okonomiyaki ou a cozinha japonesa gororobenta
Apr 19
Já comentei por aqui que comida japonesa não é só sushi e sashimi. Gente, desmistifiquem isso! Imagina só se o sujeito vai perder tempo todo santo dia enrolando aquele lindo sushi ou comprando peixe fresquinho para o almoço. Não, né! A gente também não come feijoada todo dia, nem se entope de caipirinha. A cozinha do dia-a-dia é bem menos glamurosa e folclórica. É, muitas vezes, feita das sobras de ontem, de molhos prontos, enlatados, ovos fritos de última hora e gororobas mil. Às vezes rola até o desbunde geral do macarrão instantâneo (confessem!). Pois é, okonomiyaki faz as vezes da omelete (apesar de se assemelhar mais a uma panqueca) no sentido de que podemos colocar ali o que der na telha. Vai dizer que na dificuldade, naquele dia de geladeira erma e deserta, você nunca fez um rapa no pouco que tem ali, bateu uns ovinhos e fez uma omeletis no desespero?
Primeiro devo dizer que okonomiyaki não é uma coisa que frequenta muito a minha cozinha, nem o da minha mãe e nem se via muito na casa da minha saudosa avó (não sei dizer porquê), mas é um prato muito consumido no Japão em restaurantes e barraquinhas de rua. Como seu preparo é bem fácil e aceita vários “recheios” e variações, ele tem cara de comidinha de festival, de comer num pratinho de papel ou de plástico. A última vez que provei foi num Festival do Japão em São Paulo, faz um bom tempo. Por isso mesmo nesse último fim de semana, me deu aquele estalo e aquela vontade de fazer o meu.
Para quem não está acostumado, okonomiyaki é, além de difícil de pronunciar, um prato, digamos, esquisito, bem diferente, no mínimo. Acho que a receita mais tradicional sempre leva repolho, bacon ou alguma outra carne de porco, maionese, katsuoboshi (lascas de peixe) e algum molho para a cobertura (tem molho pronto para okonomiyaki, mas não é comum encontrar, pode ser também molho de yakissoba ou tonkatsu).
Quem quiser se aventurar, siga-me:
Comecei separando tudo que eu iria usar. Não vou me ater muito a medidas, vai tudo do seu gosto mesmo. Perdoem a pobreza das fotos (fotos noturnas, sabem como é…):
um punhado de repolho picadinho, bacon em fatias finas, shiitake fatiado, maionese, molho (usei tonkatsu), Hondashi (caldo de peixe), gari (gengibre em conserva – esse foi minha mãe que fez, mas ele é encontrado pronto em lojas de produtos orientais), alho poró (é mais comum usar cebolinha ou nirá, mas eu não tinha) e o katsuoboshi. Você pode por camarões ou lula, se lhe apetecer.
A massinha, eu fiz assim: bati com fouet 2 xícaras de farinha de trigo, 2 de água gelada, 4 ovos, 1 envelope de hondashi e 1 colher de sopa de fermento em pó. É bem legal colocar cará ralado, se você tiver, para a massa ficar mais fofinha. O maravilhoso caldo da alga kombu também é muito bem vindo nessa hora!
Aí você acrescenta à massa, o repolho, o shiitake, o gengibre e a cebolinha. Misture bem. Aqueça uma frigideira anti-aderente (eu usei uma chapa elétrica) e disponha as fatias de bacon, deixe fritar um pouquinho. Acomode com uma concha uma porção da massa por cima do bacon, como se fosse uma panqueca mesmo. Vire e frite do outro lado (o bacon vai ficar por cima, fritinho).
Sirva coberto com molho tonkatsu, maionese e o katsuoboshi.
a receitinha tem muitos ingredientes, mas é simplão, vai!
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