhas: serrava perto do ombro do bambu, deixava toda a parte aberta, e ia furando com um ferro quente. Furava e tocava, tirava uns sons agradáveis tocando sozinho em casa. Nessa época, eu morava em Niterói. Um dia, o carteiro que entregava a nossa correspondência parou, deu as cartas pra minha mãe e de repente perguntou: ‘Que som bonito! Quem toca flauta aí na sua casa?’. Minha mãe respondeu: ‘Não é flauta profissional não, é uma flautinha de bambu, o meu filho mesmo que faz e tal, assim, assim’… O carteiro pediu para me conhecer. E lá vim eu com a flautinha na mão, menino, onze anos por aí… O carteiro me perguntou se eu queria estudar flauta. Eu disse quero, e ele começou a me dar aulas gratuitas. Ainda emprestava a flauta transversa dele para que eu estudasse. Em casa, eu me virava com a flautinha de bambu mesmo”. O trecho veio daqui.

Temo pelas crianças e adultos incapazes de se dedicar a qualquer coisa por mais de algumas horas ou de completar projetos extra-escolares ou não-profissionais, sim, porque estes você tem obrigação de fazer, então você faz. A gente tem que viver tudo tão intensamente, não é? É isso que as propagandas discursam por aí: você tem que viver cada dia como se fosse o último, senão corre o risco de você ser um mongo e sua vida não valer nada! Mas tem alguém que celebra, comemora e pula de pára-quedas todo dia? Tem não, todo mundo tem suas misérias pra remediar e tratar. A maioria dos dias são ordinários, não acontece nada de espetacular. É incrível como parece que a geração que vem por aí tem dificuldades de aceitar isso. Acho que haverá cada vez menos crianças dispostas a fazer de um bambu uma flautinha. Fazer flautinhas não é viver intensamente, porque demora, porque é introspectivo, é uma felicidadezinha que não se esbanja, porque o sujeito tem que ficar esquentando ferro e furando bambu e provavelmente não vai ganhar dinheiro, nem fama e as meninas da escola não vão querer saber de um menino assim. Ou seja, flauta é uma coisa “idiota” de se fazer! Ainda é capaz de a criança ser alvo de chacota das crianças mais “espertas”, que compram tudo pronto. As coisas estão estranhas… Lembro que o Mário Sérgio Cortella dizia num Café filosófico que as crianças hoje já não querem mais estudar piano clássico, porque demora, toma uma década de estudo, horas por dia… Imagina só o desatino!

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A pedidos, o projeto do sofá!

Aug 31

 

Como algumas pessoas pediram o desenho da estrutura do sofá, ei-lo! Se vocês clicarem nas imagens acima, os arquivos PDF serão abertos e vocês poderão salvá-los!

Como vocês podem ver, o sofá foi feito em módulos: braços, encosto e assento. As medidas do sofá pronto são estas: 180 x 78 x 74 cm (C x L x A).

Usamos 2 chapas de compensado virola, que foram comprados e cortados nesta loja. Madeireiras geralmente mantêm serviço de corte, mas só fazem cortes retos, não cortam em ângulo, nem em curvas. O corte curvo dos braços do sofá foram feitos em casa com uma serra tico-tico.

(A Leroy merlin também corta madeira, mas se não me engano, o preço era bem mais alto…)

Usamos alguns retalhos de madeira também, que já tínhamos em casa para fazer pequenos reforços nos cantos e juntas da base.

Para quem perguntou sobre o capitonê, costuramos os botões com uma linha de nylon bem resistente e uma agulha bem grossa e comprida, atravessando a espuma. Uma dica legal é fazer marcações na frente e nas costas da espuma para que o botão seja costurado bem no lugar que você deseja. Para ilustrar, esse vídeo é bem bacana (não se assustem, o que fizemos em casa foi mil vezes mais simples do que isso, mas é sempre legal ver profissionais em ação):

 

 

Repasso os gastos que tivemos:

