ele gosta de estorinhas…

Oct 13

Juro que não sou daquelas mães obcecadas com livros, que querem filhos gênios, cultos e eruditos. Bem, acho que não sou, mas se ele ganhasse um Prêmio Nobel seria ótimo, hehe! Mas o caso é que o menino gosta que a gente leia pra ele, gosta das mudanças na entonação da voz, não se importa (acho que até gosta) de conhecer a estória de cor (nesse ponto é muito parecido com o pai, capaz de assistir o mesmo filme 1 milhão de vezes!). Tudo começou quando eu pedi a coleção do Itaú pela primeira vez no ano passado (a campanha está de volta! Peça aqui). Eu comecei a ler pro Eric quando ele tinhas uns 4 ou 5 meses. Claro que ele ficava boiando, mas era legal fazer ele ouvir a minha voz de uma maneira diferente. Depois de uns meses, ele já levava nossas mãos pra cima dos textos dos livros para que lêssemos (coisa fofa!). Aí fomos comprando mais livrinhos, com barulhinho, em japonês (apesar de eu saber ler muito pouco), em inglês, de folhas duras, livros de banho… A maioria está amassada, rasgada, despedaçada, não tem jeito. Isso me lembra uma professora do meu colégio que sempre dizia que livro bom, é livro detonadinho, bem folheado, cheio de anotações e orelhas, sinal de que foi muito lido e estudado!

Agora toda noite, sem trégua, Eric pede para lermos os livros surrados dele, todo animadinho. A gente, que já sabe as estórias de trás pra frente, se cansa bem mais rápido que ele, é verdade.

Um dos programinhas preferidos é ir na biblioteca do Parque da Cidade, que aliás fica em frente a um jardim lindo feito pelo Burle Marx, sentar nessa poltroninha aí e fingir que lê, tudo no idioma maluco dele, claro.

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A idade da fofura

Sep 04

A vida segue. Este blog não acompanha. O facebook deve estar mesmo acabando com os blogs. Lá é tudo tão rápido, as pessoas se interagem mais, mas também tem algo que sempre escapa, como se fôssemos atropelados por aquela timeline predatória, aquele linguição infinito que engole tudo e todos. Sou nostálgica e já sinto falta de acompanhar os blogs favoritos. Nostalgias hoje em dia são bem curtas. As coisas do ano passado já parecem distantes e velhas. Dizem que o apego ao passado é ruim, não leva a lugar nenhum, mas eu gosto de ir lá fazer um carinho nas minhas memórias. Gosto de ir pro lugar nenhum, gosto mesmo. Hoje, numa consulta no hospital, vi uma senhorinha bem velhinha com a família e a ausência do meu avô ficou tão grande por um momento. Queria só mais alguns anos dele aqui pro meu filho ter memórias com ele também. É um pedido de grande porte, extraterreno, então ok, não dá pra ficar desejando essas coisas…

Eric segue crescendo, começando a falar, cheio de energia! Ele vai pra escolinha ainda este ano, achamos que é hora! Estou tentando nem pensar na adaptação, já que ele está vivendo uma fase bem edipiana, dando clássicos e sonoros chega-pra-lá no pai e tudo. Desde que ele nasceu, não criamos muitas expectativas e não temos planos definidinhos pra ele. Não achamos que ele iria pra escola com uma idade pré-definida, não achamos que eu o amamentaria até 6 meses, 1 ou 2 anos, prolonguei o quanto deu, as coisas foram acontecendo… enfim tentamos não criar muitas regras, vamos só tateando e sentindo as coisas, como ele está, o que é melhor para o momento, pra ele e pra nós. Sentir é bom, é importante. A vida de mãe, no entanto, tem lá suas armadilhas. As pessoas em geral veem seu filho como um reflexo preciso da sua criação. Se ele não come, é porque a mãe não estimula direito, se ele não dorme, é porque a mãe não disciplina, se ele faz birra, a mãe é fraca. Enfim, nos tornamos mães e damos aval automático pro mundo inteiro nos achincalhar. O pai é figura meio imune, né, porque quase ninguém acha que o pai tem grandes responsabilidades sobre a educação das crianças. Se um bebê é abandonado por aí, todo mundo corre atrás de quem? Da mãe. Ninguém lembra que o bebê tem um pai e que ele deve ser enxovalhado, punido e preso igualzinho a mulher. Pobres mães!

