as coisas de ontem

Oct 23

Há exatos 5 anos, escrevi um texto, famigerado texto, sobre o que é ser crafter hoje em dia (ou naqueles dias que já se foram). Muita gente leu na época (eu acho). Ele ainda repercute aqui e acolá. Engraçado como a gente muda, mas aquilo que a gente escreve permanece, ainda mais quando tudo fica registrado na internet, caindo no colo das pessoas mesmo depois de anos. Tem muita coisa ali que já não acho tão relevante (aliás acho que devo um post sobre o que vivi até aqui sendo crafter). Ali o Tofu Studio tinha 1 ano. Agora ele tem 6. Temos mais experiência, mais erros e acertos, a casca ficou mais grossa. Um filho nasceu nessa caminhada até aqui. Viramos pais. Desculpem o clichê, mas com um filho realmente nascem uma nova mulher e um novo homem. As prioridades mudam. As coisas todas mudam de lugar no sentido literal e figurado. Aliás acho um desatino cobrar coerência de um escritor ou de um cineasta, por exemplo, durante toda sua obra, ao longo de toda sua vida. A obra fica, mas as pessoas, ah, essas vão mudando de ideia, vão se refazendo, se reconstruindo (pelo menos as de bom senso). Acho que aquele momento (do texto) era de afirmação, de enfrentar o ceticismo dos outros, de reunir forças para inventar uma vida nova, de dar um grande salto no escuro para ser completamente independente de um salário, de certezas, de garantias. É mais fácil quando se faz isso de mãos dadas com alguém com a mesma determinação, é verdade. Todo este blog foi um vai-e-vem de humores, de tentativas e erros, de opiniões que mudaram, de inquietações que se apaziguaram e deram lugar a novos desassossegos. Na verdade, devia ter começado a escrevê-lo avisando solenemente que este blog é sobre mim, essencialmente sobre mim, sobre o que penso, sobre o que gosto, sobre o que tenho vontade de discorrer. Pode parecer óbvio, já que um blog, em tese, é mesmo sobre o autor, mas uma coisa que fui aprendendo com o tempo é que as obviedades mais óbvias devem ser ditas de vez em quando. Apesar de já ter dito em algum lugar por aqui que gosto de memórias, do passado, de recordações, não curto muito, por exemplo, reler coisas antigas que escrevi. Nunca fui lá ler os primeiros posts deste blog, talvez porque não quero ter que ser coerente com quem eu era há tantos anos, talvez porque não quero enxergar de fato o quanto me despi aqui, o tanto de sincericídios que cometi. Não sou mais a pessoa que era em 2008, quer dizer, sou, mas com outras necessidades, outras prioridades, outras incertezas. Que bom, né!

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ele gosta de estorinhas…

Oct 13

Juro que não sou daquelas mães obcecadas com livros, que querem filhos gênios, cultos e eruditos. Bem, acho que não sou, mas se ele ganhasse um Prêmio Nobel seria ótimo, hehe! Mas o caso é que o menino gosta que a gente leia pra ele, gosta das mudanças na entonação da voz, não se importa (acho que até gosta) de conhecer a estória de cor (nesse ponto é muito parecido com o pai, capaz de assistir o mesmo filme 1 milhão de vezes!). Tudo começou quando eu pedi a coleção do Itaú pela primeira vez no ano passado (a campanha está de volta! Peça aqui). Eu comecei a ler pro Eric quando ele tinhas uns 4 ou 5 meses. Claro que ele ficava boiando, mas era legal fazer ele ouvir a minha voz de uma maneira diferente. Depois de uns meses, ele já levava nossas mãos pra cima dos textos dos livros para que lêssemos (coisa fofa!). Aí fomos comprando mais livrinhos, com barulhinho, em japonês (apesar de eu saber ler muito pouco), em inglês, de folhas duras, livros de banho… A maioria está amassada, rasgada, despedaçada, não tem jeito. Isso me lembra uma professora do meu colégio que sempre dizia que livro bom, é livro detonadinho, bem folheado, cheio de anotações e orelhas, sinal de que foi muito lido e estudado!

