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ele gosta de estorinhas…

Juro que não sou daquelas mães obcecadas com livros, que querem filhos gênios, cultos e eruditos. Bem, acho que não sou, mas se ele ganhasse um Prêmio Nobel seria ótimo, hehe! Mas o caso é que o menino gosta que a gente leia pra ele, gosta das mudanças na entonação da voz, não se importa (acho que até gosta) de conhecer a estória de cor (nesse ponto é muito parecido com o pai, capaz de assistir o mesmo filme 1 milhão de vezes!). Tudo começou quando eu pedi a coleção do Itaú pela primeira vez no ano passado (a campanha está de volta! Peça aqui). Eu comecei a ler pro Eric quando ele tinhas uns 4 ou 5 meses. Claro que ele ficava boiando, mas era legal fazer ele ouvir a minha voz de uma maneira diferente. Depois de uns meses, ele já levava nossas mãos pra cima dos textos dos livros para que lêssemos (coisa fofa!). Aí fomos comprando mais livrinhos, com barulhinho, em japonês (apesar de eu saber ler muito pouco), em inglês, de folhas duras, livros de banho… A maioria está amassada, rasgada, despedaçada, não tem jeito. Isso me lembra uma professora do meu colégio que sempre dizia que livro bom, é livro detonadinho, bem folheado, cheio de anotações e orelhas, sinal de que foi muito lido e estudado!

Agora toda noite, sem trégua, Eric pede para lermos os livros surrados dele, todo animadinho. A gente, que já sabe as estórias de trás pra frente, se cansa bem mais rápido que ele, é verdade.

Um dos programinhas preferidos é ir na biblioteca do Parque da Cidade, que aliás fica em frente a um jardim lindo feito pelo Burle Marx, sentar nessa poltroninha aí e fingir que lê, tudo no idioma maluco dele, claro.

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A idade da fofura

A vida segue. Este blog não acompanha. O facebook deve estar mesmo acabando com os blogs. Lá é tudo tão rápido, as pessoas se interagem mais, mas também tem algo que sempre escapa, como se fôssemos atropelados por aquela timeline predatória, aquele linguição infinito que engole tudo e todos. Sou nostálgica e já sinto falta de acompanhar os blogs favoritos. Nostalgias hoje em dia são bem curtas. As coisas do ano passado já parecem distantes e velhas. Dizem que o apego ao passado é ruim, não leva a lugar nenhum, mas eu gosto de ir lá fazer um carinho nas minhas memórias. Gosto de ir pro lugar nenhum, gosto mesmo. Hoje, numa consulta no hospital, vi uma senhorinha bem velhinha com a família e a ausência do meu avô ficou tão grande por um momento. Queria só mais alguns anos dele aqui pro meu filho ter memórias com ele também. É um pedido de grande porte, extraterreno, então ok, não dá pra ficar desejando essas coisas…

Eric segue crescendo, começando a falar, cheio de energia! Ele vai pra escolinha ainda este ano, achamos que é hora! Estou tentando nem pensar na adaptação, já que ele está vivendo uma fase bem edipiana, dando clássicos e sonoros chega-pra-lá no pai e tudo. Desde que ele nasceu, não criamos muitas expectativas e não temos planos definidinhos pra ele. Não achamos que ele iria pra escola com uma idade pré-definida, não achamos que eu o amamentaria até 6 meses, 1 ou 2 anos, prolonguei o quanto deu, as coisas foram acontecendo… enfim tentamos não criar muitas regras, vamos só tateando e sentindo as coisas, como ele está, o que é melhor para o momento, pra ele e pra nós. Sentir é bom, é importante. A vida de mãe, no entanto, tem lá suas armadilhas. As pessoas em geral veem seu filho como um reflexo preciso da sua criação. Se ele não come, é porque a mãe não estimula direito, se ele não dorme, é porque a mãe não disciplina, se ele faz birra, a mãe é fraca. Enfim, nos tornamos mães e damos aval automático pro mundo inteiro nos achincalhar. O pai é figura meio imune, né, porque quase ninguém acha que o pai tem grandes responsabilidades sobre a educação das crianças. Se um bebê é abandonado por aí, todo mundo corre atrás de quem? Da mãe. Ninguém lembra que o bebê tem um pai e que ele deve ser enxovalhado, punido e preso igualzinho a mulher. Pobres mães!

