enfim uvaias!

Sep 24

 

Marido e eu fizemos faculdade lá onde Judas perdeu as botas, lugar pitoresco, quente e distante, porém, admito, bastante saudoso. Lugares muito quentes me dão uma leseira, tudo fica monótono, parece que meu ânimo derrete junto com a paisagem. Havia aquelas tardes escaldantes, no período das indefectíveis greves, cidade vazia, faculdade mais ainda e eu lá (por algum motivo que me foge à memória) no ponto de ônibus, quase enxergando miragens, ouvindo o barulhinho do motor dos caminhões se distanciando na estrada, aves grasnando ao fundo, feito trilha sonora de filmes de baixo orçamento. Faltava só as bolas de feno rolando na terra para me sentir na fazenda dos tios da Dorothy Gale… Diz o marido que foi lá, dentro da Unesp, que ele provou uma frutinha amarela com um aroma tão peculiar, tão bom, mas tão bom que a tal da fruta não saia da cabeça dele. Só que lhe faltava o nome da bandida (lembrem-se que na época o google não era o oráculo que é hoje), de modos que há alguns anos quando nos mudamos de estúdio, ele viu que havia alguns pés da lendária fruta no parque logo ali atrás, mas nunca conseguimos colher, pois as arvorezinhas, bastante esguias, tinham as copas bem altas. Só dava para colher algumas no chão, todas amassadas e bicadas pelos pássaros. É só pegar a frutinha pra entender por que ela não é largamente comercializada. Tão frágil que qualquer aperto mais firme basta para amassá-la, característica que também faz a festa das moscas e de suas larvinhas que são abundantes nas uvaias. Não me lembro quando e como descobrimos que uvaias são uvaias, mas se você quer uma referência, consulte o Come-se, minha bíblia para frutinhas e plantinhas que estão aí de bobeira nas redondezas e que dão pra comer.

Estas da foto foram colhidas no largo e generoso jardim da vizinha, que além da uvaiera, tem um pé de acerola frondoso e invejável, que salpica suas frutinhas pelo asfalto. Virou uma boa jarra de suco! Eric se fartou! Imagino que vire um sorvete de primeira! Fica para os próximos capítulos :D

 

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achei a minha pizza!

Nov 01

É quase feriado prolongado e achei que seria bacana deixar com vocês uma receitinha da pizza que fazemos em casa.

Primeiro, abro um parênteses para dizer que tenho uma relação conflituosa com pizzas. Gosto delas, mas sempre acho que as pizzarias exageram na mussarela, no sal, não fazem o tipo de massa que eu aprecio ou as três coisas juntas. Não me dou bem com muito queijo, fico até com dor de cabeça… por isso, eu nunca, jamais cometo a bobagem de pedir pizza de mussarela! É uma piscina de queijo com uma massinha em baixo, eu hein! É pedir uma noite de mau humor e azia, eca! Também não curto massa fininha e crocante. Massa de pizza é igual futebol ou religião, cada um tem sua preferência e não dá pra discutir. Já provei pizza com massa que parecia um biscoito água e sal, sabe? Traumatizou. Achei deprê e quis sair correndo! Mas e aí como faz pra comer uma pizza decente? Ainda não achei nenhuma que considere ideal (sou chata!), então comecei a preparar a minha, ca-la-ro, né! Cai de amores por esta receita! Gente, é divina (para quem é partidária da massa grossa), já repeti 3816 vezes aqui em casa e o melhor: ela é super versátil (dá pra fazer pães também) e pode ser conservada na geladeira por até 10 dias! Parece bom demais para ser verdade, né? Mas é!

 

Massa de pizza (para 1 pizza grande, com massa grossa):

1 colher (sopa) de fermento seco para pão
1/4 xícara de água morna
1 colher (sopa) de açúcar
1 xícara de leite
1 colher (sobremesa) de vinagre branco
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
3 colheres (chá) de fermento em pó químico
1 colher (chá) de sal
1/4 xícara de óleo
2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de farinha integral
 
Misture o vinagre com o leite e deixe repousar por 10 minutos para o leite talhar – o vinagre reage com o bicarbonato e o fermento em pó, fazendo aquele tttssss que vai fazer a massa afofar :D
Pegue uma vasilha grande e coloque o açúcar e a água. Dissolva o fermento para pão e vá acrescentando os demais ingredientes na ordem indicada. A massa fica consistente, mas um pouco grudenta. Não precisa sovar. Untei as mãos com óleo para fazer uma bola e deixar crescer:
 

Nesta etapa, você pode guardá-la na geladeira para usar outro dia. Neste caso, passe para uma vasilha untada com óleo e tampe.
Se for usar a massa na hora, deixe-a crescer por 1 hora. Eu gosto de deixar a massa dentro do forno desligado, só com a luzinha ligada para criar um ambiente morninho e ajudar o trabalho das bactérias. Aqui a massa crescida (foto noturna é um uó!):
 
