2 anos do figurão

Jan 24

E ontem às 13h48 fez exatamente 2 anos que o Eric nasceu! 2 anos desde aquela tarde de chuva e trovoadas…

Fiz bolinho de milho no finzinho da tarde, o preferido dele no momento (a festinha será daqui a alguns dias). Ele morreu de medo da velinha faiscante e bem, ao contrário do que se idealiza, o momento do parabéns teve mais lágrimas do que risadinhas entusiasmadas. Mas a vida com filhos é isso mesmo, não dá pra criar expectativas nem sobre um simples parabéns, imagina sobre assuntos maiores, como quando ele vai largar as fraldas, quem ele vai ser, o que ele fará da vida… em 2 anos a gente filosofa menos e aprende que vai ter que administrar o caos (pequenos ou grandes) para todo o sempre. Filhos devem ser mesmo a maior aventura do mundo. A lista de coisas que podem dar errado é interminável: ele pode virar um psicopata, sádico, pode te matar, te internar num asilo decrépito, gostar do Luan Santana, entupir-se de refrigerante, adotar gírias deploráveis… Se for pensar bem, mas bem mesmo, ninguém teria filhos, mas acontece que tem gente que não pensa. Aliás, há muita gente que não pensa (pelo menos com a cabeça), como eu, e… reproduz! Nós aprendemos na marra a improvisar, planejar coisas em 2 minutos, a nos adaptar. Percebemos que tudo muda muito rápido, deixamos algumas frescuras de lado, a vida não pode mais ser planejada numa planilha de excel, como um dia uma versão longínqua e bobinha de você chegou a imaginar. A vida de pais não é melhor nem pior do que a de outros humanos sem filhos, é só diferente. Esta comparação, aliás, nem faz sentido, é como querer achar correspondências entre uma banana e uma maçã. Deixemos a banana ser banana e a maçã, maçã, sim? Só digo que é uma experiência intensa, íntima e que, se você permitir e for gentil com você mesmo, pode abrir caminho para um mundinho fantástico!

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ano novo com bermuda nova!

Jan 21

 

Sabe aquele ditado da casa do ferreiro? Pois é, me curvo a quem o inventou! Eu costuro trocentas peças no ano para o Tofu Studio e um punhadinho só pro meu filho. Fuéén! Fiz essa bermudinha com um jeans listrado que está no armário há uns 5 anos (!!!). Acho uma graça, mas nunca tinha arrumado uma peça boa pra fazer com ele. Aí pra dar uma alegrada juntei uma faixa amarela nas laterais. Passei elástico na cintura e fiz caseado, como os de botões, para passar um cordão. É tão fácil que me deu um tremendo desânimo pra comprar bermudas nas lojas.

Voilá! Bermuda nova para uma criança com toda a energia do mundo!

 

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e a gente cresce…

Jan 06

A contagem se foi, os fogos explodiram, 2013 passou e… surpresa! Nada em mim mudou.

Admito que costumava dar mais atenção e valor às passagens de ano, às promessas, a todo apelo místico e otimista que nos inunda nesta época. Hoje não mais. Os fins de ano são períodos gostosinhos, de descanso, de encontros agradáveis (ou não!), de viagens, de acordar um pouco mais tarde, não os inflo mais com a pressão da expectativa, de esperar por algo que não sei se vem e acho que nem quero saber. A vida já está tão boa como está! Às vezes acho que se tivessem feito uma entrevista comigo antes de eu nascer, quando eu era só um pozinho de estrela, e me pedissem pra escolher a vida que quero, optando por algumas coisas em detrimento de outras (não se pode ter tudo, claro!), minha vida seria exatamente esta que levo agora. Na adolescência os pedidos de ano novo costumam ser tão ambiciosos: carreira promissora, a viagem dos sonhos, um namorado legal, um futuro brilhante. Os anos passam e a lista diminui, o ego diminui junto (pra quem tem juízo) e os pedidos se resumem a saúde, que é realmente o setor que está totalmente fora do nosso controle. Talvez a gente passe a acreditar mais em nossas próprias forças, pare de esperar coisas do além ou de terceiros, e dê importância maior ao presente. Paramos de lamber o futuro, porque, afinal, ele é tão frágil e escorregadio. Qualquer besteirinha que a gente faça hoje e pimba, o futuro imaginado ontem vai solenemente pra cucuia! Claro que ganhar anos é perder um pouco do viço, da bobeira alegre de quem tem poucos medos, mas também é deixar de pensar que sabe tudo (ai, que alívio saber pouco!), deixar de acreditar em contos da carochinha. A gente amansa, dá mais importância para as pequenezas, os nomes das plantas, as tabelas nutricionais dos alimentos, a instalação do chuveiro, o desperdício de energia, de tempo… enfim de repente temos todas as “manias de velho” que tanto irritam os que têm menos de 20 anos. As opiniões deixam de ser absolutas, porque afinal tudo é transitório, até nossas certezas. A gente já percebeu, já calejou. Os anos trazem também a fatídica constatação de que sua mãe estava certa quando dizia a frase mais odiosa e profética de todos os tempos: “você vai entender quando crescer!”. Estou convencida de que em algum momento, por mais que eu evite, também soltarei esta pérola ao meu filho e ele vai me odiar eternamente – ou até ele crescer e entender, claro!