No mais, devo dizer que tenho uma capacidade incrível de subir uma foto ensolarada como esta aí em cima e terminar falando de abandono de bebês! Na verdade, ia dizer que às vezes dá até medinho de roubarem o Eric de mim. “Não é porque é meu filho, não” (ah, essa frase é uma delícia), mas as pessoas param na rua pra ficar mexendo com ele toda hora. Uma moça parou na rua, ficou hipnotizada uns 5 minutos dando sorrisinho, tchauzinho, mandando beijinho… tudo muito lindo, mas a vontade que eu tenho é de pegar ele debaixo do braço e dizer que o japinha é meu, tá ouvindo? Meu, meeeu! Se quiser um, vai fazer um pra você, oras!

meu garoto

Eu estava falando sobre falta de tempo nuns posts atrás? Oi? Pois é, retiro tudo o que disse! Aquilo era porque eu não sabia o que é estar com um filho doente em casa. Pensei que o Eric ia fazer 1 aninho sem ter um resfriado sequer, afinal o garoto é forte, risonho, mama muito, come de tudo e parece uma maquininha de tanto que se mexe… grande ilusão! Em se tratando de filhos, nada é previsível! Tudo começou com uma febrinha de madrugada (a primeira febre dele). No dia seguinte vieram as manchinhas, que foram aumentando, aumentando… no mesmo ritmo da minha agonia. Ele só queria o meu colo. Claro que grudei nele como se não houvesse amanhã! Nada nos prepara pra essa sensação horrível de ver qualquer tipo de sofrimento no rosto de um filho. Saímos do PS com o diagnóstico bobo de “virose”. Como o hemograma não indicou bactérias, tenho para mim que é roséola, pois os sintomas, a evolução das mesmas e a idade de acometimento coincidem. De novo saio do hospital com medo de alguns médicos. O que há com eles? Por que é tão difícil a gente sair de uma consulta satisfeita, com as dúvidas sanadas e, principalmente, sem se sentir subestimada pelos “doutores”? Se sugerirmos algum diagnóstico, alguns te zombam e espezinham discretamente, porque né, como pode alguém que não sabe nada querer entender de doenças? Uma afronta, no mínimo. Então por que raios não nos explicam o que tem a criança? Fica parecendo que “virose” é diagnóstico de segurança, de quem não quer se comprometer. Logo vão pegando o bloquinho e escrevendo nomes de remédios com uma caligrafia de lascar, sem se preocuparem com interações medicamentosas. Vai ver é por isso que ginecos sempre tentaram me empurrar anticoncepcionais e nenhum deles nunca me perguntou se eu era fumante (pílula + cigarro = risco aumentado de AVC). No momento, o Eric está bem melhor, sem febres há 2 dias e com as manchinhas regredindo. Passamos todos bem pelo primeiro dodói. O que não mata fortalece, como dizem.

a famigerada falta de tempo

Meu mundo virtual vem sofrendo com a montanha de tarefas reais a cumprir. A primeira atividade urgente e inadiável é colar no filho, que agora se arrasta impetuosamente pela casa toda, desafiando os perigos das quinas dos móveis e das tomadas desencapadas (preciso urgente de apetrechos de segurança, deste sábado não passa!), e adora arrancar tufos de pelo do Pupu, que tem até medo do Eric, coitado… Todos dizem em coro que tudo piora quando ele começar a andar, omg! Segundo: a habitual correria do último trimestre, quando as encomendas do estúdio quase nos engolem e os dias parecem ter 12h. Você dá uma bobeada e pimba: já é Natal, tudo está iluminado e piscante! Os Natais estão tão próximos um do outro que eu me sinto naquele filme Feitiço do tempo (ouço até a Cher na minha cabeça: “i got you babe, i got you babe”). Como proceder com o frenesi maluco dessa época do ano? Existe fobia de natal? Deve ter…