No mais, devo dizer que tenho uma capacidade incrível de subir uma foto ensolarada como esta aí em cima e terminar falando de abandono de bebês! Na verdade, ia dizer que às vezes dá até medinho de roubarem o Eric de mim. “Não é porque é meu filho, não” (ah, essa frase é uma delícia), mas as pessoas param na rua pra ficar mexendo com ele toda hora. Uma moça parou na rua, ficou hipnotizada uns 5 minutos dando sorrisinho, tchauzinho, mandando beijinho… tudo muito lindo, mas a vontade que eu tenho é de pegar ele debaixo do braço e dizer que o japinha é meu, tá ouvindo? Meu, meeeu! Se quiser um, vai fazer um pra você, oras!

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Eric – 18 meses hoje!

Jul 23

Avançando mais uma etapa no jogo da vida…

Um ano e meio e sinto que aquele bebê de outrora vai dando um solene tchau, fui! Já tenho uma pequena criança em casa! Saudades do neném que ficou no passado, do chorinho ritmado, de carregar no antebraço, do tanto que já se foi em tão pouco tempo… Eric tem se mostrado uma criança forte, independente, resoluta, com um jeitinho abrutalhado até, e me sinto… sei lá, com tanta sorte por ter comigo uma pessoa tão saudável, ativa, alegre, curiosa e esperta. O que mais a gente pode querer? Antes de ter filhos, acho que não imaginamos o quanto essas coisas aparentemente fáceis e banais são as mais importantes, são, de fato, o que importam na vida. As outras coisas a gente vai ajeitando. Todas as nossas ambições, as grandes expectativas que criamos na juventude, parecem meio pálidas diante da felicidade e do bem estar daquele em quem você deposita tanto amor, tanto significado, mesmo sem querer… A vida é outra agora, não tem como não ser!

Depois do primeiro ano, tudo vem sendo bem diferente. Eric tem suas próprias vontadezinhas, vejo que sua personalidade está em franca formação e que parte dela é influenciada por nós, os pais, pelo meio, e parte é algo que é próprio dele, da sua natureza. Claro, isso é óbvio, vocês vão me dizer. A gente sabe de um monte de coisas, mas é tão diferente e incrível observar tudo isso acontecendo na sua frente, o quanto nós, em boa medida, já nascemos prontos, com um jeitinho nosso. Eric é assim:

 

alegre e risonho,

 

adora ouvir estorinhas,

 

pulmões fortes e potentes,

 

gosta de fugir, fazer a gente correr atrás e dar risadas,

 

comilão desde sempre

e 1 milhão de outras coisinhas… e outro milhão por vir!

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Dia das mães ou eu não morri, ainda estou aqui!

May 12

Eis o primeiro postzinho aqui neste quase moribundo blog… Finalmente passando a vassoura naquele aviso do bazar ógente estampado na cara de vocês há dias! Tenho algum desconto se eu me justificar dizendo que o servidor do meu blog é uma piada, que ele brochou por uns dias a blogueira dentro de mim, que sou mãe, tenho casa e empresa pra tocar? Não, né! Grande coisa, vocês vão me dizer. É justo. Well, well, mas eu aceito minhas próprias desculpas. Tenho um pequeno homenzinho em casa que ainda não fala, mas vem me dizendo por telepatia que eu não posso tudo. Óbvio, né, mas a gente não enxerga às vezes e se ilude pensando que pode. Neste dia das mães, leio pela enésima vez a respeito de pesquisas que me dizem que mães ganham menos que as não-mães, que mães são menos que as não-mães, que mães se sentem fraudes no trabalho e mães de araque em casa, mas é claro, né gente! Não precisa de pesquisa pra ver isso! Como é que a pessoa vai ser a super trabalhadora, de carreira brilhante, se o foco de tudo mudou? Como é que pode ser a mesma depois de um filho? Como é que faz pra ignorar por completo aquela coisinha que precisa desesperadamente de você para perseguir ferozmente uma carreira laureada? E o mais importante, dá pra ser feliz assim? Dá pra criança ser feliz assim? Não sei. Tem tanta gente nesse mundo, tantas variáveis e possibilidades. Só sei de mim, que minha felicidade não está num cofrinho cheio e nem nos tapinhas nas costas por ter uma carreira cheia de glórias. Minha felicidade talvez seja mais comezinha. Desculpaê feministas!

