Nêsperas em calda

Oct 02

Nêsperas são frutinhas graciosas, frágeis e um tanto esquecidas. Pêssegos e ameixas costumam ser mais populares e presentes. A nêspera tem origem japonesa e costuma aparecer nos mercados nesta época do ano, vendidas em bandejinhas, mas também costumo ver pés da fruta em praças e parques. Lembro que na época que era estudante em Bauru, marido e eu costumávamos percorrer as ruas da cidade em busca de árvores frutíferas e encontramos nespereiras tentadoras dentro da USP, mas é claro que não arrisquei pular os muros altos da universidade… É uma fruta ótima para fazer geleias e saladas com folhas verdes, mas nunca tinha feito nêsperas em calda. Bom, se há pêssegos em calda vendidos enlatados, porque não experimentar fazer o mesmo com as nêsperas? Mesmo porque nêsperas não duram muito, apodrecem rápido. O fruto vai escurecendo de dentro pra fora, por isso é bom comprar as frutinhas sem manchas na casca. Fazer compotas é um bom modo de conservá-las por mais tempo!

Minhas nêsperas ficaram ótimas, pena que eu não tinha sorvete em casa para acompanhar (acho que daria uma combinação bacana!). Deve ficar gostosa na salada de frutas também!

Para quem se interessar, fiz assim: Coloquei uns 400ml de água + 1 xícara de açúcar numa panela e levei ao fogo para ferver (quem gostar pode colocar cravo ou um pau de canela, deve ficar interessante!). Deixei ferver uns 10 minutos. Enquanto isso, peguei 2 bandejas de nêsperas, descasquei, cortei ao meio, retirei as sementes e a pele interna que separa a fruta da semente. Juntei à panela e deixei ferver e engrossar (uns 20 a 30 minutos em fogo baixo). Aí é só dispor em vidros esterilizados com tampa. Infelizmente, como é a primeira vez que fiz, não sei dizer quanto tempo elas duram na geladeira.

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Crocante de bananas e chocolate

Sep 27

No fim de semana fiz este crumble que saiu no programa Cozinha Prática, da Rita Lobo. Apesar de não ser tão fã das receitas dela, achei bem legal ela ter usado a palavra “crocante” em vez de “crumble”, termo que importamos do inglês e eu não sabia bem achar uma tradução. Ficou mais bonitinho e acessível (já experimentou dizer crumble pra alguém?). Nunca tinha feito crocante de bananas, por sempre acabar dando preferência a frutas mais azedinhas, tipo maçãs, peras ou até morangos, mas desta vez eu tinha que dar fim a uma penca de bananas-ouro que ganhei da minha mãe (de novo elas, oh god!). Ser filha dos meus pais significa ganhar estoque ilimitado de frutos do mar, peixes e bananas-ouro, já me conformei! Talvez eu morda a língua e siga essa “tradição” que mamãe herdou da minha avó, que também não hesitava em encher sacolinhas com o que ela tivesse de comer em casa, sejam frutas, doces, qualquer coisa. Aí ela entregava na saída da casa dela, como se não tivéssemos comida na geladeira de casa. Era uma mania, mas como era gostosinho esse carinho!

Bom, voltando ao crocante, fiz as minhas alterações, como sempre, e a receita que passo aqui é o jeito que eu fiz. Quem quiser fazer a receita original, dá um pulo aqui ó. Troquei as bananas prata por ouro, usei chocolate meio amargo em vez de branco (porque banana ouro já é bem doce e calórica), troquei o suco de laranja por suco de tangerina e acrescentei uvas passas molhadas no conhaque (adoro isso!).

 

Para o recheio:

Ingredientes:
12 bananas-ouro
80g de chocolate meio amargo picado
½  xícara (chá) de suco de tangerina
50g de uvas passas
conhaque ou rum suficientes para cobrir as passas
 
Modo de preparo:
Embeba as passas no conhaque (ou rum) até elas incharem.
Preaqueça o forno em temperatura média.
Descasque e corte as bananas em rodelas. Disponha-as num refratário e espalhe as passas, o chocolate e regue com o suco de laranja. Misture bem.
 
