Se você, como eu, curte muito livros infantis, David Bowie e historinhas de ficção científica, tem novidade muito bacana na rede: a linda música Space Oddity virou livro para as crianças e está disponível para download! Eba!
Os desenhos fofos foram feitos pelo ilustrador Andrew Kolb e o livro reproduz toda a letra da música. Se você tem filhos, aproveite!
Vocês já assistiram o desenho mega-fofo “Up – altas aventuras”? Eu não só assisti, como chorei assim de mansinho com a história do sr. Fredricksen, que aos 78 anos perdeu a mulher e se dá conta que não realizou seus desejos ao longo da vida e que, de certa forma, inibiu o espírito aventureiro da falecida esposa, que sempre quis conhecer uma catarata mítica da América do Sul. A viagem fora sempre adiada por conta dos imprevistos do dia-a-dia, das despesas extras que sempre apareciam no orçamento… Quando o sr. Fredricksen finalmente consegue juntar o dinheiro da viagem, sua mulher já está doente e velha e morre logo depois. Aí ele decide partir para uma jornada atrás da queda d’água que sempre habitou os sonhos do casal e o faz de uma maneira bastante poética, pendurando balões em sua casa!
A National Geographic fez um experimento reproduzindo a cena! Olha só que fantástico a foto aí de cima! A casa é de verdade! A casinha voadora será parte de um novo programa do canal, chamado How Hard Can it Be?, que tem estréia prevista para o segundo semestre deste ano.
Há coisas que me comovem verdadeiramente no trabalho dos outros. Uma é o esmero, o apuro técnico, o fazer com a máxima dedicação e empenho, não somente porque você vai ganhar algo com isso, mas porque é assim que deve ser, porque o resultado deve ser intransitivo, deve ser o melhor possível. É uma questão de respeito ao próprio trabalho.
Outra é a simplicidade, a despretensão e a honestidade do que se faz. É aí que eu recomendo muitíssimo o vídeo acima. É uma prévia de um documentário curta-metragem, que deve ser lançado em breve. Ele mostra o processo criativo do fotógrafo Scott Schuman, do blog Sartorialist, como ele aborda as pessoas que fotografa, como é tudo muito instintivo e fluido. A primeira impressão que eu tive ao conhecer o blog, nos idos de 2008, foi ver ali uma versão moderna e fashion de retratistas excepcionais como August Sander e Diane Arbus, uma documentação bastante empenhada do que se veste hoje nas grandes capitais. Como não ver ali nas fotos do sartorialist o lustrador de Colônia, com seus sapatos enormes, a abordagem direta, frontal, num ângulo ligeiramente baixo? No vídeo Schuman pede para fotografar um operário de uma obra e apenas o orienta a se manter numa posição ereta, bem simples, sem poses, sem história, sem nada, apenas ele num diálogo frontal com a câmera. O fotógrafo se abaixa e clica. O ângulo me parece importante, pois quase todas as fotos do blog monumentalizam as pessoas e vemos claramente como o ato de se abaixar no momento do clic -o contra-plongée na linguagem cinematográfica- parece ser algo recorrente para Schuman.
E para aqueles que acham que nunca estão prontos para assumir um projeto, uma empreitada ou um desafio, Schuman diz uma coisa que eu acho muito importante: a falta de conhecimento, de experiência, pode ser libertadora e não um revés. A inocência do “não saber” pode nos fazer ter a coragem e a ousadia necessárias para se apegar a um talento ou a uma paixão que temos guardados na gente. Acho que não precisamos necessariamente de um curso, de um professor, de uma faculdade para começar alguma coisa. Muitas vezes a gente se esconde atrás da nossa falta de preparo formal para não começar. Sim, porque é mais fácil. Há aqueles que se acomodam achando que não têm os predicados formais para seguir um sonho. Podemos começar hoje, agora, porque o principal, pessoas, não se enganem, está na nossa bagagem, na nossa história, na nossa vontade e empenho.