Agora toda noite, sem trégua, Eric pede para lermos os livros surrados dele, todo animadinho. A gente, que já sabe as estórias de trás pra frente, se cansa bem mais rápido que ele, é verdade.

Um dos programinhas preferidos é ir na biblioteca do Parque da Cidade, que aliás fica em frente a um jardim lindo feito pelo Burle Marx, sentar nessa poltroninha aí e fingir que lê, tudo no idioma maluco dele, claro.

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Perfeição: nunca vi, mas estou no encalço!

Oct 04

foto: Corbis

“Gente, as coisas que vocês fazem são perfeitas!”

Ouvimos muito essa frase, mas não, nossas coisas não são perfeitas. Há falhas que algumas clientes percebem, a maioria só nós percebemos. Algumas clientes, é verdade, são agraciadas com peças que saem do estúdio muito bem executadas, redondinhas, mas perfeitas… ah, não! Quando alguém diz que “tá perfeito!” prefiro recorrer à Nina Horta e resmungar com meus botões: “Xiii, nem percebeu que o tecido enrugou aqui neste ponto ou que o zíper está torto!”

“Perfeição não existe”, vocês vão me dizer. Essa frase, reproduzida como um mantra, é ardilosa, porque ficamos tentados a redimir nossas falhas com ela e a fazer menos do que a gente consegue. Afinal, pra quê lutar por algo que nem existe? Pra quê entrar numa briga perdida? É só pra brigar, oras! Pra aprender alguma coisa, pra fazer melhor aquilo que eu sempre fazia do mesmo jeito. Se eu não entrar nessa briga, vou fazer o quê? Ficar prostrada, vendo o mundo passar? Não, não, não! Já que estamos aqui, que façamos o melhor possível!

Se começarmos a achar que qualquer coisa está boa, se perdermos o senso crítico, porque os outros (ah, sempre os outros!) acham que somos chatos e cri-cris, ah, gente, aí o mundo tá lascado! É preciso treinar os sentidos para observar um trabalho bem feito, provar uma comida boa, tocar um bom material. Se você só estiver rodeado por coisas medíocres, até seu gosto se apequena, você se esquece do excelente, do esplêndido, de tudo aquilo que fez um “pliiim” na sua cabeça e te despertou para algo novo e inspirador. Gente cri-cri incomoda e pode ser bem mala, mas elas bem que abrem nossos olhos pra muita coisa e tem horas na vida que a presença delas é fundamental! Recomendo a todos que tenham ao menos um amigo cri-cri!

“Perfeição não existe” pode ser um convite à mesmice, à estagnação, a achar que tudo está ok do jeito que está, a se afundar no mediano. Mas, ora, se perfeição não existe, existe ao menos a ideia de perfeição, a perfeição como ideal, como horizonte. Se existe a ideia, é digno persegui-la, mesmo sabendo que nunca a alcançaremos e é aí que está a beleza nisso tudo: a consciência de nunca chegar lá, mas mesmo assim, nos darmos ao trabalho de abraçar a jornada de peito aberto, mesmo que o caminho não seja o mais fácil (geralmente nunca é, né). Afinal são essas pequenas e singelas opções que fazem a vida mais bacana e nos fazem um tiquinho melhores, nos inclinam um pouquinho mais a uma felicidade verdadeira. Nós, humanos, fazemos um monte de coisas disparatadas e uma delas é, conscientemente, correr atrás do inalcançável, diferente dos bichos que correm porque não sabem que nunca vão alcançar o objetivo. Então, se nos abstermos de correr atrás do perfeito, de um sonho impossível, que graça tem viver? A felicidade está aqui hoje, no caminho, e se é pra caminhar, que seja em busca de algo extraordinário!

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Dia de Ógente!