Para o crocante:
Ingredientes:
1 xícara (chá) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de açúcar demerara
½ xícara (chá) de aveia em flocos
80g de manteiga gelada cortada em cubos pequenos (usei manteiga meio-sal da foto aí embaixo, que eu nem sabia que existia. Se você usar manteiga sem sal, é legal por uma pitada de sal)
¼ de colher (chá) de fermento em pó
Modo de preparo:
Numa tigela, misture a farinha, a aveia e o fermento. Junte a manteiga e misture com as pontas dos dedos até formar uma farofa. Não incorpore muito, pois quanto mais inteira ficar a manteiga, mais crocante ficará a massa. Distribua a farofa por cima da banana e leve ao forno até dourar.
Fica ótimo se servido quente com sorvete!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Risoto de arroz negro e polvo

Sep 21

Frequento uma banquinha na feira, onde compro vários tipos de feijões, arroz integral, gergelim, grão de bico, cereais e algumas novidades que sempre aparecem. Adoro comprar a granel, pedir só o que preciso, tudo na medida, sem desperdício! Aí resolvi trazer pra casa esse arroz negro pensando num risoto pretinho e diferente pro último fim de semana. Achei que ia fazer um parzinho interessante com o polvo que estava me esperando na geladeira e um vinho branco honesto. E ficou lindo! Adorei o arroz, embora ele não solte tanto amido e não renda aqueeele risoto cremoso.

Comecei fazendo o caldo de legumes para o risoto (é bom preparar com algumas horas de antecedência). Não tem segredo, não. Geralmente eu pego o que tá dando bobeira na geladeira, junto tudo num panelão e cozinho. Gosto muito de aproveitar partes de hortaliças e verduras que a gente costuma descartar, tipo talos de salsinha e folhas de alho poró. Desta vez fiz o caldo com alho poró, salsão, cenoura, abobrinha, cebola, alho, folhas de louro, alecrim fresco e pimenta do reino em grãos. Juntei 1 taça de vinho branco e levei ao fogo com uns 3 litros de água mais ou menos. Deixei cozinhar em fogo baixo por uns 40 minutos. Esperei amornar e coei.

Para o risoto, usei:

300g de arroz negro

1/2 cebola média picada

3 colheres (sopa) de manteiga

1 taça de vinho branco

100g de parmesão ralado

caldo de legumes (não há uma quantidade certa)

sal

O preparo é o basicão de risoto: pegue uma panela, ponha 1 colher de manteiga e doure a cebola. Junte o arroz e mexa. Quando começar a pegar no fundo da panela, adicione um pouco do vinho e do caldo e continue mexendo. Quando começar a secar, repita a operação e vá repetindo até o arroz fica al dente (usei bastante caldo, pois o arroz negro demora mais para cozinhar). Não deixe o arroz seco, a intenção aqui é que ele fique bem úmido, um tanto caldaloso. Incorpore o resto da manteiga, o parmesão e salgue a gosto.

Para o polvo:

o polvo que eu tinha devia ter umas 800g a 1Kg. Ele já estava limpo, sem o ferrão (thanks, mãe!), então foi moleza.

Numa panela grande, fervi bastante água. Juntei sal e o polvo e deixei cozinhar por quase 1 hora. Escorri e reservei.

Depois de morno, cortei o polvo em pedaços, parti os tentáculos em 2 ou 3 partes.

Peguei uma frigideira de fundo grosso, juntei azeite, alho picadinho e fritei o polvo. Juntei alecrim fresco e no final, bastante salsinha picada.

Aí é só servir com o risoto! Achei que formou uma dupla bastante combinante :D

 

 

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uma focaccia ou apenas um pão achatado de nome opulento

Sep 12

Desde que me mudei de casa no ano passado, venho diminuindo o consumo de produtos industrializados. Na verdade, já faz uns 10 anos que venho cortando muitos dos produtos que comprava no mercado. Acredito em mudanças gradativas, pois são essas as que funcionam e as que duram. É só ler os rótulos para concluir que comida de fábrica, seriada e etiquetada é realmente coisa do demo, de tantos corantes, sódio, gordura trans, açúcar e substâncias impronunciáveis que contêm. Não sou radical nem proselitista e, de vez em quando, claro que me permito comer o que tenho vontade sem me importar com essas coisas. Se bem que minhas vontades passam longe de refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos etc… sou mais pra doces (não muito doces) que eu mesma faço e uma birita moderada (coisa feia!), mas o marido, este sim padece um pouco da falta de um petisco do mal quando volta do trabalho. Ele é do tipo que viveria só de lanchinhos e embutidos, mas eu restrinjo essas coisas, porque né, não dá pra viver feliz comendo só isso. Resumo: há 14 anos tento fazê-lo comer mais frutas e verduras. Melhorou muito, mas ainda sou eu que consumo a maior parte dos vegetais em casa. Como diz o Mick Jagger: old habits die hard, então sigo tentando e ele melhorando aos poucos. Agora com um herdeiro em casa, nossa alimentação passou a ter maior importância. Acho que bons hábitos alimentares realmente são um grande legado a se deixar para os filhos. Pena que vejo muitos pais darem tão pouco valor a isso, preferindo incutir valores consumistas nas crianças, entuchando elas de coisas desnecessárias, é um desalento…