Filho é adaptação, não tem planejamento de vida, nem planilha de excel que dê conta das mudanças que uma criança instaura assim que ela chega ao mundo, toda espaçosa. A gente vai fazendo a vida funcionar com a presença delas. Assim como dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, uma pessoa também não consegue trabalhar, atender pedido de filho, alimentar um blog, fazer almocinho saudável e feliz, chupar cana e assobiar, tudo ao mesmo tempo e pra ontem! Então algum departamento da vida sempre vai ser sacrificado nem que seja por um tempo. Essa é a minha vida, este é meu clube!

Não sou muito afeita a datas comemorativas em geral, mas acho que elas têm seu lado válido, são um empurrãzinho pra gente dar um carinho a mais na mãe, no pai, no namorado etc. Como é que isso pode não ser bom de algum modo? Hoje eu acordei com cheiro de panqueca em casa. Meu marido é um exímio cozinheiro de meia dúzia de pratos (e só!) e panqueca é uma delas. Então, quando ele faz alguma de suas especialidades, é um pequeno evento! Ele acordou cedo só pra isso, ó que amor! Como minha mãe foi correndo passar o dia das mães com meu irmão em São Paulo (humpf!), resolvemos passear com o Eric no parque, já que ele está curtindo muito andar (começou há um mês) e explorar diferentes terrenos. Fomos estrear as botinhas off-road que compramos às pressas assustados com o crescimento repentino dos pés dele de umas semanas pra cá :O

 

Um feliz dia das mães a todas! Que vocês passem um dia feliz, cada uma a seu modo :D

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ser mãe é fazer negócios com a vida, mas a gente sempre fica pra trás…

Sep 25

Minha mãe e meu filho, aos 20 dias
 

Resolvi aqui cometer o impropério de falar sobre o que muda na gente com a chegada de um filho. Pode ser uma leitura enfadonha, porque não dá pra contornar os clichês e a afetação. Portanto, talvez recomende que os impacientes e aqueles que não se interessam pelo universo dos pais e das crianças dispensem este post.

Estive por meses em busca de uma palavra, uma só, que comportasse prodigiosamente toda a experiência de ser mãe e acho que a encontrei, pelo menos por ora, e é esta: rendição. Foi em estado de rendição que me vi quando lancei olhos ao meu filho pela primeira vez e é isto ainda que sinto ao vê-lo diariamente e provavelmente o continuarei fazendo até deixar de ser mãe, seja lá como e se isso ocorrer… Não se trata de pieguice, é apenas algo elementar: não há mais nada a fazer a não ser render-se à pessoa que é posta ali nos seus braços, na sua vida, aquele ser prematuro que carrega seu código genético, suas expectativas (embora eu buscasse repreender as minhas) e esperanças. Você assina ali, naquele primeiro colo, uma procuração simbólica e torna-se agente daquela criatura, seja ela como for, com quantos dedos tiver: rendição. É curioso como as palavras, que não têm peso nenhum na vida prática, são importantes para sintetizar e compreender alguma ideia ou algum sentimento e poder processá-los e armazená-los.

Os acontecimentos que deambulam em torno da chegada de um filho contêm todos uma certa ironia e um didatismo que a natureza e nós mesmos nos encarregamos de criar para nos preparmos para a vida nova que aquela pequena pessoa traz consigo. Veja o tanto que a parafernália que um bebê moderno “precisa” (carrinho, cadeira para carro, cadeira de descanso, berço, brinquedos etc) ocupa da paisagem doméstica. Casas com crianças vivem abarrotadas, como se instruíssem os pais, dizendo-lhes, em tom de zombaria, que seu tempo e suas vidas também serão tomados de arroubo, sem cerimônias.

