Nattô, há quem goste…

Jun 27

Já vou dizendo: não sou enjoada para comida, como de tudo, experimento de tudo numa boa. Se eu for comer na sua casa, você não precisará se preocupar com o cardápio, não tenho alergias, nenhuma restrição, sou facinha, facinha! Mas nattô, colega… eu até como (uma vez a cada 3 anos, digamos, para dar uma nova chance ao coitado), mas não amo, nem posso dizer que gosto, apenas passa. O marido adora e eu compro pra ele de vez em quando, né tadinho! Nattô é soja fermentada, muito apreciada no Japão. Ele tem um cheirinho característico de podre e é gosmento, muito gosmento, chega a puxar fio e deixar a boca melecada (só comendo pra ver). Os grãos de soja emaranhados naquela gosma que não acaba definitivamente não é um bom convite para os de estômago fraco. Quem tem paladar infantil então não comeria isso nem na porta do inferno. Dito isto, devo fazer a ressalva e sublinhar que tem gente que ama. Então, se você não conhece, dê uma chance ao pobrezinho! Talvez o seu paladar se apaixone por ele, apesar da feiúra. Vale dizer que nattô é bom moço, não tem muitas calorias, dizem até que contribui para baixar o colesterol, e reza a lenda que quem come nattô vive pra caramba (isso procede, produção?).

O modo mais comum de consumir é assim simplão como na foto, com arroz e shoyu (aliás japonês parece que mistura tudo com arroz e dá certo no final).

Comemos nattô nesse último fim de semana, porque começou há pouco a temporada de arroz novo (Shin mai). Eu espero muito por esse período do ano, porque a diferença na qualidade é grande! O arroz novo tem viço, brilha lindamente, enquanto o arroz normal é meio opaco, tristinho… Geralmente o arroz japonês novinho começa a aparecer nas lojas em abril/maio. Este ano demorou um pouco, não sei se foi só aqui na minha região. Se você for comprar arroz para fazer sushi ou qualquer prato japa, prefira aqueles que indiquem que o arroz é novo. Eu compro bastante o Momiji grão longo, da Camil, geralmente estão melhores e tem um bom custo x benefício e eles vêm com um selinho “Shin mai”, indicando que a safra é nova, como na foto aí em baixo. Aqui em casa a gente só come arroz japonês, isso desde pequena. Depois que saí da casa de minha mãe passei a consumir um pouco de arroz integral, mas o do dia-a-dia é esse japa mesmo. Suspeito que se você, como eu, cresceu comendo esse arroz, deve ser difícil comer o agulhinha todo dia…

vale deixar a dica do nattô: sem citar marcas, eu prefiro aquele do copinho vermelho do que aquele outro do copo amarelo e verdinho (são esses 2 que dominam o mercado, acho eu). Já fiz mini-enquete na família e todos são do time do vermelho ;D

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Sekihan, arroz vermelho!

Sep 08

A gente sempre tem umas comidinhas do coração, que a gente guarda com afeto nas memórias, seja porque elas participaram de momentos especiais, festivos e alegres, seja porque elas lembram uma pessoa, um período bacana da vida. Eu tenho alguns deles arquivados na memória e no peito e tenho reparado que muitos deles eram feitos por minha avó, que já se foi e infelizmente não tive oportunidade de resgatar suas receitinhas e seus macetes, pois ela nos deixou já muito debilitada. Mesmo assim, tenho registros na memória, alguns até nítidos, de como era o passo-a-passo de algumas comidinhas que ela preparava no dia-a-dia ou em ocasiões especiais.

Neste fim de semana, preparei sekihan salpicado com shio goma! “Sekihan” é um arroz para moti (motigome, mais pegajoso que o arroz comum) com feijão azuki. “Shio goma” é gergelim torrado com sal. Ele é comumente servido em datas especias, é um arroz, digamos, de festa. Quando criança, sempre me referia a esse arroz como “akai gohan” (arroz vermelho). Só fui saber que na casa dos outros era sekihan quando já estava mais velhinha :P A gente comia muito quando era aniversário de alguém e normalmente minha vó fazia ele como oniguiri (bolinho de arroz). Era uma perdição!

Ela o preparava no fogão, numa panela de vapor bem grande com o arroz embrulhado num paninho de algodão. Esse  é o modo tradicional de preparo, que certamente fica muito melhor. Como não tenho a panela de vapor, fiz tudo na panela elétrica de arroz mesmo. Não fica igual, mas matou a vontade! Eu e o marido nos fartamos!

* Já fizemos outras receitinhas com azuki:

Shiruko, caldo doce de feijão azuki

Yokan, doce de feijão azuki com kantem (ágar-ágar)

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ochazuke no aji

Aug 18

ochazuke

 

 

ainda: comidinhas simples, gostosas e sem esforço!

Aproveitando os últimos dias de frio, resolvi comer ochazuke (arroz com chá verde), coisa que eu amo, amo, amo! Comprei esse saquinho clássico que vem com pedacinhos secos de salmão, crisps de arroz e algas. Ele é muito meu amigo naqueles dias massacrantes que tenho que comer em 10 min. Mas o prato pode ser feito com todo tipo de sobras. Há quem coma com peixes, umeboshi, lula, carne, legumes…

Às vezes, comendo ochazuke, lembro daquele filme Ochazuke no aji (O sabor do chá verde sobre o arroz). Talvez o título do filme seja o mais emblemático de toda a cinematografia do Ozu. Se nunca assistiram nada deste senhor, gentem, sugiro fortemente. Ok, os filmes parecem todos iguaizinhos, nada acontece e os olhos mais habituados com o frenesi dos filmes hollywoodianos talvez achem tudo muito maçante, uma pasmaceira, mas é como ochazuke: há um sabor memorável na simplicidade daquele arroz molhadinho, no peixe e nas algas que vão se agregando ao arroz. Tudo fica suave, macio e saboroso naquela comidinha boba, simplona preparada em 5 mim. É uma daquelas coisas que eu como e fico imensamente grata!

Para quem se interessar pelos filmes do Ozu, eu gosto muito daqueles que tratam do universo infantil: Eu nasci, mas… (Umarete wa mita keredo), 1932 (é mudo, mas sejam pacientes, que é legal) e Bom dia (Ohayô), 1959 (esse já é colorido XD)

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Arroz com trigo igualzinho ao “Na Prisão”, espero!

Apr 09

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Aaahh, se um dia for presa, que seja no Japão! Há tempos venho pensando em reproduzir o arroz com trigo de que tanto fala o Kazuichi Hanawa, em Na Prisão. O prato é servido na penitenciária onde se passa a narrativa, que é extremamente descritiva e detalhista. Fiquei boba com o quanto se come e como se come numa cadeia nipônica! As refeições são biscoitos finíssimos diante das marmitex intragáveis fornecidas pelo larápio e ex-”rei das quentinhas”, de cujo nome não lembro, aos cadeiões do Rio. Olha só que coisa distinta é este cardápio:

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