Sep 29

E ontem foi dia de mais um Bazar Ógente! Sei não, acho que é um dos dias mais esperados por todos aqueles que curtem e se entusiasmam com o mundinho craft! O Ógente é assim, um aglomerado de gente bacana que faz produtos legais, à mão e com o coração, que se junta em alguns dias especialíssimos. Cada um leva não só coisas de vender, mas leva suas histórias, a vontade intensa de viver bons momentos fazendo o que gosta e, de alguma forma, dividir esse modo de viver com todo mundo. Cada um leva sua comitiva de amigos, a freguesia, os leitores e seguidores. Aí todo mundo se junta e faz de uma tarde qualquer um dia pra se guardar no coração. Tem como não ser um bazar espetacular, repleto de afeto em cada cantinho daquele salão? Tem não, gente! Não se trata só de comprar e vender, trata-se de cordialidade e humanidade, de conhecer quem faz o que você usa, de conhecer quem usa o que você faz! O mundo não fica melhor assim? Há vida fora dos shoppings e das grifes de marca, gente, uma vida formidável!

Se você perdeu este, recomendo fortemente que apareça no próximo, que já tem data, 6, 7 e 8 de dezembro (isso mesmo, três dias!) e espalhe seu carinho no Natal!

fotos: Marcio Barros

mais fotinhos do bazar aqui.

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É primavera no Bazar Ógente 9!

Sep 24

Vejo vocês neste sábado em mais uma edição do Bazar Ógente, o bazar mais craft da cidade! Vem comemorar a chegada da estação mais linda do ano, passar um dia gostoso conosco, num lugar cheio de gente bacana, de produtos artesanais feitos com amor, comidinhas deliciosas e um clima inspirador!

Enquanto o dia não chega, vejam como foi legal a edição anterior:

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enfim uvaias!

Sep 24

 

Marido e eu fizemos faculdade lá onde Judas perdeu as botas, lugar pitoresco, quente e distante, porém, admito, bastante saudoso. Lugares muito quentes me dão uma leseira, tudo fica monótono, parece que meu ânimo derrete junto com a paisagem. Havia aquelas tardes escaldantes, no período das indefectíveis greves, cidade vazia, faculdade mais ainda e eu lá (por algum motivo que me foge à memória) no ponto de ônibus, quase enxergando miragens, ouvindo o barulhinho do motor dos caminhões se distanciando na estrada, aves grasnando ao fundo, feito trilha sonora de filmes de baixo orçamento. Faltava só as bolas de feno rolando na terra para me sentir na fazenda dos tios da Dorothy Gale… Diz o marido que foi lá, dentro da Unesp, que ele provou uma frutinha amarela com um aroma tão peculiar, tão bom, mas tão bom que a tal da fruta não saia da cabeça dele. Só que lhe faltava o nome da bandida (lembrem-se que na época o google não era o oráculo que é hoje), de modos que há alguns anos quando nos mudamos de estúdio, ele viu que havia alguns pés da lendária fruta no parque logo ali atrás, mas nunca conseguimos colher, pois as arvorezinhas, bastante esguias, tinham as copas bem altas. Só dava para colher algumas no chão, todas amassadas e bicadas pelos pássaros. É só pegar a frutinha pra entender por que ela não é largamente comercializada. Tão frágil que qualquer aperto mais firme basta para amassá-la, característica que também faz a festa das moscas e de suas larvinhas que são abundantes nas uvaias. Não me lembro quando e como descobrimos que uvaias são uvaias, mas se você quer uma referência, consulte o Come-se, minha bíblia para frutinhas e plantinhas que estão aí de bobeira nas redondezas e que dão pra comer.

Estas da foto foram colhidas no largo e generoso jardim da vizinha, que além da uvaiera, tem um pé de acerola frondoso e invejável, que salpica suas frutinhas pelo asfalto. Virou uma boa jarra de suco! Eric se fartou! Imagino que vire um sorvete de primeira! Fica para os próximos capítulos :D

 

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Para nascer com dignidade

Sep 12

*este post contém spoilers!

Ontem fomos ao cinema assistir a O renascimento do parto, documentário sobre o qual já comentei tempos atrás. Já viu? Se não viu, acho que não deveria perder a oportunidade, afinal todo mundo nasceu e boa parte também vai dar vida a alguém!

