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a famigerada falta de tempo

Meu mundo virtual vem sofrendo com a montanha de tarefas reais a cumprir. A primeira atividade urgente e inadiável é colar no filho, que agora se arrasta impetuosamente pela casa toda, desafiando os perigos das quinas dos móveis e das tomadas desencapadas (preciso urgente de apetrechos de segurança, deste sábado não passa!), e adora arrancar tufos de pelo do Pupu, que tem até medo do Eric, coitado… Todos dizem em coro que tudo piora quando ele começar a andar, omg! Segundo: a habitual correria do último trimestre, quando as encomendas do estúdio quase nos engolem e os dias parecem ter 12h. Você dá uma bobeada e pimba: já é Natal, tudo está iluminado e piscante! Os Natais estão tão próximos um do outro que eu me sinto naquele filme Feitiço do tempo (ouço até a Cher na minha cabeça: “i got you babe, i got you babe”). Como proceder com o frenesi maluco dessa época do ano? Existe fobia de natal? Deve ter…

Terceiro: o estúdio estará de mudança na próxima semana. Mu-dan-ça! (Nessa hora um friozinho percorre o corpo). Não sei se rio ou choro. Mudar em pleno novembro é algo tão sem noção, mas tão sem noção… que apertamos o botão interno do phoda-se e vambora! Foi tão tentador que não tivemos como desprezar a oportunidade. Achamos um lugar pertinho de casa (lagriminha nos olhos)! Vocês não sabem o quanto isso tem valor pra gente! Poder ir a pé trabalhar, pessoas! Quanto vale isso? Se eu pudesse elencar metas pra mim e pra minha família, uma delas seria montar uma vida em que pudéssemos fazer tudo a pé! Então, o sumiço tá explicado! Provavelmente ele durará mais alguns dias. Por enquanto, preciso arrumar alguém pra mudar o ar condicionado e mais 2 mãos hábeis para dar conta das encomendas do fim de ano no estúdio… Mando notícias do front!

*aproveito para agradecer o carinho manifestado no último post, coisa que também não tem preço!

Eric, 4 meses e 20 dias

este 4º mês do Eric tem sido de franca evolução! Ele faz uma força fenomenal contra o chão para ficar de pezinho (ele adora parecer gente grande!), já diz as primeiras sílabas, resmunga todo sisudo, adora soltar um longo e arrastado “guiiiii”, e quando a gente o imita, ele dá gargalhadas altas e gostosas que preenchem toda a casa… Cada coisinha nova que ele aprende abre um universo novo e vejo que ele se sente todo poderoso, destemido até. É tanta novidade numa vida tão curtinha! É bonito de ver!

A fisionomia ainda é mais minha que do marido, mas já se vê no nosso menino alguns traços do pai que vão se consolidando: as mãozinhas, o formato das unhas, os olhos assimétricos (um ligeiramente maior que o outro). O pai, amuado inconfesso, defende que, embora Eric tenha o meu rosto, por dentro se parece com ele, calorento e um tanto inquieto.

Há um ano comemorávamos a notícia de que uma vidinha me habitava. Quanta coisa acontece em um ano! Uma vida, corpo e alma, acontece em um ano! Eu adorava a sensação de ter meu filho crescendo em mim e de ver como ele, tão pequeno, microscópico, já me enchia de planos e projetos, me enchia e ainda me enche de futuro!

 

 

Eric, 2 meses e 11 dias

Não preciso dizer né: o Eric tem crescido e engordado horrores! É só ver o bochechão! Para quem nasceu com 2,9 Kg, estar em torno dos 6 kgs em pouco mais de 2 meses, com amamentação materna exclusiva, é algo fenomenal, pelo menos para mim, a mamãe! Fico grata todos os dias por isso :D