 
Depois eu tiro a massa do forno e já ligo o fogo para ir aquecendo.
Unte com óleo uma forma grande para pizza.
Abra a massa com rolo. Se não tiver, abra com as mãos mesmo (untadas com óleo), sem frescuras, distribuindo por toda a forma de modo uniforme.
Aí é só pré assar a massa por uns 15 minutos ou até dar uma leve dourada.
Enquanto isso prepare o recheio de sua preferência. Tire a massa do forno, cubra com o recheio e volte ao forno até tudo dourar e o queijo do recheio ficar bem derretido.
 
 
A pizza aí de cima foi daquelas feitas com o que tinha na geladeira, daquelas que você não bota muita fé, porque fez na dificuldade, quando a cozinha tá pedindo umas comprinhas, mas surpreendeu geral de tão saborosa! Piquei uma linguiça calabresa e uma berinjela japonesa e refoguei no azeite (não deixei murchar muito, não). Cobri a massa com molho de tomate caseiro, o refogado, tomates italianos fatiados, rodelas de cebola, azeitonas, manjericão fresco, mussarela ralada (em quantidade amiga do meu estômago), orégano e um filete de azeite.
 
porque no fim de semana, a gente pode por o pé na jaca e reivindicar uma pizza, né… :D
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quando a comida tem olhos…

Oct 11

quase me compadeço das mini-lulas simpáticas do fim de semana (tinha que registrar as carinhas chorosas delas), mas foram pra panela, empanadas e devoradas em seguida com molho ranch e 2 latas de cerveja. Somos maus!

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Nêsperas em calda

Oct 02

Nêsperas são frutinhas graciosas, frágeis e um tanto esquecidas. Pêssegos e ameixas costumam ser mais populares e presentes. A nêspera tem origem japonesa e costuma aparecer nos mercados nesta época do ano, vendidas em bandejinhas, mas também costumo ver pés da fruta em praças e parques. Lembro que na época que era estudante em Bauru, marido e eu costumávamos percorrer as ruas da cidade em busca de árvores frutíferas e encontramos nespereiras tentadoras dentro da USP, mas é claro que não arrisquei pular os muros altos da universidade… É uma fruta ótima para fazer geleias e saladas com folhas verdes, mas nunca tinha feito nêsperas em calda. Bom, se há pêssegos em calda vendidos enlatados, porque não experimentar fazer o mesmo com as nêsperas? Mesmo porque nêsperas não duram muito, apodrecem rápido. O fruto vai escurecendo de dentro pra fora, por isso é bom comprar as frutinhas sem manchas na casca. Fazer compotas é um bom modo de conservá-las por mais tempo!

Minhas nêsperas ficaram ótimas, pena que eu não tinha sorvete em casa para acompanhar (acho que daria uma combinação bacana!). Deve ficar gostosa na salada de frutas também!

Para quem se interessar, fiz assim: Coloquei uns 400ml de água + 1 xícara de açúcar numa panela e levei ao fogo para ferver (quem gostar pode colocar cravo ou um pau de canela, deve ficar interessante!). Deixei ferver uns 10 minutos. Enquanto isso, peguei 2 bandejas de nêsperas, descasquei, cortei ao meio, retirei as sementes e a pele interna que separa a fruta da semente. Juntei à panela e deixei ferver e engrossar (uns 20 a 30 minutos em fogo baixo). Aí é só dispor em vidros esterilizados com tampa. Infelizmente, como é a primeira vez que fiz, não sei dizer quanto tempo elas duram na geladeira.

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Crocante de bananas e chocolate

Sep 27

No fim de semana fiz este crumble que saiu no programa Cozinha Prática, da Rita Lobo. Apesar de não ser tão fã das receitas dela, achei bem legal ela ter usado a palavra “crocante” em vez de “crumble”, termo que importamos do inglês e eu não sabia bem achar uma tradução. Ficou mais bonitinho e acessível (já experimentou dizer crumble pra alguém?). Nunca tinha feito crocante de bananas, por sempre acabar dando preferência a frutas mais azedinhas, tipo maçãs, peras ou até morangos, mas desta vez eu tinha que dar fim a uma penca de bananas-ouro que ganhei da minha mãe (de novo elas, oh god!). Ser filha dos meus pais significa ganhar estoque ilimitado de frutos do mar, peixes e bananas-ouro, já me conformei! Talvez eu morda a língua e siga essa “tradição” que mamãe herdou da minha avó, que também não hesitava em encher sacolinhas com o que ela tivesse de comer em casa, sejam frutas, doces, qualquer coisa. Aí ela entregava na saída da casa dela, como se não tivéssemos comida na geladeira de casa. Era uma mania, mas como era gostosinho esse carinho!