Fomos ao cinema e não havia nenhum cartaz anunciando o filme do lado de fora, só cartazes dos blockbusters. Imaginei que a sala estaria vazia, mas havia muitas grávidas na plateia, muitos casais, até um casal mais idoso, que imagino, já sejam avós. Muitas pessoas chorando durante o filme, eu e o marido inclusive. Choramos ao lembrar do meu parto, da difícil escalada que foi o nascimento do Eric, dos primeiros instantes dele do lado de fora de mim, de cada minuto daquele dia, que nos fez tão mais fortes. Muitas mães país afora devem ter se emocionado também ao reconstituir um dia tão marcante. Lamento, porém, que grávidas que estão vendo o filme também choram pelo descaso com que são atendidas pelos médicos, outras devem chorar porque se sentem enganadas ao se darem conta de que aquela circular de cordão que *mataria* seu filho não era indicação real de cesárea, mas era conveniente para o médico, para o hospital, para todo um sistema misógino que não dá a mínima para a mulher. Algumas, imagino, choram de indignação, porque não puderam confortar o filho nos braços assim que ele chegou ao mundo, porque foram coagidas a endossar a extração prematura, agendada, de seu filho, sem ter acesso a informação, a esclarecimentos.

O filme mostra cirurgias cesarianas, a truculência com que os bebês são retirados do útero, médicos puxando bebês pela cabeça sem o mínimo trato, as manobras de Kristeller (gente subindo em cima de barrigas para empurrar bebês), episiotomias (corte do períneo) indiscriminadas (muitas vezes sem o consentimento da mulher), a aspiração de líquido do nariz dos recém-nascidos, com uso de longas sondas, uso de colírios que fazem os olhos do bebê arderem demais, mães amarradas às mesas de parto, impedidas de segurar seus filhos… todas essas técnicas e procedimentos não tem eficácia comprovada ou podem ser evitadas. Quando foi que passamos a acreditar que este é o melhor jeito de receber um bebê, tão pequeno e frágil? Como é que deixamos esse show de horrores se instalar? Uma criatura que estava no melhor lugar do mundo e de repente se vê jogado numa sessão de torturas… E por que nossa cultura admite a humilhação e a violência contra a mulher?

Sim, o filme é parcial. Falha com isso, pois não precisava. Se houvesse opiniões de obstetras cesaristas ou das empresas de saúde, o filme poderia ganhar mais força, porque não há como defender a prática indiscriminada e abrangente de cesáreas. Mas ok, o filme passa uma mensagem tão valorosa, que já veio tarde! Precisamos de mais filmes, de mais gente discutindo abertamente sobre isto para que mudanças ocorram. Aí, por mais que eu não queira ser a chata do parto natural, senti-me compelida, moralmente acho, a ao menos deixar algo a respeito aqui neste blog.

O assunto parto normal x cesárea é espinhoso e costuma promover uma discussão muito chata, a meu ver. Costumamos defender o parto que tivemos e frequentemente há desavenças, como se nos dividíssemos em times rivais, o que é uma grande tolice. Isso só gera discussões vazias, que cumprem o papel infeliz de nos desunir, enquanto todo um sistema se aproveita do obscurantismo que se instalou em torno do parto. Toda mulher deveria se informar e ser informada sobre gravidez e parto e todas deveriam lutar pelo direito de escolha dela e de outras mulheres, pela honestidade na relação paciente-médico. Depois de ser corretamente esclarecida, a gestante tem o direito de optar pelo melhor parto para ela. A mulher deve ter soberania sobre seu corpo em todas as circunstâncias. Isso deveria ser óbvio, mas, lutar pelo óbvio parece que virou regra! Acredito que depois de bem informadas e despidas de mitos uma minoria de mulheres deseje uma cesárea, mas se mesmo assim o quiser, que ela seja feita. O que é inadmissível, o que me cansa, o que acho que atropela meus direitos é a coação, é quererem me manipular, é você chegar numa consulta com 3 meses de gravidez e declarar que quer normal e o médico te dizer que é muito difícil, que há vários complicadores no meio do caminho, que é muito cedo pra falar disso. Oi? Muito cedo? Alô? Estou grávida! E como um evento da natureza, repetido e aprimorado há zilhões de anos pelos mamíferos, pode ser assim tão complicado e difícil? Onde está o sentido nisso tudo?