Eu não sei se tem como explicar assim em palavras o que significa amamentar um filho, o que é gerar o único alimento que ele consome, saber que aquele bebê depende completamente de você, das suas glândulas, do seu corpo… A amamentação tem algo de mágico e primevo. Às vezes não dá pra acreditar que seu corpo consegue alimentar uma criança, fazer aquelas coxinhas ganharem dobras, as unhas e os cabelos crescerem, gerar tanto xixi e cocô, rs… fazê-lo sorrir e balbuciar os primeiros sons. Tudo isso só com o meu leite! Fantástico! É uma sensação de poder incrível. Aí você pensa que as mulheres fizeram isso desde sempre e você vê como não sabia nada até aqui (você baixa a bola), como você, na verdade, sabia pouco sobre você mesma, como seu corpo era imaturo, leigo, não tinha experimentado o parto nem a amamentação, veja só! São experiências que têm pouco ou nada a ver com o raciocínio, com a cognição, é corpóreo, como uma cicatriz que fica ali registrada para sempre ou os cheiros da infância, o aroma da casa da avó, as comidinhas da mamãe, essas coisas que a gente não explica e mal consegue compartilhar, pois são experiências sensoriais, íntimas. Não é a cabeça que essencialmente lembra dessas coisas, é o corpo. Chego a me condoer pelas mães que por um motivo ou outro não conseguem amamentar. Lamento pelas que optam conscientemente por não passar por esta experiência, porque dói, porque demanda tempo, porque (algumas difundem por aí) o peito cai, murcha, porque você tem que ficar com o bebê o tempo todo. Amamentar é tudo isso, mas também é extremamente prazeroso, é o seu tempo com seu filho, só vocês dois e mais ninguém. Parece que o mundo se apaga naqueles minutos que estou com meu filho, nutrindo-o, conversando com ele, olhando cada dedinho de suas mãos e a carinha de “yummy” que ele faz!

Sei bem que a vida é corrida, nosso dia-a-dia é uma insanidade, mas não deveríamos renunciar a esses primeiros meses de amamentação. Essa experiência não volta, não se compra, fortalece o vínculo entre mãe e filho, te ensina tanto e te faz tão bem… e no cômputo geral da vida, da sua existência, dura tão pouco que a saudade dessa fase logo vem!

o Eric chegou!

O Eric, nosso primeiro filhinho, veio ao mundo na última segunda, dia 23/01, com 39 semanas, de parto natural com 2920 g, pelas mãos de 2 obstetrizes, com muita saúde, cercado de amor e afeto! Ele chegou uma semana antes do previsto e nasceu numa casa de parto, num ambiente simples e acolhedor, onde fomos respeitados e muito bem cuidados. Ele nasceu cheinho de penugem com dedos e unhas compridas (daí as luvas), sob as lágrimas emocionadas do pai, que me incentivou todos os minutos no meu longo e difícil trabalho de parto. Seguiram-se dias de euforia e encantamento com essa criaturinha tão frágil e delicada, que mudou tudo em tão pouco tempo, que nos fez pais e deu novo sentido as nossas vidas para sempre! Agora estamos envoltos com todas as necessidades e demandas que o pequeno nos traz, sentindo aquele friozinho na barriga com o desafio de criar uma pessoinha para este mundo tão grande!

O amor por um filho é mesmo arrebatador. De repente é ele a coisa mais importante do mundo e você se vê ao mesmo tempo frágil e forte. Frágil pelo medo de não dar conta, de não suprir as expectativas do seu pequeno, de desapontá-lo de alguma maneira. Forte por saber que ele depende só de você e você precisa gerenciar seus temores, ser melhor do que nunca e formar uma boa pessoa.

O Eric em tão pouco tempo já me transforma, já faz crescer em mim um amor do qual eu ainda não tinha a medida! Aquela coisinha pequena que crescia dentro de mim, ainda imaginária, com a qual eu conversava e fazia planos, agora está bem aqui nos meus braços, é real e concreto! Virei mãe! Agora sei que deixarei algo lindo e muito amado neste mundo!

* Às clientes Tofu com pedidos em atraso, nossos agradecimentos pelas felicitações calorosas, pelas boas vibrações e pela compreensão de sempre!

o renascimento do parto

O documentário “O renascimento do parto” será lançado em março de 2012. O título é homônimo a um conhecido livro do médico francês Michel Odent, um dos maiores defensores do parto natural humanizado. Recomendo muito que vocês cliquem aí em cima e assistam o trailer!

