Sekihan, arroz vermelho!

Sep 08

A gente sempre tem umas comidinhas do coração, que a gente guarda com afeto nas memórias, seja porque elas participaram de momentos especiais, festivos e alegres, seja porque elas lembram uma pessoa, um período bacana da vida. Eu tenho alguns deles arquivados na memória e no peito e tenho reparado que muitos deles eram feitos por minha avó, que já se foi e infelizmente não tive oportunidade de resgatar suas receitinhas e seus macetes, pois ela nos deixou já muito debilitada. Mesmo assim, tenho registros na memória, alguns até nítidos, de como era o passo-a-passo de algumas comidinhas que ela preparava no dia-a-dia ou em ocasiões especiais.

Neste fim de semana, preparei sekihan salpicado com shio goma! “Sekihan” é um arroz para moti (motigome, mais pegajoso que o arroz comum) com feijão azuki. “Shio goma” é gergelim torrado com sal. Ele é comumente servido em datas especias, é um arroz, digamos, de festa. Quando criança, sempre me referia a esse arroz como “akai gohan” (arroz vermelho). Só fui saber que na casa dos outros era sekihan quando já estava mais velhinha :P A gente comia muito quando era aniversário de alguém e normalmente minha vó fazia ele como oniguiri (bolinho de arroz). Era uma perdição!

Ela o preparava no fogão, numa panela de vapor bem grande com o arroz embrulhado num paninho de algodão. Esse  é o modo tradicional de preparo, que certamente fica muito melhor. Como não tenho a panela de vapor, fiz tudo na panela elétrica de arroz mesmo. Não fica igual, mas matou a vontade! Eu e o marido nos fartamos!

* Já fizemos outras receitinhas com azuki:

Shiruko, caldo doce de feijão azuki

Yokan, doce de feijão azuki com kantem (ágar-ágar)

Leia mais

para os homens de avental

Aug 11

Como Impressionar Uma Garota: Cozinhando from Como Impressionar Uma Garota on Vimeo.

video fofinho demonstra o PAP de como fazer risoto de camarão e ganhar as meninas! Ótimo para os maridos e namorados cozinheiros que eu sei q passam por aqui de vez em quando, hein!

Leia mais

da comida esnobe

Feb 14

foto: Corbis

Vocês acompanharam a polemiquinha em torno do embate comida gourmet vs. comida “ogra” precipitada por um artigo da Folha na semana passada?

Pois é, numa época de modinhas gastronômicas incessantes, muitos já se cansaram desse papo de comida pedante e inacessível. Muitos estão esgotados da comidinha miúda, perdida na vastidão do prato, incapaz de saciar a fome dos estômagos mais roncadores; outros estão exaustos dos neologismos esdrúxulos para denominar palavras simples que sempre estiveram por aí solta nas ruas. Nos recintos chics da alta gastronomia, o palmito não é palmito, é pupunha (uma variedade que, apesar de mais sustentável, passa longe de ser a melhor, melequenta que é, na opinião do meu modesto paladar). Tadinho do palmito, envergonhado, foi rebaixado e alijado às pastelarias e botecos chinfrins.

Já me senti diminuída pela comida, pelo garçom, pela carta de vinhos e pelo menu de estabelecimentos esnobes e já disfarcei, encabulada, minha ignorância. Já fiz tudo isso, mas não faço mais pelo simples fato de que sou consumidora e estou ali para ser servida e ouvida (sim, depois de certa idade a gente aprende a apertar o botãozinho do f***-se com mais propriedade). No fim, é só uma relação comercial.

E o pior é a verborragia em torno dos pratos! Aí eu pergunto: é pra comer ou não é? Por que, meu santo, parece que as pessoas gostam tanto de discutir o prato em vez de comê-los? E será que todo mundo tem o paladar tão apurado e tão sofisticado assim? Porque o meu, coitado, deve ser burro, pois não vê graça nenhuma, por exemplo, nessa orgia e nesse blá-blá-blá sobre sushis e sashimis que se instalou pra lá e pra cá. Para mim, todo esse papo-gourmet é o novo bastião dos neo-esnobes. E os guias gastronômicos? Nas vezes que fui a algum restaurante ou algum lugar de comer por indicação de algum guia, revista ou crítico, na maioria delas, achei que não faziam jus a tudo aquilo que li ou ouvi. Aliás reparei que esses guias se pautam mais pelo bairro e pela aparência da casa do que pela comida em si para dar as notas. Sim, eu penso que alguns guias ficam cheios de dedos e com medinho de detonar um estabelecimento cool e bem embalado. Acho triste. Já me serviram comida salgada, moooito salgada (isso sim um grande “não-não” gastronômico, inaceitável) em locais que me cobraram cifras beeem gordinhas. Me senti violentada, me insurgi, pedi para trocar, no meio de uma casa cheia de gente bem vestida e risonha com seus guardanapos branquinhos pousados sobre o colo.

Aí, diz o artigo, estaríamos prestes a assistir a uma certa insurreição da comida “ogra”, a comida farta, barata, sem pretensões. É?? Sim, eu acho que sim! Seria a desforra dos que não entendem e não ligam para a comida de nariz empinado. Seria a oportunidade de assumir a preferência por um PF rechonchudo sem se sentir um idiota xexelento. Só espero que não afrancesem o feijão com o arroz ou desvirtuem a simplicidade da farofa tornando-a o supra-sumo de uma neo-gastronomia bisonha. Deixem a comida simples ser apenas uma comida simples, sim? Agradeço.

em tempo: outro dia vi na TV (não vou lembrar o programa nem o canal, sorry!) um restaurante muito bacana que funcionava numa casa, que tinha um quintal bem grande e lá nesse quintal, a dona tinha uma horta com verduras e ervas variadas, tudo orgânico e tudo ia direto para a cozinha do restaurante, assim fresquinho, com aquele gostinho de folhas apanhadas na hora, coisa que nenhum tempero ou especiaria consegue reproduzir. Achei tão legal, tão simples e honesto… penso que isso sim é o verdadeiro luxo, não é!?

Leia mais

Caseiro é melhor!

Sep 30

Achei mimoso o novo livro da Ikea lançado na Suécia. O título pode ser traduzido como algo do tipo “Caseiro é melhor” (condordamos!). Tudo é muito clean, claro, simples, lindo, bem escandinavo (ah, os escandinavos são porretas!).  Cada receita traz fotos dos ingredientes dispostos com muito zelo, olha só:

e as fotos dos pratos prontos, como estes biscoitinhos com roupinhas, que dá dó de comer. Eu colocaria num quadrinho e decoraria meu estúdio:

Leia mais