Orçamento: R$ 512,20, uma bagatela se comparado aos sofás de qualidade semelhante que vimos nas lojas, que chegavam a custar 5 a 8 vezes mais!
lista dos materiais:
madeiras + serviço de corte: R$ 167,00
papelão: R$ 12,00
5 pés de madeira: R$ 90,00
lixas: R$ 3,20
espumas: R$ 149,00
zíperes: R$ 3,00
tecido do forro: R$10,00
sarja: R$ 60,00
parafusos de reforço: R$ 18,00
já tínhamos serra tico-tico, botões forrados, linha, parafusos, cola, grampeador de tapeceiro, verniz e pincéis em casa!
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fazendo almofadas com fechamento em zíper – é sopa!

Aug 17

 

Taí um projeto nível moleza pro fim de semana! Eu tinha 1 metro desse tecido pra estofado lindinho, com ondas amarelas, que ornam direitinho com o sofá, sem ficar muito “combinandinho”, do jeito que eu gosto! Pensei em fazer acabamento com vivo, pensei em fazer bordas fofinhas como esta aqui, mas acabei optando pelo jeito mais simples e preguiçoso mesmo: zíper no fechamento e nenhum acabamento. Sabem como é: o tempo tá curto, tenho uma criatura fofa que me chama a todo momento e o sofá, o Eric, a casa precisavam de almofadas pra ontem!

Comprei uma fibra acrílica pronta para rechear almofadas. Esta retangular, de 50 x 30cm, comprei na Tok Stok, por um precinho camarada. Ela já vem com capa de TNT (o TNT que eles usam é vagaba demais, rasga à toa, mas como ele vai ficar dentro da capa, acho que vai dar pro gasto):

Cortei 2 pedaços de tecido com cerca de 2cm a menos na altura e na largura do que as dimensões do recheio acima. Sapequei zíperes amarelos lá do estúdio e overlockei todas as extremidades, porque o tecido desfiava horrores:

Aí foi costurar o zíper nas 2 faces da almofada, frente e costas. É beeem melhor usar o calcador para zíper, mas eu estava em casa e estava sem o bendito, daí foi com o calcador simples mesmo, na dificuldade:

Depois é juntar os 2 tecidos, face com face, e fechar! Se você é iniciante e não sacou o processo, tem um tutorial bacana aqui!

Como eu tirei poucas fotos, não deu para fazer um passo-a-passo bem detalhado… sorry!

E ó, meu sofá novo ficou lindão! Agora sim, posso dizer que ele é 100% feito à mão, feito por nós de cabo a rabo ♥

 

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Um sofá feito em casa! Como? É possível?

Aug 08

Eric e o sofá! Nasceram quase juntos!
 

Vou começar este post com um grande parênteses:

(Alguém aí ainda lembra do nosso sofá, rs…? Para quem não acompanhou, vai aqui do lado na categoria “Fazendo meu sofá“. Revendo meus posts, vi que começamos em setembro/2011. Setembro! Quase um ano, hein! Bom, não levamos um ano para fazê-lo (imagina sentar no chão por um ano!). Ele até estava pronto, mas o estofado não tinha ficado do jeito que queríamos, o tecido ficou frouxo (grande aprendizado para o próximo projeto-tapeceiro é modelar tudo menor, bem menor). Aí, o Eric nasceu e sabe como é… muitas visitas, muito corre-corre e fomos usando o sofá do jeito que estava mesmo. Com um bebê em casa, a última coisa que pensamos por alguns bons meses foi o sofá! Mas recebemos cobranças: “cadê o sofá pronto?”, “e o sofá?”. E com razão, né gente, isso tava virando um encosto! Mas ele está aí ó, bunitão,em todo seu esplendor!)

E chega ao fim a saga do sofá feito em casa!

Nosso sofá, feito pelo marido, à mão, do zero, na coragem, na raça, em nosso pequeno apartamento! Agora a gente ri à toa, se refestela, senta e faz pose, porque olha, acho que foi o projeto mais demorado e trabalhoso em que embarcamos! Meu marido é a criatura mais destemida e doidinha que conheci. Tô pra ver um projeto que ele não tope! Ele arregaça as mangas, estufa o peito e, com os olhos cerrados, faz sinal de “vem!” com as mãos, rs… é a locomotiva do Tofu Studio!