Bom, mas essa focaccia vi num programa de TV e a massa me pareceu tão bacanuda e fácil que tive que fazer na última quinta, início de feriadão. Eu sabia que o Yuji ia chegar em casa esgotado e com fome e não tem nada melhor que ser recebido com um belo pão e uma taça de vinho, não é? Comemos com o que tinha em casa: tomates pelados com manjericão fresco (da minha micro-hortinha de ervas), antepasto de beringelas que eu já tinha na geladeira e fiz ainda uma pastinha rápida de queijo branco, pimenta e orégano. Pena que comemos tudo antes de fotografar :P

A receita é assim:

ingredientes:

1 xícara e meia de água morna

1 colher e meia (sopa) de fermento biológico seco (usei só 1 colher)

1 xícara cheia de batatas cozidas e amassadas (usei mandioquinha)

1/4 xícara de azeite extra-virgem

2 colheres (chá) de sal

4 xícaras e meia de farinho de trigo (não sigo à risca essa quantidade, melhor observar o ponto da massa, que deve ficar maleável e um pouco pegajosa para o pão não ficar muito seco)

azeite extra-virgem a gosto para cobrir a massa

alecrim fresco a gosto

sal grosso a gosto

 

Pegue uma vasilha grande (se for de vidro, melhor) e coloque a água e o fermento. Mexa e deixe descansar uns minutinhos. Junte as batatas (no meu caso, mandioquinha) e o azeite. Adicione o sal e a farinha e misture até a massa começar a desprender da vasilha.

Passe para uma superfície enfarinhadas e sove. Transfira para uma vasilha untada com óleo, cubra com um pano e deixe crescer até dobrar de tamanho (eu aqueço o forno só  um pouquinho só pra esquentá-lo, desligo e deixo a massa lá dentro com a luz ligada).

Retire a massa e divida em 2 partes. Faça 2 bolas e então achate-as. Deite em formas forradas com papel manteiga e use seus dedos para fazer cavidades na superfície. Jogue o alecrim fresco, sal grosso e o azeite por cima.

Agora é só assar até dourar em forno médio pré-aquecido.

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Bolo de fubá para um finzinho de tarde mais bacana!

Sep 03

Sou uma pessoa que ainda tem caderninho de receitas escrito à mão. Outro dia fiz de novo esse bolinho de fubá, só que fiz em ramequins (palavrinha besta, canecas dão na mesma!). Pediram a receita, mas eu nunca sei de onde vieram as receitas que tenho (preciso começar a prestar atenção nisso). Anyways, a receita desse bolo eu acho que veio do verso de alguma embalagem, não sei se foi do fubá ou do leite de coco… mas eu gosto dele por levar leite condensado. Acho qualquer bolo de fubá carinhoso e aconchegante, ótimo para saborear num fim de tarde com visitas em casa!

Este é fácil e é assim:

Bolo de Fubá

3 ovos (gemas e claras separadas)

2 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente

1 lata de leite condensado

1/2 xícara (chá) de leite

1 xícara (chá) de leite de coco

2 1/2 xícaras de fubá

1 colher (sopa) de fermento em pó

um punhado de parmesão ralado para polvilhar

 

Pré-aqueça o forno em temperatura média.

Bata a manteiga com as gemas até ficar cremoso. Junte o leite condensado, leite, leite de coco e misture. Acrescente o fubá e o fermento.

Em outra tigela, bata as claras em neves (até formar picos moles) e incorpore à primeira mistura.

Deite em forma untada e enfarinhada ou em forminhas individuais, polvilhe o parmesão e leve ao forno (uns 40 minutos). Faça o teste do palito para garantir :D

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