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ele gosta de estorinhas…

Oct 13

Juro que não sou daquelas mães obcecadas com livros, que querem filhos gênios, cultos e eruditos. Bem, acho que não sou, mas se ele ganhasse um Prêmio Nobel seria ótimo, hehe! Mas o caso é que o menino gosta que a gente leia pra ele, gosta das mudanças na entonação da voz, não se importa (acho que até gosta) de conhecer a estória de cor (nesse ponto é muito parecido com o pai, capaz de assistir o mesmo filme 1 milhão de vezes!). Tudo começou quando eu pedi a coleção do Itaú pela primeira vez no ano passado (a campanha está de volta! Peça aqui). Eu comecei a ler pro Eric quando ele tinhas uns 4 ou 5 meses. Claro que ele ficava boiando, mas era legal fazer ele ouvir a minha voz de uma maneira diferente. Depois de uns meses, ele já levava nossas mãos pra cima dos textos dos livros para que lêssemos (coisa fofa!). Aí fomos comprando mais livrinhos, com barulhinho, em japonês (apesar de eu saber ler muito pouco), em inglês, de folhas duras, livros de banho… A maioria está amassada, rasgada, despedaçada, não tem jeito. Isso me lembra uma professora do meu colégio que sempre dizia que livro bom, é livro detonadinho, bem folheado, cheio de anotações e orelhas, sinal de que foi muito lido e estudado!

Agora toda noite, sem trégua, Eric pede para lermos os livros surrados dele, todo animadinho. A gente, que já sabe as estórias de trás pra frente, se cansa bem mais rápido que ele, é verdade.

Um dos programinhas preferidos é ir na biblioteca do Parque da Cidade, que aliás fica em frente a um jardim lindo feito pelo Burle Marx, sentar nessa poltroninha aí e fingir que lê, tudo no idioma maluco dele, claro.

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enfim uvaias!

Sep 24

 

Marido e eu fizemos faculdade lá onde Judas perdeu as botas, lugar pitoresco, quente e distante, porém, admito, bastante saudoso. Lugares muito quentes me dão uma leseira, tudo fica monótono, parece que meu ânimo derrete junto com a paisagem. Havia aquelas tardes escaldantes, no período das indefectíveis greves, cidade vazia, faculdade mais ainda e eu lá (por algum motivo que me foge à memória) no ponto de ônibus, quase enxergando miragens, ouvindo o barulhinho do motor dos caminhões se distanciando na estrada, aves grasnando ao fundo, feito trilha sonora de filmes de baixo orçamento. Faltava só as bolas de feno rolando na terra para me sentir na fazenda dos tios da Dorothy Gale… Diz o marido que foi lá, dentro da Unesp, que ele provou uma frutinha amarela com um aroma tão peculiar, tão bom, mas tão bom que a tal da fruta não saia da cabeça dele. Só que lhe faltava o nome da bandida (lembrem-se que na época o google não era o oráculo que é hoje), de modos que há alguns anos quando nos mudamos de estúdio, ele viu que havia alguns pés da lendária fruta no parque logo ali atrás, mas nunca conseguimos colher, pois as arvorezinhas, bastante esguias, tinham as copas bem altas. Só dava para colher algumas no chão, todas amassadas e bicadas pelos pássaros. É só pegar a frutinha pra entender por que ela não é largamente comercializada. Tão frágil que qualquer aperto mais firme basta para amassá-la, característica que também faz a festa das moscas e de suas larvinhas que são abundantes nas uvaias. Não me lembro quando e como descobrimos que uvaias são uvaias, mas se você quer uma referência, consulte o Come-se, minha bíblia para frutinhas e plantinhas que estão aí de bobeira nas redondezas e que dão pra comer.