O filme discorre sobre a situação da obstetrícia no Brasil, dominada por cesáreas, que chegam a 85% dos partos na rede privada. É uma tragédia! Muitas mulheres nem entram em trabalho de parto, submetendo-se a cesarianas com dia e hora marcados. Bebês são retirados dos úteros de suas mães antes da hora, antes que eles e a natureza se encarreguem de fazê-lo por si próprios, antes que eles sejam massageados pelas contrações uterinas e sintam que estão prontos para conhecer o mundo.  Não sei se todas as mães têm consciência dos prejuízos que essa prática traz ao bebê e a elas mesmas. Penso que se as decisões são tomadas com informação e conhecimento, ok, não sou xiita e nem militante de causa nenhuma, mas vejo que muitas grávidas que optam pela cesárea eletiva, fazem-no por comodidade ou pressionadas por médicos cesaristas de convênios particulares que não querem perder um dia de consultório ou até por alguma motivação mística (o filho tem que nascer naquela determinada data por algum capricho qualquer). Isso sim é triste! O assunto costuma gerar uma polêmica danada, mas acho que se uma sementinha, como este documentário, for bem disseminado, popularizado e discutido, talvez o parto possa retornar ao poder da mulher. Talvez muitos mitos sejam desfeitos, inclusive a da dor no parto. Eu nunca senti essa dor (espero meu primeiro filho), mas sei que ela não é uma dor qualquer, não é provocada por uma doença ou trauma. Ela tem uma motivação clara, talvez a mais nobre de todas: trazer ao mundo uma criatura que você e seu marido, companheiro, namorado, decidiram conceber e ter. Penso que esse momento deveria ser envolto por muito respeito e amor. Infelizmente vejo que muitas mulheres se vitimizam e propagam aos 4 ventos que a dor do parto é a pior do mundo, que os 9 meses de gravidez são um fardo terrível e fazem questão de lembrar os filhos disso, como se eles tivessem algum tipo de dívida com elas! Muito contraproducente!

A gente vive numa sociedade que tem horror à dor, que faz de tudo para evitá-la, se droga, se vitimiza, se deprime, cria mecanismos de transferência de culpa, apóia-se cegamente em religiões e crenças, toma remédio pra dormir, pra acordar, pra ficar feliz… Penso que as dores da vida devam ser compreendidas, enfrentadas e algumas, as mais nobres, como a dor de parto, abraçadas e queridas. Não é isso que nos faz crescer, ser humanos e honestos com nós mesmos?

à espera de um bebê!

eu, flagrada pelo marido, na saída de casa

Trago hoje uma novidade realmente muito, muito especial, pelo menos pra mim e para o marido, embora muitas de vocês já saibam: nós estamos grávidos! É nosso primeiro bebê e já são 7 meses de uma espera muito celebrada! Já deveria ter anunciado a notícia aqui, mas queria saber primeiro se era menino ou menina. Descobri há pouco mais de um mês e como esses últimos 30 dias foram muito corridos por aqui, o “anúncio” foi sendo arrastado, adiado, prorrogado… Teremos, vejam só, um menino! Ele foi muito desejado, planejado e aguardado e é cada vez mais real à medida que a barriga desponta e ele se movimenta dentro de mim! Embora as mulheres fiquem grávidas o tempo todo por aí e isso seja um evento fisiológico corriqueiro e normal, quando acontece com você, tudo é muito mágico, único e surpreendente, desde os primeiros enjoos, as mudanças do corpo, no humor e principalmente as expectativas em relação ao futuro. Parece que o mundo todo se movimenta em torno dessa gravidez! É uma conexão incrível com a natureza, com o corpo, com nossos instintos mais primevos e estou felicíssima por poder passar por essa experiência! Quase todos os eventos ganham outra dimensão, a gente cresce, não só no tamanho (já somo alguns bons quilos na balança), mas também na compreensão de muitas coisas, das prioridades, dos hábitos ruins que temos que abandonar para poder educar uma pessoa com coerência. A experiência da espera e as reflexões que isso traz ao casal estão sendo bastante enriquecedoras e tem nos feito muito melhores! Estamos ansiosos para conhecer essa criatura pequenina que cresce aqui dentro, ainda um pouco atrasados na arrumação do ninho e dos pormenores que uma criança exige (todo segundo semestre é o caos pra gente!). Estou mergulhada em idéias e projetinhos para ele! Alguém aí me segura, senão eu faço todo o enxoval à mão, rs…!