Terceiro: o estúdio estará de mudança na próxima semana. Mu-dan-ça! (Nessa hora um friozinho percorre o corpo). Não sei se rio ou choro. Mudar em pleno novembro é algo tão sem noção, mas tão sem noção… que apertamos o botão interno do phoda-se e vambora! Foi tão tentador que não tivemos como desprezar a oportunidade. Achamos um lugar pertinho de casa (lagriminha nos olhos)! Vocês não sabem o quanto isso tem valor pra gente! Poder ir a pé trabalhar, pessoas! Quanto vale isso? Se eu pudesse elencar metas pra mim e pra minha família, uma delas seria montar uma vida em que pudéssemos fazer tudo a pé! Então, o sumiço tá explicado! Provavelmente ele durará mais alguns dias. Por enquanto, preciso arrumar alguém pra mudar o ar condicionado e mais 2 mãos hábeis para dar conta das encomendas do fim de ano no estúdio… Mando notícias do front!

*aproveito para agradecer o carinho manifestado no último post, coisa que também não tem preço!

Até amanhã, Eric!

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Era uma boneca japonesa de rosto comprido e silhueta esguia. Vestia kimono de crepe e rodopiava dentro de uma redoma de plástico de base amarelo-ovo, ao som de uma musiquinha que embalava meus primeiros sonos. Era um tesouro a minha caixinha de música! Os acordes ainda ressoam em mim, era o som da minha primeira infância! Na sua base, havia uma gavetinha, forrada em veludo vermelho, onde eu guardava um anel de pedrinha azul que mamãe comprou numa quermesse junina, depois de comermos juntas um cachorro-quente, chupando os dedos.

Minhas memórias mais remotas me trazem aromas, gostos e sons que me escapam fugidios, embora estejam nítidos e perenes em algum lugar, mais próximo ao coração do que à cabeça, por certo. Fui uma menina criada nos fundos do trabalho dos meus pais. Papai tinha uma loja de roupas infantis; mamãe, um salão de beleza. A mim era reservado um quartinho nos fundos do velho salão de mamãe. O piso era de taco, a janela era tipo guilhotina, tal qual as fazendas antigas. Havia ainda uma mesinha e cadeiras de fórmica, um radinho portátil, uma televisão em preto e branco, muitos brinquedos, livrinhos, canetinhas e lápis de cor. Era lá o meu mundinho! Nas falhas das paredes, de tinta gasta e descascada, eu enxergava baleias cachalotes gordas e pimponas. Apressava-me a desenhar olhinhos nelas para que não desvanecessem, como acontecia com as nuvens do céu. Desde sempre, eu tinha urgência de lembrar.

Quando a freguesia escasseava, meus pais vinham me ver, fazer um lanchinho, pôr uma musiquinha para tocar, conversar… Como era gostoso o milho que papai vinha debulhar nos intervalos que se abriam no meio da tarde! Eu, de janelinha na boca, saboreava, de colher, cada grãozinho que ele juntava zelosamente naquela xicrinha de chá. Papai também era exímio descascador de frutas! Depelava laranjas, maçãs, uvas com a destreza de quem executa trabalho importante. Ele enfileirava os pedaços de fruta para que eu comesse tudinho. Vai ver foi daí desse carinho que veio meu gosto por elas até hoje.

Mamãe também vinha ter comigo, no intervalo de um cabelo e outro, cantarolar alguma música japonesa das várias fitas cassete que ela gravava na vitrola de casa ou pintar um desenho com giz de cera. Ela pintava meninas delicadas, fazia cabelinhos em degradê, segurando o giz levemente com aqueles dedos cansados, mas finos e alongados que só ela tem. O carinho e a paciência do traço de artista não eram de alguém aguardada por uma antessala tagarela, cheia de penteados, bobes e unhas por fazer.

São esses momentos e gestos menores que dizem tudo em silêncio. Mamãe hoje sofre uma pontinha de culpa, a famigerada culpa materna, por ter trabalhado muito e dispensado pouco tempo aos filhos. Mal sabe ela que os momentos que partilhou comigo tiveram a medida exata de tudo que é precioso: fugaz no contar das horas, mas eterno na memória e no coração.