Estas da foto foram colhidas no largo e generoso jardim da vizinha, que além da uvaiera, tem um pé de acerola frondoso e invejável, que salpica suas frutinhas pelo asfalto. Virou uma boa jarra de suco! Eric se fartou! Imagino que vire um sorvete de primeira! Fica para os próximos capítulos :D

 

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Para nascer com dignidade

Sep 12

*este post contém spoilers!

Ontem fomos ao cinema assistir a O renascimento do parto, documentário sobre o qual já comentei tempos atrás. Já viu? Se não viu, acho que não deveria perder a oportunidade, afinal todo mundo nasceu e boa parte também vai dar vida a alguém!

Fomos ao cinema e não havia nenhum cartaz anunciando o filme do lado de fora, só cartazes dos blockbusters. Imaginei que a sala estaria vazia, mas havia muitas grávidas na plateia, muitos casais, até um casal mais idoso, que imagino, já sejam avós. Muitas pessoas chorando durante o filme, eu e o marido inclusive. Choramos ao lembrar do meu parto, da difícil escalada que foi o nascimento do Eric, dos primeiros instantes dele do lado de fora de mim, de cada minuto daquele dia, que nos fez tão mais fortes. Muitas mães país afora devem ter se emocionado também ao reconstituir um dia tão marcante. Lamento, porém, que grávidas que estão vendo o filme também choram pelo descaso com que são atendidas pelos médicos, outras devem chorar porque se sentem enganadas ao se darem conta de que aquela circular de cordão que *mataria* seu filho não era indicação real de cesárea, mas era conveniente para o médico, para o hospital, para todo um sistema misógino que não dá a mínima para a mulher. Algumas, imagino, choram de indignação, porque não puderam confortar o filho nos braços assim que ele chegou ao mundo, porque foram coagidas a endossar a extração prematura, agendada, de seu filho, sem ter acesso a informação, a esclarecimentos.

O filme mostra cirurgias cesarianas, a truculência com que os bebês são retirados do útero, médicos puxando bebês pela cabeça sem o mínimo trato, as manobras de Kristeller (gente subindo em cima de barrigas para empurrar bebês), episiotomias (corte do períneo) indiscriminadas (muitas vezes sem o consentimento da mulher), a aspiração de líquido do nariz dos recém-nascidos, com uso de longas sondas, uso de colírios que fazem os olhos do bebê arderem demais, mães amarradas às mesas de parto, impedidas de segurar seus filhos… todas essas técnicas e procedimentos não tem eficácia comprovada ou podem ser evitadas. Quando foi que passamos a acreditar que este é o melhor jeito de receber um bebê, tão pequeno e frágil? Como é que deixamos esse show de horrores se instalar? Uma criatura que estava no melhor lugar do mundo e de repente se vê jogado numa sessão de torturas… E por que nossa cultura admite a humilhação e a violência contra a mulher?

Sim, o filme é parcial. Falha com isso, pois não precisava. Se houvesse opiniões de obstetras cesaristas ou das empresas de saúde, o filme poderia ganhar mais força, porque não há como defender a prática indiscriminada e abrangente de cesáreas. Mas ok, o filme passa uma mensagem tão valorosa, que já veio tarde! Precisamos de mais filmes, de mais gente discutindo abertamente sobre isto para que mudanças ocorram. Aí, por mais que eu não queira ser a chata do parto natural, senti-me compelida, moralmente acho, a ao menos deixar algo a respeito aqui neste blog.