Pois então, a maioria dos sofás DIY que vemos por aí internet afora usa pallets, alguma base ou aproveita alguma estrutura pronta ou semi-pronta. Nós queríamos fazer um sofá do nada, fazer surgir um móvel das nossas cabeças e mãos mesmo, não queríamos uma reforma, um tapinha num sofá antigo, nada disso! Queríamos um pouco de mágica e desafio, porque às vezes isso é fundamental pra vida ter mais sentido! Pensamos na estrutura, resistência, na forma, inclinação…  todo um trabalho de engenharia começou a tomar corpo. Depois foi o serviço braçal: juntar madeira, colar, parafusar, fixar as espumas, fazer os moldes dos tecidos, costurar e ter a devida paciência pra ver nascer o móvel tão aguardado, tão querido…

Dito isto, vou pedir meu champanhe e soltar um “Viva, conseguimos!”, porque ra-paz foi quase um parto (mentira, o parto doeu mais!), mas o bichinho ficou tão lindo, forte, confortável, na minha medida (a sola dos meus pés encostam no chão, coisa inédita na minha existência) e melhor, na medida da nossa necessidade, da nossa sala. Tem coisa melhor do que aquelas feitas por nós mesmos, na medida para o nosso uso, para o nosso espaço e bolso?

A ideia inicial era fazer um sofá de 3 lugares, mas pequeno. Sempre que víamos sofás em lojas, achávamos os de 3 lugares grandes demais para o nosso espaço e o de 2, achávamos pequenos. Não queríamos também encosto e braços muitos largos para economizar espaço (vocês sabem, em apartamento pequeno, cada cm conta!) e, sobretudo, queríamos algo simples, honesto, que não custasse um rim traficado e, se tivesse uma carinha vintage, com aquele climão Mad Men, seria o sonho, ou seja, tava osso encontrar um sofazinho pra chamar de nosso…

Lá no primeiro post eu disse que íamos fazer só a estrutura de madeira e que o estofamento seria encomendado com um tapeceiro… tsc, tsc, tsc. Acabamos fazendo é tudo! Neste momento eu levanto minha placa de “eu já sabia!”. Calaaaro que íamos fazer tudo, porque, digamos, curtimos uma aventura e (droga!) essa coisa de ser crafter impregna na gente e não larga mais!

Deixei aqui em baixo uma retrospectiva do projeto em fotos, desde os primeiros desenhos até o sofá pronto com o distinto usuário Eric, todo metido. O que posso garantir é que nosso sofá é bem mais robusto, resistente e valente do que os sofás que vimos lojas afora, porque, vou te falar, tem cada móvel ruinzinho dando pinta de bacana nas vitrines, com preços tão desaforados que só rindo! Não se deixem enganar, hein! Olho clínico, gente, olho clínico!

Forramos a estrutura com uma espuma fina. No encosto usamos espuma densidade 28 e no assento, densidade 33. Os pés são palito (um achado!) e fizemos acabamento em capitonê (botãozinho), com recortes e pespontos no encosto e no assento, olha aí:

não ficou lindão? Ouço fogos e rojões ecoando na minha cabeça :D

 

*update:

quase ia esquecendo do orçamento: gastamos com o sofá, módicos R$ 512,20, uma bagatela se comparado aos sofás de qualidade semelhante que vimos nas lojas, que chegavam a custar 5 a 8 vezes mais!

lista dos materiais:
madeiras + serviço de corte: R$ 167,00
papelão: R$ 12,00
5 pés de madeira: R$ 90,00
lixas: R$ 3,20
espumas: R$ 149,00
zíperes: R$ 3,00
tecido do forro: R$10,00
sarja: R$ 60,00
parafusos de reforço: R$ 18,00
já tínhamos botões forrados, linha, parafusos, cola, grampeador de tapeceiro, verniz e pincéis em casa!

 

 

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