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Nêsperas em calda

Nêsperas são frutinhas graciosas, frágeis e um tanto esquecidas. Pêssegos e ameixas costumam ser mais populares e presentes. A nêspera tem origem japonesa e costuma aparecer nos mercados nesta época do ano, vendidas em bandejinhas, mas também costumo ver pés da fruta em praças e parques. Lembro que na época que era estudante em Bauru, marido e eu costumávamos percorrer as ruas da cidade em busca de árvores frutíferas e encontramos nespereiras tentadoras dentro da USP, mas é claro que não arrisquei pular os muros altos da universidade… É uma fruta ótima para fazer geleias e saladas com folhas verdes, mas nunca tinha feito nêsperas em calda. Bom, se há pêssegos em calda vendidos enlatados, porque não experimentar fazer o mesmo com as nêsperas? Mesmo porque nêsperas não duram muito, apodrecem rápido. O fruto vai escurecendo de dentro pra fora, por isso é bom comprar as frutinhas sem manchas na casca. Fazer compotas é um bom modo de conservá-las por mais tempo!

Minhas nêsperas ficaram ótimas, pena que eu não tinha sorvete em casa para acompanhar (acho que daria uma combinação bacana!). Deve ficar gostosa na salada de frutas também!

Para quem se interessar, fiz assim: Coloquei uns 400ml de água + 1 xícara de açúcar numa panela e levei ao fogo para ferver (quem gostar pode colocar cravo ou um pau de canela, deve ficar interessante!). Deixei ferver uns 10 minutos. Enquanto isso, peguei 2 bandejas de nêsperas, descasquei, cortei ao meio, retirei as sementes e a pele interna que separa a fruta da semente. Juntei à panela e deixei ferver e engrossar (uns 20 a 30 minutos em fogo baixo). Aí é só dispor em vidros esterilizados com tampa. Infelizmente, como é a primeira vez que fiz, não sei dizer quanto tempo elas duram na geladeira.

Risoto de arroz negro e polvo

Frequento uma banquinha na feira, onde compro vários tipos de feijões, arroz integral, gergelim, grão de bico, cereais e algumas novidades que sempre aparecem. Adoro comprar a granel, pedir só o que preciso, tudo na medida, sem desperdício! Aí resolvi trazer pra casa esse arroz negro pensando num risoto pretinho e diferente pro último fim de semana. Achei que ia fazer um parzinho interessante com o polvo que estava me esperando na geladeira e um vinho branco honesto. E ficou lindo! Adorei o arroz, embora ele não solte tanto amido e não renda aqueeele risoto cremoso.

Comecei fazendo o caldo de legumes para o risoto (é bom preparar com algumas horas de antecedência). Não tem segredo, não. Geralmente eu pego o que tá dando bobeira na geladeira, junto tudo num panelão e cozinho. Gosto muito de aproveitar partes de hortaliças e verduras que a gente costuma descartar, tipo talos de salsinha e folhas de alho poró. Desta vez fiz o caldo com alho poró, salsão, cenoura, abobrinha, cebola, alho, folhas de louro, alecrim fresco e pimenta do reino em grãos. Juntei 1 taça de vinho branco e levei ao fogo com uns 3 litros de água mais ou menos. Deixei cozinhar em fogo baixo por uns 40 minutos. Esperei amornar e coei.

Para o risoto, usei:

300g de arroz negro

1/2 cebola média picada

3 colheres (sopa) de manteiga

1 taça de vinho branco

100g de parmesão ralado

caldo de legumes (não há uma quantidade certa)

sal

O preparo é o basicão de risoto: pegue uma panela, ponha 1 colher de manteiga e doure a cebola. Junte o arroz e mexa. Quando começar a pegar no fundo da panela, adicione um pouco do vinho e do caldo e continue mexendo. Quando começar a secar, repita a operação e vá repetindo até o arroz fica al dente (usei bastante caldo, pois o arroz negro demora mais para cozinhar). Não deixe o arroz seco, a intenção aqui é que ele fique bem úmido, um tanto caldaloso. Incorpore o resto da manteiga, o parmesão e salgue a gosto.

Para o polvo:

o polvo que eu tinha devia ter umas 800g a 1Kg. Ele já estava limpo, sem o ferrão (thanks, mãe!), então foi moleza.

Numa panela grande, fervi bastante água. Juntei sal e o polvo e deixei cozinhar por quase 1 hora. Escorri e reservei.

Depois de morno, cortei o polvo em pedaços, parti os tentáculos em 2 ou 3 partes.

