Reforma de vestido ou porque não pratico rolezaum no shopim

Jan 24

Prometo poupá-los de ter que ler aqui teorias profundas sobre o mais novo fenômeno do momento: os rolezinhos. Portanto, apesar do título aí em cima, podem continuar lendo este post sem medo, porque juro que não sei teorizar sobre gente se reunindo em shopping e seguranças/polícia descendo o pau. Mas explico: faz uns 5 anos que peguei um banzo geral de shopping por motivos variados. Primeiro, porque não moro mais perto de um, depois porque compro quase tudo de que preciso pela internet. Tem também o fato de os shoppings cobrarem estacionamento. Não acho que seja mera pão-durice da minha parte, acho descortês cobrar do freguês que vai até o seu estabelecimento disposto a comprar, ainda mais quando o faturamento do shopping já é tão alto. Enfim… Aquilo também está cada vez mais lotado, com produtos cada vez mais caros e meia-boca. Então não fica difícil concluir que eu não tenho mais nada pra fazer lá! Claro que às vezes eu vou, porque não dá pra fugir e você precisa de algo que só tem lá ou é mais fácil conseguir lá e não sou dada a radicalismos, mas vou nos horários mais esdrúxulos e ermos, tipo 10h da manhã (sou uma pessoa que espera os estabelecimentos abrirem, geralmente acompanhada de velhinhos e velhinhas fofas. Adoro!). Com um filho pequeno, cada vez mais esperto, também não quero que ele associe shopping a um passeio ou programa de família, em que você só vê mercadorias, compra, come comida ruim, paga caro e, de brinde, ainda pode ser esnobado pelas vendedoras se não está com roupas de grife (até quando isso?!). Quero que ele entenda que aquilo lá é apenas um amontoado de lojas, aonde a gente vai quando precisa comprar alguma coisa que tem lá. Só isso!

O fato de costurar e ter birra de shopping e de provadores me estimula muito a comprar roupas online. Costurar, claro, ajuda a aplacar aquele medinho de a peça não servir. Dá uma sensação de poder (yes)! Às vezes, compro peças que ficam compridas demais, largas demais, não gosto de algum detalhe… mas sei que posso arrumar para ficar bem em mim e eu até gosto de reformar!

Estava com este vestido no guarda-roupas há uns meses. Achei que tinha potencial, afinal o tecido é bom e está bem costurado, mas vesti e me senti fugida de um pré-operatório, sabe, ficou com cara de hospital! Resolvi dar uma acinturada e o cortei ao meio. Foi preciso um tantinho de coragem (glupt!)

Aí overloquei e fiz pences (6 na frente e 2 atrás):

Dei uma franzida na saia para se ajustar à parte de cima, juntei as peças e deu um vestido bem legal, que estou usando muito! A foto abaixo não mostra muito bem como ficou, eu sei (na verdade, fiz a foto pra mostrar a bolsa). É uma das únicas que tenho, mas acho que dá pra ver que agora tá vestindo bem!

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e a gente cresce…

Jan 06

A contagem se foi, os fogos explodiram, 2013 passou e… surpresa! Nada em mim mudou.

Admito que costumava dar mais atenção e valor às passagens de ano, às promessas, a todo apelo místico e otimista que nos inunda nesta época. Hoje não mais. Os fins de ano são períodos gostosinhos, de descanso, de encontros agradáveis (ou não!), de viagens, de acordar um pouco mais tarde, não os inflo mais com a pressão da expectativa, de esperar por algo que não sei se vem e acho que nem quero saber. A vida já está tão boa como está! Às vezes acho que se tivessem feito uma entrevista comigo antes de eu nascer, quando eu era só um pozinho de estrela, e me pedissem pra escolher a vida que quero, optando por algumas coisas em detrimento de outras (não se pode ter tudo, claro!), minha vida seria exatamente esta que levo agora. Na adolescência os pedidos de ano novo costumam ser tão ambiciosos: carreira promissora, a viagem dos sonhos, um namorado legal, um futuro brilhante. Os anos passam e a lista diminui, o ego diminui junto (pra quem tem juízo) e os pedidos se resumem a saúde, que é realmente o setor que está totalmente fora do nosso controle. Talvez a gente passe a acreditar mais em nossas próprias forças, pare de esperar coisas do além ou de terceiros, e dê importância maior ao presente. Paramos de lamber o futuro, porque, afinal, ele é tão frágil e escorregadio. Qualquer besteirinha que a gente faça hoje e pimba, o futuro imaginado ontem vai solenemente pra cucuia! Claro que ganhar anos é perder um pouco do viço, da bobeira alegre de quem tem poucos medos, mas também é deixar de pensar que sabe tudo (ai, que alívio saber pouco!), deixar de acreditar em contos da carochinha. A gente amansa, dá mais importância para as pequenezas, os nomes das plantas, as tabelas nutricionais dos alimentos, a instalação do chuveiro, o desperdício de energia, de tempo… enfim de repente temos todas as “manias de velho” que tanto irritam os que têm menos de 20 anos. As opiniões deixam de ser absolutas, porque afinal tudo é transitório, até nossas certezas. A gente já percebeu, já calejou. Os anos trazem também a fatídica constatação de que sua mãe estava certa quando dizia a frase mais odiosa e profética de todos os tempos: “você vai entender quando crescer!”. Estou convencida de que em algum momento, por mais que eu evite, também soltarei esta pérola ao meu filho e ele vai me odiar eternamente – ou até ele crescer e entender, claro!