Bom, voltando ao crocante, fiz as minhas alterações, como sempre, e a receita que passo aqui é o jeito que eu fiz. Quem quiser fazer a receita original, dá um pulo aqui ó. Troquei as bananas prata por ouro, usei chocolate meio amargo em vez de branco (porque banana ouro já é bem doce e calórica), troquei o suco de laranja por suco de tangerina e acrescentei uvas passas molhadas no conhaque (adoro isso!).

 

Para o recheio:

Ingredientes:
12 bananas-ouro
80g de chocolate meio amargo picado
½  xícara (chá) de suco de tangerina
50g de uvas passas
conhaque ou rum suficientes para cobrir as passas
 
Modo de preparo:
Embeba as passas no conhaque (ou rum) até elas incharem.
Preaqueça o forno em temperatura média.
Descasque e corte as bananas em rodelas. Disponha-as num refratário e espalhe as passas, o chocolate e regue com o suco de laranja. Misture bem.
 
Para o crocante:
Ingredientes:
1 xícara (chá) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de açúcar demerara
½ xícara (chá) de aveia em flocos
80g de manteiga gelada cortada em cubos pequenos (usei manteiga meio-sal da foto aí embaixo, que eu nem sabia que existia. Se você usar manteiga sem sal, é legal por uma pitada de sal)
¼ de colher (chá) de fermento em pó
Modo de preparo:
Numa tigela, misture a farinha, a aveia e o fermento. Junte a manteiga e misture com as pontas dos dedos até formar uma farofa. Não incorpore muito, pois quanto mais inteira ficar a manteiga, mais crocante ficará a massa. Distribua a farofa por cima da banana e leve ao forno até dourar.
Fica ótimo se servido quente com sorvete!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Risoto de arroz negro e polvo

Sep 21

Frequento uma banquinha na feira, onde compro vários tipos de feijões, arroz integral, gergelim, grão de bico, cereais e algumas novidades que sempre aparecem. Adoro comprar a granel, pedir só o que preciso, tudo na medida, sem desperdício! Aí resolvi trazer pra casa esse arroz negro pensando num risoto pretinho e diferente pro último fim de semana. Achei que ia fazer um parzinho interessante com o polvo que estava me esperando na geladeira e um vinho branco honesto. E ficou lindo! Adorei o arroz, embora ele não solte tanto amido e não renda aqueeele risoto cremoso.

Comecei fazendo o caldo de legumes para o risoto (é bom preparar com algumas horas de antecedência). Não tem segredo, não. Geralmente eu pego o que tá dando bobeira na geladeira, junto tudo num panelão e cozinho. Gosto muito de aproveitar partes de hortaliças e verduras que a gente costuma descartar, tipo talos de salsinha e folhas de alho poró. Desta vez fiz o caldo com alho poró, salsão, cenoura, abobrinha, cebola, alho, folhas de louro, alecrim fresco e pimenta do reino em grãos. Juntei 1 taça de vinho branco e levei ao fogo com uns 3 litros de água mais ou menos. Deixei cozinhar em fogo baixo por uns 40 minutos. Esperei amornar e coei.

Para o risoto, usei:

300g de arroz negro

1/2 cebola média picada

3 colheres (sopa) de manteiga

1 taça de vinho branco

100g de parmesão ralado

caldo de legumes (não há uma quantidade certa)

sal

O preparo é o basicão de risoto: pegue uma panela, ponha 1 colher de manteiga e doure a cebola. Junte o arroz e mexa. Quando começar a pegar no fundo da panela, adicione um pouco do vinho e do caldo e continue mexendo. Quando começar a secar, repita a operação e vá repetindo até o arroz fica al dente (usei bastante caldo, pois o arroz negro demora mais para cozinhar). Não deixe o arroz seco, a intenção aqui é que ele fique bem úmido, um tanto caldaloso. Incorpore o resto da manteiga, o parmesão e salgue a gosto.

Para o polvo:

o polvo que eu tinha devia ter umas 800g a 1Kg. Ele já estava limpo, sem o ferrão (thanks, mãe!), então foi moleza.

Numa panela grande, fervi bastante água. Juntei sal e o polvo e deixei cozinhar por quase 1 hora. Escorri e reservei.

Depois de morno, cortei o polvo em pedaços, parti os tentáculos em 2 ou 3 partes.

Peguei uma frigideira de fundo grosso, juntei azeite, alho picadinho e fritei o polvo. Juntei alecrim fresco e no final, bastante salsinha picada.

Aí é só servir com o risoto! Achei que formou uma dupla bastante combinante :D

 

 

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