Peguei uma frigideira de fundo grosso, juntei azeite, alho picadinho e fritei o polvo. Juntei alecrim fresco e no final, bastante salsinha picada.

Aí é só servir com o risoto! Achei que formou uma dupla bastante combinante :D

 

 

uma focaccia ou apenas um pão achatado de nome opulento

Desde que me mudei de casa no ano passado, venho diminuindo o consumo de produtos industrializados. Na verdade, já faz uns 10 anos que venho cortando muitos dos produtos que comprava no mercado. Acredito em mudanças gradativas, pois são essas as que funcionam e as que duram. É só ler os rótulos para concluir que comida de fábrica, seriada e etiquetada é realmente coisa do demo, de tantos corantes, sódio, gordura trans, açúcar e substâncias impronunciáveis que contêm. Não sou radical nem proselitista e, de vez em quando, claro que me permito comer o que tenho vontade sem me importar com essas coisas. Se bem que minhas vontades passam longe de refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos etc… sou mais pra doces (não muito doces) que eu mesma faço e uma birita moderada (coisa feia!), mas o marido, este sim padece um pouco da falta de um petisco do mal quando volta do trabalho. Ele é do tipo que viveria só de lanchinhos e embutidos, mas eu restrinjo essas coisas, porque né, não dá pra viver feliz comendo só isso. Resumo: há 14 anos tento fazê-lo comer mais frutas e verduras. Melhorou muito, mas ainda sou eu que consumo a maior parte dos vegetais em casa. Como diz o Mick Jagger: old habits die hard, então sigo tentando e ele melhorando aos poucos. Agora com um herdeiro em casa, nossa alimentação passou a ter maior importância. Acho que bons hábitos alimentares realmente são um grande legado a se deixar para os filhos. Pena que vejo muitos pais darem tão pouco valor a isso, preferindo incutir valores consumistas nas crianças, entuchando elas de coisas desnecessárias, é um desalento…

Bom, mas essa focaccia vi num programa de TV e a massa me pareceu tão bacanuda e fácil que tive que fazer na última quinta, início de feriadão. Eu sabia que o Yuji ia chegar em casa esgotado e com fome e não tem nada melhor que ser recebido com um belo pão e uma taça de vinho, não é? Comemos com o que tinha em casa: tomates pelados com manjericão fresco (da minha micro-hortinha de ervas), antepasto de beringelas que eu já tinha na geladeira e fiz ainda uma pastinha rápida de queijo branco, pimenta e orégano. Pena que comemos tudo antes de fotografar :P

A receita é assim:

ingredientes:

1 xícara e meia de água morna

1 colher e meia (sopa) de fermento biológico seco (usei só 1 colher)

1 xícara cheia de batatas cozidas e amassadas (usei mandioquinha)

1/4 xícara de azeite extra-virgem

2 colheres (chá) de sal

4 xícaras e meia de farinho de trigo (não sigo à risca essa quantidade, melhor observar o ponto da massa, que deve ficar maleável e um pouco pegajosa para o pão não ficar muito seco)

azeite extra-virgem a gosto para cobrir a massa

alecrim fresco a gosto

sal grosso a gosto

 

Pegue uma vasilha grande (se for de vidro, melhor) e coloque a água e o fermento. Mexa e deixe descansar uns minutinhos. Junte as batatas (no meu caso, mandioquinha) e o azeite. Adicione o sal e a farinha e misture até a massa começar a desprender da vasilha.

Passe para uma superfície enfarinhadas e sove. Transfira para uma vasilha untada com óleo, cubra com um pano e deixe crescer até dobrar de tamanho (eu aqueço o forno só  um pouquinho só pra esquentá-lo, desligo e deixo a massa lá dentro com a luz ligada).

Retire a massa e divida em 2 partes. Faça 2 bolas e então achate-as. Deite em formas forradas com papel manteiga e use seus dedos para fazer cavidades na superfície. Jogue o alecrim fresco, sal grosso e o azeite por cima.

Agora é só assar até dourar em forno médio pré-aquecido.

Bolo de fubá para um finzinho de tarde mais bacana!

Sou uma pessoa que ainda tem caderninho de receitas escrito à mão. Outro dia fiz de novo esse bolinho de fubá, só que fiz em ramequins (palavrinha besta, canecas dão na mesma!). Pediram a receita, mas eu nunca sei de onde vieram as receitas que tenho (preciso começar a prestar atenção nisso). Anyways, a receita desse bolo eu acho que veio do verso de alguma embalagem, não sei se foi do fubá ou do leite de coco… mas eu gosto dele por levar leite condensado. Acho qualquer bolo de fubá carinhoso e aconchegante, ótimo para saborear num fim de tarde com visitas em casa!