Agora é nossa vez, Eric, de construir nossa história, de cultivar os momentos que irão te fortalecer e dignificar. Você, filho, prestes a completar 5 meses, já cavou fundo em mim um mundo novo. Já somos velhos conhecidos! Meus dedos já percorrem jeitosos todo seu corpinho, com a habilidade de quem trilha a mesma estradinha há anos. Já sei quando tem sono, quando está cansado, quando quer um afago quentinho e você também reconhece em mim a alegria, a exaustão, o medo, as macaquices e palhaçadas, as lágrimas. Serei eu a companheira do começo dessa sua jornada e espero passar esse bastão para as pessoas que te cativarem ao longo do seu caminho. Viverei com você todos os seus primeiros: as primeiras descobertas, a primeira palavra, o primeiro passo, a primeira decepção… todos eles serão também os meus primeiros. Vou rir e sofrer com você e por você. Torço para que você leve no peito as suas caixinhas de música, os momentos ternos e bons, os seus tesourinhos afetivos, para que você tenha para onde se voltar sempre que passar por uma dor que beire o insuportável. Você me remoça, me faz viver tudo de novo de um jeito que eu não conhecia, me faz querer viver mais para ver mais de você. Assim como você, sei muito pouco da vida, mas te apresentarei o que sei, o que tem valor para mim, para que você escolha e seja livre.

Uma vida boa, Eric!

 

meu primeiro dia das mães!

Hoje é meu primeiro dia das mães como mãe. Sou mãe do Eric há exatos 3 meses e 20 dias. Por mais que soe bacana e até tentador dizer que minha vida mudou completamente, que um filho deu sentido a minha vida, por mais que esta data me incite a fazer discursos emocionados  feito propaganda de TV (isso fica para outro post), hoje prefiro ser franca comigo e com meu filho. Minha vida já tinha sentido antes de ser mãe, não seria justo dizer o contrário. Amo meu marido e a vida que construímos juntos até aqui, tenho pais muito, muito bacanas e amorosos e uma família e amigos idem (apesar das distâncias e dos desencontros), não menosprezo minha vida sem a maternidade, então não vou dizer que eu era um nada e que a maternidade me iluminou, me tirou das trevas, feito mágica. Menos, né gente! Mas estou, cada dia mais, conhecendo uma pessoinha que tem me dado alegrias imensas, momentos deliciosos e intensos, grandes e pequenos aprendizados e espero que eu e o marido possamos sempre fazer o mesmo por ele. E, pasmem, essa pessoa é metade eu, metade o marido! É uma constatação tolinha e óbvia, mas todo dia me pego encantada pelo simples fato de termos gerado essa coisinha tão perfeita e fofinha, com a nossa capacidade incrível de gerar outra vida!

A maternidade tem me ensinado muito, uma delas é perceber a relatividade das coisas. O tempo, por exemplo. Ser mãe tem aplacado minha ansiedade em boa medida, não sei se é assim para todos os pais, mas o tempo de um bebê não tem nada a ver com o tempo que o trabalho ou que os nossos afazeres nos impõem. Uma criança tem o tempo dela e temos que nos adequar a ela, mesmo que seja aos trancos e barrancos. Adaptação é tudo! Outra coisa que cada dia enxergo com mais clareza é a humanidade da minha própria mãe. Ela não é uma criatura que nasceu sabendo exercitar a função de mãe, ela também passou por perrengues mil, se frustrou, errou, se culpou. Sabe aquela aporrinhação adolescente de querer culpar os pais pelos nossos defeitos, recurso sem-vergonha para escamotear nossa própria incompetência? Nunca dei piti cobrando meus pais pelas minhas fragilidades, mas na minha aborrecência eu pensava sim que eles tinham alguma culpa no cartório. Aí você tem o seu próprio filho e vê o tamanho da dedicação que ele demanda, como ele revira sua rotina, o quanto ele te amadurece da noite pro dia, as várias renúncias e dilemas que ele te impõe. Impossível não pensar em como sua mãe passou por tudo isso. Revejo as fotos de família e vejo ela novinha com 2 crianças a tiracolo e tento imaginar todo o misto insano de felicidade, angústia, medo e afeto por trás daquele rosto ainda sem rugas, daquele corpo franzino que vestia uma camisa bordadinha. Eu que um dia pensei que faria tudo diferente da minha mãe quando tivesse meus filhos, agora me pego fazendo ou querendo fazer muitas coisas iguais a ela. Veja só que ironia! Aí fico ainda mais admirada e enternecida com a calma, delicadeza e paciência que ela sempre teve com a gente e com tudo, nunca transferindo o stress da maratona de ser uma mãe-dona-de-casa-que-trabalha-fora para os filhos, uma lady! Espero, sinceramente, que eu possa ter essa nobreza no trato com meu filho.