O que me faz escrever um post como este é me consultar com médicos burocratas que mal olham pra mim, se detendo a prescrever exames, médicos que nunca, em consulta alguma, me explicaram como é um trabalho de parto. E se eu fosse analfabeta, e se eu não tivesse acesso ao mínimo de informação? Bom, f***-se eu, né, claro! Mulheres chegam ao final da gestação achando que o trabalho de parto acontece como nos filmes: um belo dia a bolsa se rompe, molha seu vestido e alguém te leva correndo para o hospital, onde, meia hora depois, o bebê nasce. Grávidas de 9 meses que nunca ouviram falar em tampão, que nunca foram orientadas a monitorar os intervalos das contrações… como se fôssemos meras incubadoras acéfalas, sob a tutela de médicos e planos de saúde, que agendam cesáreas no dia que bem entendem, que manipulam nossos corpos como querem, na hora que querem, sem nos ouvir, sem dar importância ao que pensamos, ao que queremos. Não precisamos de tutela!

O que pouco se fala é que cesáreas agendadas muitas vezes ocasionam partos prematuros, já que a contagem das semanas de gravidez não é precisa quando feita por meio de ultrassons tardios, após as 13 semanas (não estou certa quanto a este número) de gestação. A margem de erro é geralmente para menos. Uma criança que estaria com 37 semanas, limite para ser considerada não-prematura, por exemplo, pode estar com 35, prematura, portanto. Este bebê tem mais chances de ir pra UTI, ter complicações respiratórias, alergias… Estas são apenas algumas entre as muitas desvantagens evidentes das cesarianas eletivas (agendadas, fora do trabalho de parto).

Claro que médicos não são os únicos responsáveis por este estado de coisas. Há os interesses dos planos de saúde, o colapso do sistema público, a conivência e desinformação das grávidas e suas famílias, o medo, ou seja, é toda uma engrenagem que funciona contra o que deveria ser um evento corriqueiro e fisiológico. É portanto uma grande esquizofrenia a OMS e o Ministério da Saúde afirmarem que o parto normal é o melhor para a mãe e para o bebê se você vai ao médico, vai aos hospitais e não encontra respaldo algum, se você só encontra respostas esquivas, se você é engambelada até o final da gravidez, momento em que se cria 1001 motivos duvidosos para você entrar na faca e quando a mãe não pode mais voltar atrás. Mas a OMS não disse que o melhor é o normal? Não disse? Então que loucura é essa? Aí você quer parir naturalmente e você é louca, atrasada, riponga, diferente… no mínimo vão dizer que você é muito corajosa. Você se vê como a paciente-problema, só porque quer parir naturalmente. Parece que você está contra “o sistema” pra aparecer, por esporte, por frescura…

A única saída é sermos todas pacientes-problema! Consumirmos informação, em vez de passar a gravidez inteira em transe comprando o enxoval e o quartinho do bebê. Acreditem, essas coisas não farão a mínima diferença na vida do seu filho, são luxos de adulto para outros adultos verem. Seu bebê pode até dormir numa caixa de papelão, como se faz na Finlândia, e ninguém precisa ficar com peninha dele, porque essa coisa grotesca de status e posição social, a gente aprende quando cresce. Luxo mesmo é ter filho com dignidade, com verdade, no tempo certo. Uma médica no filme questiona: realizamos festas de casamento espetaculares para uma união que às vezes dura tão pouco, buscamos experiências extremas a vida toda e nos privamos de passar pela experiência do parto, algo que nos é dado, de graça pela vida… Enquanto nós mulheres não nos dermos conta disso, as coisas vão continuar como estão. O poder é nosso, gente!

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