Este é fácil e é assim:

Bolo de Fubá

3 ovos (gemas e claras separadas)

2 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente

1 lata de leite condensado

1/2 xícara (chá) de leite

1 xícara (chá) de leite de coco

2 1/2 xícaras de fubá

1 colher (sopa) de fermento em pó

um punhado de parmesão ralado para polvilhar

 

Pré-aqueça o forno em temperatura média.

Bata a manteiga com as gemas até ficar cremoso. Junte o leite condensado, leite, leite de coco e misture. Acrescente o fubá e o fermento.

Em outra tigela, bata as claras em neves (até formar picos moles) e incorpore à primeira mistura.

Deite em forma untada e enfarinhada ou em forminhas individuais, polvilhe o parmesão e leve ao forno (uns 40 minutos). Faça o teste do palito para garantir :D

Brownie de chocolate e bananas ouro!

Fui cavar uma receitinha para usar as pencas de bananas-ouro que ganhei da minha mãe. Já contei que toda vez que ela vai a praia, traz dúzias de bananas-ouro e palmito in natura, este último comprado das tribos de índios de Ubatuba? Meu pai tem predileção especial por essas bananas, já que, pequeninas, têm sabor mais intenso, como a maioria das frutas e leguminosas anãs (vide as pimentas). Não hesitou em oferecê-las ao primo vindo do Japão anos atrás, que ficou encantando com as bananinhas e as comeu às pencas (vai ver porque dizem que as bananas de lá são terríveis). Na foto acima, uma penca de bananas-ouro ao lado de bananas prata, só pra ver como a ouro é miudinha. Uma gracinha a ouro! Ela tem casca fina e o fruto é mais amarelado, mais doce e de consistência mais firme.

Sempre me pego raciocinando sobre o que fazer pra consumi-las antes de estragarem. Desta vez fui de brownie, porque tinha um chocolate 55% cacau de bobeira aqui na despensa e bateu desejo de algum doce de chocolate e bananas. Pronto! A receita veio do ótimo Chocolatria, da Simone Izumi, mas dispensei as avelãs (não tinha em casa) e a calda de Nutella (achei que ia ser muita gordice).

Pra vocês terem uma ideia, ainda sobrou 1 penca e meia! Se tudo der certo, vai rolar uma torta de bananas quentinha no fim de semana!

limão siciliano de plástico, alguém já usou?

Andando nos corredores do mercado, encontro esse limãozinho de plástico, todo fofo, que promete ser 100% limão siciliano (aham, ok!). Lembro que a Nigella costuma usar isso de vez em quando e resolvi trazer pra casa para testar. Eu não caio nesse conto do vigário de acreditar em produtos que se auto-promovem como “sem conservantes” e duram um ano. Se é assim, como meus limões da feira não duram nem 1 semana? Banana pra esses rótulos! Como previa, o sabor do produto não é idêntico ao do limão siciliano de verdade, of course, mas acredito que ele possa quebrar um galhão na correria do dia-a-dia. Só usei para uma caldinha de bolo, que ficou ok.

Mas e aí, alguém já usou isso?

Cheesecake de peras e passas

Estou em pleno período de clausura pós-parto. Quem é mãe sabe o quanto um pequeno de 3 meses diminui drasticamente as saídas de casa. 90% das minhas saídas são passeios com o Eric, que são pra lá de gostosos e revigorantes (papai e mamãe se derretem ao ver o pequeno cada vez mais risonho e entretido com objetos e com as feições das pessoas)! Para mim, que sempre curtiu muito ficar em casa e desde pequena sempre arranjou alguma arte pra fazer no aconchego do meu lar, ficar em casa em tempo integral com meu bebê não tem sido um graaande problema. Acontece que tanto tempo em casa tem deixado minha cozinha bem animada! Já tô treinando para servir um cardápio bem bacana e caseiro ao filhote quando ele for maiorzinho! Fora que amamentar um bebê tão gordinho tem me dado uma fome ferrenha!

