

Quem acompanha nosso trabalho aqui no Tofu Studio sabe que somos autodidatas e que a gente não tem medo de fuçar, tentar, errar, tentar de novo, errar e errar até aprender. Lá em 2006 eu comecei a sacrificar os primeiros metrinhos de tecido para aprender a fazer algo útil na máquina da minha mãe. Comecei isso tudo sem saber nada! Aí o marido virou sócio, sem saber coser um paninho que preste, mas como ele certamente é portador do gene crafter, se é que isso existe, eu já sabia que tudo seria molezinha pra ele, que já mexeu com tantos materiais, afinal o que são uns paninhos bobos para quem já torceu madeira, fez cama, mesa e cadeira, né gente! Ele tem a grande vantagem de saber desmontar e planificar mentalmente as coisas com facilidade. Este é um tipo de dispositivo do qual, definitivamente, não sou dotada. Aí, claro, ele foi dominando a parada aqui, me despejando de vez para os outros setores do negócio (administrativo, financeiro, vendas, marketing, cafezinho, ou seja, todo o resto), e foi fazendo projetos cada vez mais complexos, tudo na observação e na tentativa. É, povo, a vida é dura! Não se ganha a vida sem matar leões e, às vezes, o zoológico inteiro todo dia (a não ser que você ganhe na mega ou dê o golpe do baú).
O modelo aí de cima é reprodução de uma marca famosa, a pedido da cliente. Claro que não comercializamos essas peças, elas não entram na nossa linha de produtos, por uma questão de princípios. Claro também que não tínhamos o molde (nunca temos!) e que fizemos tudo do zero, o sanfonado e as repartições. Aí quando alguém bate na porta pedindo molde e PAP, perco a fé na humanidade. Se a pessoa quer aprender, é curiosa, esforçada, o marido teria o maior prazer do mundo de ensinar, porque ele gosta de ensinar essas coisas, mas não, a maioria quer só o PAP pra reproduzir e vender as peças. Ainda recebemos alguns e-mails telegráficos, do tipo “favor fornecer o molde da peça X”. Nem um oi, nem um obrigado… Gente, que mundo é esse?
É bacana demais descobrir como se faz as coisas, a sensação de liberdade é imensa, com aquele gostinho de I f*cking can do it! Dominar algo diferente e novo é uma pílula de felicidade, daquelas que a gente devia se permitir provar sempre para que o corpo, a mente e a alma não envelheçam. Como não acredito na felicidade como um estado permanente e plano, a cada ano que viro no calendário, vou apreciando mais os pequenos prazeres, me deleitando mais com a alegria de pequenos momentos, que antes achava comezinhos e banais. Gente, tudo pode ser feito quando não se tem preguiça, quando se está determinado, disposto e aberto a aprender. Tudo!
Leia mais