Deixo aqui meu carinho para todas as mamães e um viva pra mim mesma, que entrei pro clube e virei mãe dessa fofura preciosa aí da foto!

Eric, 1 mês, e a jornada até aqui!

Ontem meu bebê Eric completou 1 mês de vida! Posso dizer que até aqui tem sido uma aventura e tanto! A experiência da maternidade, desde a gravidez, o parto até a criação dos filhos é sempre subestimada. A gente pensa que não é tão difícil assim, afinal as pessoas têm filhos desde que o mundo é mundo, mas ser mãe ou pai deve ser uma das empreitadas mais árduas que existe, entrega total e irrestrita. A entrega física, as noites mal dormidas ou nem dormidas, a dependência extrema que essa criaturinha recém-chegada tem de você são as mais notórias deste comecinho de vida. É um tanto assustadora a mudança que um bebezinho provoca na rotina do casal e da casa, mas penso que um filho e todas as dúvidas e incertezas que eles geram selam de vez a união dos pais (pelo menos daqueles que têm juízo, claro!), porque é preciso engajamento e comunhão total com o partícipe dessa caminhada, seja nos projetos para o futuro, como nos afazeres da casa, como na abnegação de algumas atividades e prazeres que a vida de solteiro ou a vida a dois proporcionavam e que agora ficam de stand-by. O dia-a-dia com um filho não é rosinha, não! Mas por todo lugar que você passa, as pessoas te congratulam, abrem um sorriso largo e supõem que você está em êxtase, com um filhinho em casa. Sim, é verdade, há momentos em que eu só agradeço pela oportunidade de ter comigo algo tão perfeitinho que é metade eu, metade meu marido, pessoa que amo profundamente, mas devo dizer que o dia-a-dia tem sim algo de massacrante e às vezes estou tão acabada que os cumprimentos alheios me soam como um disparate (desculpem-me, pessoas fofas, que me desejam tudo de bom, de boa alma e coração aberto! Não é nada pessoal!). Outro dia li um texto ótimo, da Glennon Melton, no caderno de Pais do Huffington Post, por meio do Dcoração, blog da Vivianne. Pensei comigo: finalmente um pouco de honestidade! A maternidade é comparada a uma escalada feroz e aniquilante ao monte Everest. Mas alguém explica por que raios as pessoas continuam tendo filhos se a tarefa é tão custosa e árdua como escalar uma montanha? É porque dizem que lá de cima, a vista é maravilhosa! No fim, é uma questão de perspectiva. Se você ficar contando passos, olhando para o chão e se lamentando ao ver o quão penosa é a subida e as mazelas e os percalços do caminho, vai ver que é uma insanidade ter filhos e talvez opte, conscientemente, por não tê-los. Justo. Mas fato é que a maioria das pessoas quer ver o que tem lá em cima, mais ainda: quer ver como é o mundo, este mesmo mundinho em que estamos mergulhados, visto lá de cima! Isso é certo: a maternidade nos faz olhar para as mesmas coisas e situações de um jeito diferente e isso muda quase tudo. Vou ser chata e corporativista: só sendo mãe mesmo pra saber! Apesar de eu estar só no comecinho deste enduro e de ainda não saber da missa a metade, o parto e este primeiro mês foram bem ilustrativos. Explico: no auge da exaustão, depois de 30 horas de um trabalho de parto difícil, tive que retirar forças não sei da onde para que meu filho nascesse. Logo depois já dei de mamar, toda acabada e descabelada. A primeira noite foi em claro, do tanto que o Eric chorava, e eu sem descanso, com o sono pra lá de deficitário. Bom, meu sono está no negativo até agora. O Eric, como a maioria dos recém-nascidos, tem demandado muito de mim. Aí vocês vão me dizer que isso é apenas um desgaste físico, que logo passa e o corpo esquece. Sim, mas acho bem elucidativo do que é a maternidade: arrumar forças que você acha que não tem, de lugares que você não conhece, nos momentos em que você não está preparada!

Ah, apesar da aridez e aspereza do caminho, a vista daqui de cima é sim espetacular!