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muito obrigado! muito!

Dec 23

E mais um ano se vai a toda velocidade. Um ano mais velha. Filho com quase 2 aninhos e o mundo todo pela frente. Um amor que só cresce. Expectativa de mudanças para 2014. Sensação de que neste ano conheci um pouco mais de mim. Gratidão a todos os envolvidos: família, amigos, clientes, seguidores, leitores. Tudo que a gente constrói é feito de pequenas pecinhas que as pessoas, às vezes mesmo sem se darem conta, nos concedem e compartilham. Todo meu afeto a vocês!

Agora é hora de sair do ar e me mandar pra cozinha e iniciar o árduo serviço de comer-beber-comer-beber e comer mais um pouco!

Cheers!

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o Natal, esse folgado!

Oct 30

*alerta: este post contém mimimi

Está chegando aquela época do ano, indefectível, que chega toda espalhafatosa, mal-educada, que não pede licença e quando a gente vê, já tá na nossa sala, na cozinha, esparramada pela casa em forma de luzinhas, árvore enfeitada, panetone, peru e rabanada. Ela é cheia de melindres e protocolos esta época do ano. Tudo vai ficando com aquelas cores de sempre: vermelho, verde, dourado, tudo purpurinado, uma chatice essas convenções! Os primeiros sinais do frenesi já chegam em setembro, quando os panetones começam a ser vistos aqui e ali, quando as arvorezinhas chegam nas lojas do centro, quando os papais noéis começam a dar pinta nas vitrines. De repente estamos afogados num mar de camurça vermelha, neve sintética, hohohos e musiquinhas infernais. Não há lugar na Terra para onde fugir. O Natal é um fim de semana grande, tem todo o climão de festa e comilança e cada um anseia por ele de algum modo. Mas, como nos fins de semana, parece que o período que antecede o natal tem mais graça que a última semana do ano em si. Já viu como a sexta-feira é comemorada? Cada um solta seus rojões imaginários, mesmo que o sábado e o domingo não sejam lá grande coisa. Mais vale a promessa de dias felizes, mesmo que eles não venham. A gente é tudo bobo! Aí chega a segunda, o dia odiado, mal-humorado, trombudo e tudo começa de novo. Janeiro é uma segunda-feira grande, o mês do banzo geral! Os que podem se mandam pra praia para ignorar a segunda-feira grande e só voltar pro mundo um pouco antes do carnaval pra se preparar para outras festinhas e bebedeiras.

O Natal tem tanta promessa de felicidade que desconfio que toda sua simbologia foi feita por algum sagaz publicitário da Coca-cola, o papai-noel vermelhinho e gordo, a neve, o urso polar, os pinheirinhos, estrela cadente, tudo combina perfeitamente com a garrafinha de coca, o caminhão vermelho abarrotado de garrafas pretas naquela paisagem ártica. O Natal contém tanta felicidade e pujança que é triste! Sempre me lembro de ver na TV, num destes natais passados, uma senhora que perdera tudo numa enchente de fim de ano, até o frango assado precioso, que seria a estrela da ceia da família. Chorei pelo frango afogado dela (mmm, déjà vu: acho que já falei sobre isso aqui, perdoem-me). O fato é que as tragédias são mais trágicas nos fins de ano. As famílias sorridentes e juntinhas, recolhidas em torno de seus fartos banquetes, são um belo coice para aqueles que não têm ninguém, para os que mal tem o que comer. E as criancinhas sem-presente no meio de toda aquela propaganda ferina na TV e nas ruas? Ah, o Natal… entidade de pouco juízo, folgazão, que pode nos trazer as maiores alegrias, mas que também pode nos jogar na cara todas as nossas misérias, numa única dose. Ai, Papai Noel, seu velhinho de uma figa, eu te amo, eu te odeio!