Aí fiquei com desejo de cheesecake! Já falei que cheesecake é um dos meus doces preferidos? Adoro essa misturinha de doce e salgado! Aprecio deveras qualquer doce que leve um queijinho! Vou me deter aqui a explicar como fiz meu cheesecake, mas só sigam a receitinha à risca aquelas que como eu não curtem doces muito doces, viu! Sou daquelas que quase sempre corta pela metade a quantidade de açúcar das receitas e que geralmente costuma achar as tortas e bolos que provo fora de casa bem carregados no açúcar. Também costumo sempre mudar os ingredientes das receitas que sigo, adapto com o que tem em casa, enfim… sou desobediente! Como serei eu a principal vítima de minha própria culinária, por que não arriscar, variar e inventar, né? Talvez as formigonas se decepcionem com a falta de açúcar dessa sobremesa, mas olha, eu amei a combinação do sabor e da textura das peras com as passas, ô coisa boa, viu! Rendeu uma cobertura simples e perfeita para o cheesecake!

Comecei fazendo a base de torta mais fácil do mundo: biscoito + manteiga. Depois que comecei a fazer bases de torta assim, dá uma preguiça do cão de pegar farinha, manteiga, ovos… Deus é mais!

Usei 250 g de biscoito Maria triturada no liquidificador e 100g de manteiga sem sal em temperatura ambiente. Misturei bem até virar uma farofa. Esta quantidade forra direitinho o fundo e as laterais da minha forma de fundo removível de 25 cm de diâmetro. Aí deixei uns 8 minutos em forno pré-aquecido a 180 graus.

Ainda no liquidificador misturei 2 ovos caipiras, 1/2 lata de leite condensado (se quiser mais doce, use toda a lata), 300g de ricota, meio copo de requeijão, 1 copo de iogurte natural, 1 colher de chá de essência de baunilha. Se estiver muito grosso, vá ajudando com uma colher até todos os ingredientes se incorporarem e formar um creme lindo. Aí adicionei uma colherzinha de casca de limão ralada para dar uma perfumada. Deitei sobre a massa assada e voltei ao forno por uns 40 minutos. Retire e deixe esfriar. Depois de frio, deixo umas horinhas na geladeira.

Cobertura: amassei 3 peras Williams maduras no garfo e juntei o suco de meio limão grande. Numa panela joguei 3 colheres (sopa) de açúcar demerara (de preferência orgânico) e deixei derreter de leve para dar uma corzinha na minha cobertura. Juntei as peras e cozinhei em fogo baixo até apurar e formar uma caldinha brilhante. No final do cozimento juntei uvas passas claras, salpiquei canela em pó e deixei mais alguns minutinhos. Deixei amornar e cobri lindamente meu cheesecake!

colapso culinário

foto: Corbis

Eu estava há 2 semanas sem cozinha devido a minha mudança e aos contratempos que se sucederam a ela, coisa que eu já relatei aqui. Para completar sarcasticamente o caos, o restaurante de comidinha honesta no qual eu costumava almoçar bem aqui ao lado do estúdio fechou as portas quase ao mesmo tempo. Ele era a salvação da minha lavoura, porque eu sou chata para comer fora de casa.Tive vontade de me virar para o céu e perguntar o que eu fiz de errado nessa encarnação. Fiquei órfã de cozinha, copa, comida e fogão!

Ando com comichão de bater um bolinho, fazer uma torta ou qualquer coisa que o valha, mas até uns dias não tinha fogão, forno, nem um microondas pra quebrar o galho. Nunca pensei que ir ao mercado sem ter cozinha em casa fosse uma tarefa tão difícil e cheia de restrições e amolações. Bom, para não dizer que não tinha nada na cozinha, eu tinha uma geladeira, então minha incursão ao mercado era somente na parte fria do mesmo e no horti-fruti, onde eu só podia considerar as frutas como opção. Tomei cafés da manhã em padarias, fiz test-drives em restaurantes diversos (a maioria muito decepcionante, blergh!), tomei lanchinhos por aí e à noite pedia arrego a minha mãe e ia jantar no conforto da mesa dela. A verdade é que meus jantares foram as únicas refeições dignas dos meus últimos dias.

Não ter um canto para comer não é legal, não é mesmo, mas serve para a gente ver como é viver na privação e na precariedade e para valorizarmos o aconchego da nossa cozinha, que é a parte mais calorosa da casa. Depois dessa, a resolução do ano será uma destas: almoçar em casa (agora moro pertinho do estúdio!) ou trazer uma marmita para cá. E ó: para quem não viu, agora temos Lunch Bag na loja > para aquelas que como eu sofrem com a comida da rua =)

* update: recebi fogão e microondas há 2 dias, grande avanço, apesar de ainda estarmos à espera dos móveis que encomendamos na marcenaria. Considero abrir um espumante quando inaugurar minha cozinha, hohoho!