a tragédia do Japão e a nossa tragédia

Mar 16

imagem daqui representando a altura das ondas no tsunami do Japão (os tons arroxeados são as ondas mais altas)

Sigo aqui chocada com as imagens bíblicas vindas do Japão. Todos que conheço por lá estão bem, graças ao divino!

Nessas horas a gente tem pensamentos apocalípticos, exagerados, entrevendo o fim do mundo. Estou triste. Triste com o sofrimento de pessoas que afinal têm a mesma origem que eu e me vejo profundamente condoída. Mas penso que um povo que já passou por situações extremas como guerras e bombas nucleares, de certa forma, já está habituado a privações. Mesmo os mais novos têm na família, assim como eu tenho na minha, relatos muito vivos e próximos do que é conviver com o horror, a guerra, a miséria e a desumanidade absoluta, e são criaturas que, imagino, devem conhecer a força que advém de um evento extremo como este. É importante conhecer essa força. Nós, brasileiros, nascidos na placidez e na generosidade deste solo (amén!), não sabemos o que é estar no meio de uma grande tragédia coletiva de dimensão nacional. Temos que agradecer. Nem precisamos do hábito de estocar comida e água em casa, manter um abrigo no porão ou coisa parecida, como fazem outros povos. Não temos a cultura do alerta e da prevenção e não sei quantas vezes, no meu dia-a-dia, quando eu quis me adiantar a alguma situação, resolver alguma problema com antecedência, fui desestimulada expressamente, porque “no final as coisas vão dar certo” e eu estava me preocupando à toa e até atrapalhando um certo esquema tácito de deixar as coisas para a última hora, como se estivéssemos eternamente contando com alguma intervenção divina. Ou seja, já me vi como estorvo ao tentar me anteceder a alguma situação.

Também não valorizamos o coletivo. Zombamos dele. Preferimos as pequenas conquistas individuais ou a pequenez das vitórias que alcançamos por meio da malandragem, afinal sempre achamos que tem alguém passando a perna na gente, como se tivéssemos sempre que levar a melhor para ficar bem na fita nas conversas entre amigos no fim de semana. Lembro de cenas vergonhosas de saques em supermercados em alguma cidade do sul do Brasil numa dessas últimas enchentes. Levaram tudo, até pedaços de prateleiras que eram amontoados dentro dos carrinhos empurrados pelos espertinhos. Aquilo provavelmente nem teve serventia para o saqueador, que usurpava um bem apenas por esporte ou para não sair de mãos vazias, já que outros levaram os bens mais valiosos. Aqui, basta um caminhão tombar na estrada que não faltarão mãos gatunas para levar a carga, seja ela de TVs de plasma ou de chuchus. Muito, muito feio! E são justamente os saques um dos motivos que impedem os moradores de áreas de risco de abandonarem suas casas e seus pertences, fazendo o trabalho da defesa civil muito mais difícil. Não há relatos de saques no Japão e quando você pergunta a algum japonês sobre os tais saques, eles mal entendem o que você está perguntando… “como assim saques?”. Vi pessoas desalojadas comendo apenas 1 bolinho de arroz num frio de lascar, sem se vitimizar e sem cobrar do governo, de Deus e do mundo que venham fazer algo por elas. Vi fotos de filas organizadas para distribuição de água, sem marmanjos se acotovelando para levar a melhor. Não sei se a comparação é justa e procedente, mas lembro que no Haiti pós terremoto, as imagens da TV mostravam apenas os homens mais fortes conseguindo alimentos e água.

E outra: a companhia de energia do Japão, que estava prevendo apagões, descartou, por ora, essa possibilidade, porque os japoneses estão poupando energia por iniciativa própria, isso em pleno inverno, sem campanha, sem desconto, sem nada em troca. Comerciantes e transportadores também não se aproveitaram da situação e não aumentaram os preços.

É lugar comum dizer que a sociedade japonesa é extremamente pautada pelo coletivo e isso, em certa medida, anula o indivíduo. Talvez esse traço tão marcante seja a origem do melhor e do pior do japonês (sim, porque eles também têm suas misérias), mas nessa hora, só posso pensar que isso salvou muitas vidas e que será decisivo para eles se reerguerem. Que nós, mesmo tão distantes, saibamos tirar deste evento alguma reflexão para melhorar a vida ao nosso redor…

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nova kokeshi

Feb 07

mais uma para adornar o Tofu Studio! Esta é japonesa mesmo, legítima =)

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Ponyo, um Miyazaki fresquinho!

Sep 30

Vocês já assistiram Ponyo? Se não viram ainda, é uma ótima dica! No Brasil, o filme ganhou o subtítulo de “uma amizade que veio do mar”, que eu achei adequado. Provavelmente não é o melhor filme do Hayao Miyazaki, pelo menos no que diz respeito ao enredo, mas vale cada minuto! A qualidade da animação é impecável, as cores do filme são belíssimas, os cenários são bem coloridos com predomínio do azul e há todo aquele encantamento típico das animações do diretor. É a história de uma peixinha dourada (os japoneses chamam de kingyo), chamada Ponyo, que encontra um menino, Sousuke, que mora numa colina de uma cidade costeira. Ela cura um machucado dele, lambendo seu sangue. Aí começa a transformação dela em menina.

Cabe uma comparação com a Pequena sereia, mas sempre com aquele toque grotesco, como na fase em que Ponyo está meio peixe, meio menina nadando junto com a multidão de irmãzinhas. As cenas no mar e da enchente que acomete a cidade são extremamente prazerosas para os olhos, hipnotizantes, inundam a cabeça de uma forma gostosa (eu até sonhei com o mar depois!). É um filme para se ver no cinema! Fora que os personagens são uma graça, muito kawaii, a Ponyo sempre levada e saltitante, Sousuke carregando sempre seu barquinho…

O filme, apesar de ser de 2008, é novo no Brasil. Pra variar, estamos assistindo com bastante atraso…

Se vocês curtem animações japonesas e estão de bobeira, não percam! Algumas salas de São Paulo ainda estão exibindo!

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Afinal, o que é Zakka?

Jan 24

zakka2

Um frasco antigo de vidro, que outrora acomodara um charmoso vinagre italiano, vira um vaso para uma florzinha seca, tingida e solitária.

Uma cesta de palha, forrada com um tecido de algodão xadrez, abarca novelinhos de lã coloridos e fofinhos.

Um alfineteiro de linho com bordados simples e ingênuos acompanha um conjunto de acessórios de costura vintage: tesourinha para cortar linha (um pontinho de ferrugem é bem vindo), dedais, carretéis de madeira… um ferro a carvão, então, é a glória e deve ter lugar de destaque na estante…

Todos esses “eventos” tem algo de Zakka. Zakka é mais difícil de explicar do que de reconhecer ou sentir e se você de alguma forma acompanha o universo kawaii e o estilo de vida propagandeado pelas revistas japonesas, sabe bem do que estou falando.

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