Meu longo trabalho de parto, meu parto e os momentos que se sucederam a ele também contiveram um quê de preleção, como se desenhassem um panorama do que viria a seguir. Fosse em outras circunstâncias eu certamente sucumbiria à exaustão dos primeiros momentos do pós-parto, cairia em sono profundo e meu corpo se recusaria a fazer o que quer que fosse exigido dele, mas ali eu não podia, porque o pequeno tinha que ser alimentado, eu tinha que tirar forças de algum reservatório de energia que eu nunca visitara, tinha que ensiná-lo, estimulá-lo a mamar, porque ele passaria os próximos meses em dependência irrestrita dos meus seios. Ele aprendeu rápido, eu também. Percebi que a maternidade tem tudo a ver com usar esse estoque extra de energia, força e coragem que eu não conhecia. Mas o ensinamento que ficou daqueles primeiros momentos é que ser mãe, assim como se diz do amor, é intransitivo. A passagem para a maternidade não é gradual, nem amena, é taxativa e irrefreável, como um trabalho de parto ilustra à perfeição (quem souber enxergar uma fina ironia nessa experiência talvez possa extrair algum proveito prático). Há pouco o que elaborar. Há muito mais de natureza em ser mãe do que gostaríamos. Consumimos teorias, regras e mandamentos de revista na tola esperança de ter controle sobre alguma coisa. Eu consumi, li livros, frequentei fóruns e comunidades virtuais para me fazer pertencente a esta nova classe de mães hiperinformadas, detentoras de vasto vocabulário obstétrico, que conhecem uma dúzia de célebres autores da área, para ganhar alguma confiança e talvez “aprender” a ser uma parideira e uma mãe melhor do que foram minha mãe, minha avó e quiçá toda a linhagem de mulheres da minha família (é grande a pretensão!), como se a maternidade fosse mesmo algo pênsil, linear, cartesiano, que se estuda e escrutina, mas tudo que li e absorvi, de repente, era tão pouco e insignificante ao atravessar a décima madrugada insone e desoladora. Mais valia o conforto de imitar minha mãe ninando meu filho do que tudo o que dizem os letrados da área, porque aí sim encontrava algo que acalmava não só ao bebê, mas principalmente a mim, algo que fazia sentido àquela altura. A intenção aqui não é desdenhar da informação e do conhecimento, claro que não! Mas nosso intelecto, mesmo atulhado de conhecimentos sobre a maternidade, está longe de nos trazer completude nesta jornada.

Toda minha preparação para o parto, o conhecimento sobre a fisiologia, sobre as fases do parto, o relato de outras mães, não me deram nenhum controle ou calmaria nas horas decisivas. Ali nós somos todas corpo e não cabeça, a experiência é animalesca, o racional pesa quase nada. Temos a estranha ilusão de que sabemos tudo porque conhecemos os nomes científicos das coisas, mas isso é mera informação de almanaque. Com um bebê em mãos, fui, então, despindo-me de teorias e regras, amamentando, alimentando e cuidando do meu filho sem me bitolar em livros, compêndios, fóruns e toda a verborragia que é vendida em sites, blogs, livros e tantas outras paragens, porque sou capaz de cuidar de uma criança com o básico: instinto, bom senso e paciência, conjunto que não está à venda em gôndolas de supermercado, nem na internet, e talvez, por isso, cada vez mais escasso.

A convivência com meu filho só faz reforçar em mim a noção de que os acontecimentos e os fatos da vida são, em grande parte, relativos e estão longe ou fora do meu controle e ok que seja assim. Aceito, assim como aceito meu filho do modo como ele veio e amarei a pessoa que ele se tornar, mesmo que ele não supra as expectativas que eu tenho ou venha a ter. Filhos podem ser um belo exercício para domar nossos narizes empinados, denotativos de quem sabe tudo e pode tudo. Toda nossa vaidade intelectual, científica, enciclopédica vira pó. A verdade é que podemos muito pouco quando se trata deles. Eles ganham o mundo muito rápido e estão sujeitos a morrer, a sumir, a serem retirados de nós, sem podermos fazer nada. Há absurdo maior que este? Como pode o mundo continuar o mesmo depois que uma mãe perde um filho? É dolorosa essa impotência e essa solidão. É como se a vida nos remetesse um pacote frágil que abrimos às cegas, sem saber bem o que tem lá dentro, nutrimos, cuidamos e conduzimos em devoção seja quem e como ele for para no final, findo o serviço, devolvê-lo ao mundo, sem receber nada em troca, correndo sempre o risco de perdê-lo. Não há garantias, nem segurança, ainda assim depositamos na criança o melhor de nós, o amor absoluto. É um pacto e tanto.

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