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as coisas de ontem

Oct 23

Há exatos 5 anos, escrevi um texto, famigerado texto, sobre o que é ser crafter hoje em dia (ou naqueles dias que já se foram). Muita gente leu na época (eu acho). Ele ainda repercute aqui e acolá. Engraçado como a gente muda, mas aquilo que a gente escreve permanece, ainda mais quando tudo fica registrado na internet, caindo no colo das pessoas mesmo depois de anos. Tem muita coisa ali que já não acho tão relevante (aliás acho que devo um post sobre o que vivi até aqui sendo crafter). Ali o Tofu Studio tinha 1 ano. Agora ele tem 6. Temos mais experiência, mais erros e acertos, a casca ficou mais grossa. Um filho nasceu nessa caminhada até aqui. Viramos pais. Desculpem o clichê, mas com um filho realmente nascem uma nova mulher e um novo homem. As prioridades mudam. As coisas todas mudam de lugar no sentido literal e figurado. Aliás acho um desatino cobrar coerência de um escritor ou de um cineasta, por exemplo, durante toda sua obra, ao longo de toda sua vida. A obra fica, mas as pessoas, ah, essas vão mudando de ideia, vão se refazendo, se reconstruindo (pelo menos as de bom senso). Acho que aquele momento (do texto) era de afirmação, de enfrentar o ceticismo dos outros, de reunir forças para inventar uma vida nova, de dar um grande salto no escuro para ser completamente independente de um salário, de certezas, de garantias. É mais fácil quando se faz isso de mãos dadas com alguém com a mesma determinação, é verdade. Todo este blog foi um vai-e-vem de humores, de tentativas e erros, de opiniões que mudaram, de inquietações que se apaziguaram e deram lugar a novos desassossegos. Na verdade, devia ter começado a escrevê-lo avisando solenemente que este blog é sobre mim, essencialmente sobre mim, sobre o que penso, sobre o que gosto, sobre o que tenho vontade de discorrer. Pode parecer óbvio, já que um blog, em tese, é mesmo sobre o autor, mas uma coisa que fui aprendendo com o tempo é que as obviedades mais óbvias devem ser ditas de vez em quando. Apesar de já ter dito em algum lugar por aqui que gosto de memórias, do passado, de recordações, não curto muito, por exemplo, reler coisas antigas que escrevi. Nunca fui lá ler os primeiros posts deste blog, talvez porque não quero ter que ser coerente com quem eu era há tantos anos, talvez porque não quero enxergar de fato o quanto me despi aqui, o tanto de sincericídios que cometi. Não sou mais a pessoa que era em 2008, quer dizer, sou, mas com outras necessidades, outras prioridades, outras incertezas. Que bom, né!

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Perfeição: nunca vi, mas estou no encalço!

Oct 04

foto: Corbis

“Gente, as coisas que vocês fazem são perfeitas!”

Ouvimos muito essa frase, mas não, nossas coisas não são perfeitas. Há falhas que algumas clientes percebem, a maioria só nós percebemos. Algumas clientes, é verdade, são agraciadas com peças que saem do estúdio muito bem executadas, redondinhas, mas perfeitas… ah, não! Quando alguém diz que “tá perfeito!” prefiro recorrer à Nina Horta e resmungar com meus botões: “Xiii, nem percebeu que o tecido enrugou aqui neste ponto ou que o zíper está torto!”

“Perfeição não existe”, vocês vão me dizer. Essa frase, reproduzida como um mantra, é ardilosa, porque ficamos tentados a redimir nossas falhas com ela e a fazer menos do que a gente consegue. Afinal, pra quê lutar por algo que nem existe? Pra quê entrar numa briga perdida? É só pra brigar, oras! Pra aprender alguma coisa, pra fazer melhor aquilo que eu sempre fazia do mesmo jeito. Se eu não entrar nessa briga, vou fazer o quê? Ficar prostrada, vendo o mundo passar? Não, não, não! Já que estamos aqui, que façamos o melhor possível!

Se começarmos a achar que qualquer coisa está boa, se perdermos o senso crítico, porque os outros (ah, sempre os outros!) acham que somos chatos e cri-cris, ah, gente, aí o mundo tá lascado! É preciso treinar os sentidos para observar um trabalho bem feito, provar uma comida boa, tocar um bom material. Se você só estiver rodeado por coisas medíocres, até seu gosto se apequena, você se esquece do excelente, do esplêndido, de tudo aquilo que fez um “pliiim” na sua cabeça e te despertou para algo novo e inspirador. Gente cri-cri incomoda e pode ser bem mala, mas elas bem que abrem nossos olhos pra muita coisa e tem horas na vida que a presença delas é fundamental! Recomendo a todos que tenham ao menos um amigo cri-cri!

“Perfeição não existe” pode ser um convite à mesmice, à estagnação, a achar que tudo está ok do jeito que está, a se afundar no mediano. Mas, ora, se perfeição não existe, existe ao menos a ideia de perfeição, a perfeição como ideal, como horizonte. Se existe a ideia, é digno persegui-la, mesmo sabendo que nunca a alcançaremos e é aí que está a beleza nisso tudo: a consciência de nunca chegar lá, mas mesmo assim, nos darmos ao trabalho de abraçar a jornada de peito aberto, mesmo que o caminho não seja o mais fácil (geralmente nunca é, né). Afinal são essas pequenas e singelas opções que fazem a vida mais bacana e nos fazem um tiquinho melhores, nos inclinam um pouquinho mais a uma felicidade verdadeira. Nós, humanos, fazemos um monte de coisas disparatadas e uma delas é, conscientemente, correr atrás do inalcançável, diferente dos bichos que correm porque não sabem que nunca vão alcançar o objetivo. Então, se nos abstermos de correr atrás do perfeito, de um sonho impossível, que graça tem viver? A felicidade está aqui hoje, no caminho, e se é pra caminhar, que seja em busca de algo extraordinário!

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