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a história do Pupu

Não pensávamos em ter nenhum bichinho no momento que Pupu apareceu em nosso portão. Era noite de outono, 5 de maio, e o frio já se sentia. Ouvimos um miadinho discreto e abafado depois do jantar. A rua estava silenciosa. O barulho foi ficando mais próximo e insistente depois de algumas horas. O marido, fofamente, perguntou, feito criança, se podíamos ter um gatinho. Como dizer não a um pedido assim repentino e sincero? Descemos. Do outro lado da rua havia uma criaturinha pequena, feinha e desgrenhada. Foi só chamar com entusiasmo, dando tapinhas nas coxas, que ele atravessou a rua correndo, feito cena de cinema (só faltou a câmera lenta) e recebeu muitos afagos. Não estava sujo, apenas desamparado e assustado. O marido concluiu que era fêmea, decididamente uma fêmea. Como era ele que tinha mais experiência com gatos (ele já teve 3), o gatinho ficou sendo gatinha. Procuramos por pulgas e sinais de doenças e ele parecia bem saudável, mas faminto. Não tínhamos nenhuma comida apropriada para gatos obviamente, então na falta de opção oferecemos um pires de leite, que ele atacou vorazmente. A primeira noite, ele passou em nossa cama, pois ele tremia muito de frio e ronronava tresloucadamente. O primeiro xixi, foi no ralo do banheiro sozinho sem orientação, um verdadeiro gentleman – ou lady na época. Como a suposta gatinha era siamesa ou metade siamesa, quisemos dar um nome oriental a ela: Pei-pei. Só que a fêmea foi virando macho à medida que 2 bolinhas delatoras foram crescendo junto com ela ou ele. Nessa altura, sua masculinidade já era inegável. Pei-pei virou definitivamente Pupu e ele se tornou o maior companheiro do marido! Mesmo hoje, após 3 anos, eles ainda brincam feito crianças e eu ainda me emociono ao ver como eles se amam. Pupu exige muita atenção do marido nas manhãs de trabalho no estúdio, perseguindo-o fielmente. Ele adora andar de carro e receber cafuné enquanto come, odeia ficar sozinho, reconhece o barulho do carro quando a gente chega e fica nos esperando na porta! Pupu é um gatinho esnobe e seletivo, capaz de comer todos os delicrocs do pratinho e deixar o resto pra trás. Ele adora água do filtro e vem correndo todo pidão quando estamos nos servindo de um copo.

Pupu cresceu em meio a máquinas de costura, dormindo ao som dos motores, entrelaçando-se em nossas pernas enquanto pisávamos nos pedais, praticamente um gatinho costureiro e a maior testemunha do desenvolvimento do Tofu Studio! Como não sabemos quando ele nasceu, comemoramos todos os anos, no dia 5 de maio, sua chegada. Pupu apareceu em nossas vidas como algumas das melhores coisas costumam acontecer, assim espontaneamente, sem muitos planos e sem aviso e agora já não sabemos viver sem ele!

comendo com classe

Prometo que este blog não sucumbirá à tentação de virar um blog de gatinhos, mas gente o que faço quando vejo produtos tão finos e espertos como este? Inevitável né! Corro aqui para mostrar pra vocês! O gatinho de plástico que armazena ração e também tampa o pratinho é de uma marca tailandesa, Qualy (tem uma versão canina tb). Vale a visita, viu, porque eles têm muitas outras coisas fofex (inclusive as mais observadoras perceberão que a Tok Stok vende um passarinho da marca, que serve como gancho de parede)

meu gatinho Pupu quer!

aquecedor de coração

pei-pei.jpg

E foi assim: ela chegou com o frio, numa noite de névoa e silêncio, miando em desespero bem debaixo da sacada aqui do estúdio. Ela nos aceitou de pronto, ronronante e caprichosa, com seus poucos dias de vida. Servimos um pires de leite, que ela entornou rapidinho, e improvisamos uma caminha. Ela é doce, educada e delicada, tem passinhos elegantes e um repertório enorme de miados, um para a hora de comer, outro para ir ao banheiro, outro para pedir carinho. Ela brinca e se enrola nos fiapos de tecidos que caem no chão do estúdio, adora retrozes, mas não curte bolinhas e bichinhos. Está sempre conosco, andando junto a nossos pés ou se aninhando, indolente, em nossos ombros.

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