O assunto parto normal x cesárea é espinhoso e costuma promover uma discussão muito chata, a meu ver. Costumamos defender o parto que tivemos e frequentemente há desavenças, como se nos dividíssemos em times rivais, o que é uma grande tolice. Isso só gera discussões vazias, que cumprem o papel infeliz de nos desunir, enquanto todo um sistema se aproveita do obscurantismo que se instalou em torno do parto. Toda mulher deveria se informar e ser informada sobre gravidez e parto e todas deveriam lutar pelo direito de escolha dela e de outras mulheres, pela honestidade na relação paciente-médico. Depois de ser corretamente esclarecida, a gestante tem o direito de optar pelo melhor parto para ela. A mulher deve ter soberania sobre seu corpo em todas as circunstâncias. Isso deveria ser óbvio, mas, lutar pelo óbvio parece que virou regra! Acredito que depois de bem informadas e despidas de mitos uma minoria de mulheres deseje uma cesárea, mas se mesmo assim o quiser, que ela seja feita. O que é inadmissível, o que me cansa, o que acho que atropela meus direitos é a coação, é quererem me manipular, é você chegar numa consulta com 3 meses de gravidez e declarar que quer normal e o médico te dizer que é muito difícil, que há vários complicadores no meio do caminho, que é muito cedo pra falar disso. Oi? Muito cedo? Alô? Estou grávida! E como um evento da natureza, repetido e aprimorado há zilhões de anos pelos mamíferos, pode ser assim tão complicado e difícil? Onde está o sentido nisso tudo?

O que me faz escrever um post como este é me consultar com médicos burocratas que mal olham pra mim, se detendo a prescrever exames, médicos que nunca, em consulta alguma, me explicaram como é um trabalho de parto. E se eu fosse analfabeta, e se eu não tivesse acesso ao mínimo de informação? Bom, f***-se eu, né, claro! Mulheres chegam ao final da gestação achando que o trabalho de parto acontece como nos filmes: um belo dia a bolsa se rompe, molha seu vestido e alguém te leva correndo para o hospital, onde, meia hora depois, o bebê nasce. Grávidas de 9 meses que nunca ouviram falar em tampão, que nunca foram orientadas a monitorar os intervalos das contrações… como se fôssemos meras incubadoras acéfalas, sob a tutela de médicos e planos de saúde, que agendam cesáreas no dia que bem entendem, que manipulam nossos corpos como querem, na hora que querem, sem nos ouvir, sem dar importância ao que pensamos, ao que queremos. Não precisamos de tutela!

O que pouco se fala é que cesáreas agendadas muitas vezes ocasionam partos prematuros, já que a contagem das semanas de gravidez não é precisa quando feita por meio de ultrassons tardios, após as 13 semanas (não estou certa quanto a este número) de gestação. A margem de erro é geralmente para menos. Uma criança que estaria com 37 semanas, limite para ser considerada não-prematura, por exemplo, pode estar com 35, prematura, portanto. Este bebê tem mais chances de ir pra UTI, ter complicações respiratórias, alergias… Estas são apenas algumas entre as muitas desvantagens evidentes das cesarianas eletivas (agendadas, fora do trabalho de parto).

Claro que médicos não são os únicos responsáveis por este estado de coisas. Há os interesses dos planos de saúde, o colapso do sistema público, a conivência e desinformação das grávidas e suas famílias, o medo, ou seja, é toda uma engrenagem que funciona contra o que deveria ser um evento corriqueiro e fisiológico. É portanto uma grande esquizofrenia a OMS e o Ministério da Saúde afirmarem que o parto normal é o melhor para a mãe e para o bebê se você vai ao médico, vai aos hospitais e não encontra respaldo algum, se você só encontra respostas esquivas, se você é engambelada até o final da gravidez, momento em que se cria 1001 motivos duvidosos para você entrar na faca e quando a mãe não pode mais voltar atrás. Mas a OMS não disse que o melhor é o normal? Não disse? Então que loucura é essa? Aí você quer parir naturalmente e você é louca, atrasada, riponga, diferente… no mínimo vão dizer que você é muito corajosa. Você se vê como a paciente-problema, só porque quer parir naturalmente. Parece que você está contra “o sistema” pra aparecer, por esporte, por frescura…

A única saída é sermos todas pacientes-problema! Consumirmos informação, em vez de passar a gravidez inteira em transe comprando o enxoval e o quartinho do bebê. Acreditem, essas coisas não farão a mínima diferença na vida do seu filho, são luxos de adulto para outros adultos verem. Seu bebê pode até dormir numa caixa de papelão, como se faz na Finlândia, e ninguém precisa ficar com peninha dele, porque essa coisa grotesca de status e posição social, a gente aprende quando cresce. Luxo mesmo é ter filho com dignidade, com verdade, no tempo certo. Uma médica no filme questiona: realizamos festas de casamento espetaculares para uma união que às vezes dura tão pouco, buscamos experiências extremas a vida toda e nos privamos de passar pela experiência do parto, algo que nos é dado, de graça pela vida… Enquanto nós mulheres não nos dermos conta disso, as coisas vão continuar como estão. O poder é nosso, gente!

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