esse foi o mote de um depoimento interessante que saiu domingo passado no NY Times feito por Pamela Skillings e que foi um dos textos mais lidos do jornal. Este blog está se atendo muito a este assunto, eu sei, mas é que fico cada vez mais impressionada com o número de pessoas enfrentando um verdadeiro dilema existencial com relação a seus empregos e carreiras. Num dos trechos, Pamela diz que embora tivesse um plano sólido para iniciar um negócio próprio, havia sempre aquele temor irracional de acabar mendigando embaixo de uma ponte. Ela relata que seu senso de sucesso profissional acabava sendo medido por ela mesma pelas cifras de seu contracheque e que os bônus que ganhava na empresa acabava sendo gasto com medicamentos anti-stress e terapia. Ela só resolveu fazer a transição quando realmente percebeu que não dá pra confiar em salários bojudos e títulos bacaninhas pra sempre, porque eles podem desaparcer num piscar de olhos. O que fica é você, suas habilidades, experiências e talentos e você tem que saber o que fazer com isso, não é mesmo?
Eu cá observo um fenômeno correlato: tem muita gente que troca facilmente dinheiro por status, uma tristeza. Tem uma fila de jovens querendo ser auxiliares administrativos, mesmo com o mercado extremamente saturado e com os salários baixos, enquanto falta padeiros na praça. Eu fico irritada em ver como a grande maioria das padarias não acerta a mão pra fazer pães: é pão azedo, pão que só tem ar no meio, pão que se esmigalha só de cortar, pão duro que machuca o céu da boca e mais n variantes tenebrosos. Como pode? Acho que tem muito espaço no ramo pra crescer, mas pouca gente jovem interessada em ser padeiro, porque simplesmente não respeitam a profissão, achando que é um trabalho ruim, sem glamour. Eu penso que tudo depende do modo como você olha pro seu trabalho: se sua meta é ser apenas um padeiro medíocre e levar leitinho tipo C pra casa, será uma lástima, mas se você ambiciona ser um mega-empresário como o Olivier Anquier (um pouco mais feio, é verdade), a coisa muda de figura, não é? Se você tem mãos divinas e treinadas, tem muita padaria que vai querer seu serviço, vai te disputar no foice e vai te pagar bem pra te manter lá fazendo aquele pãozinho cheiroso e saboroso que a clientela não troca por nada. Afinal, você volta naquela padaria que vende pãozinho sem-vergonha? Eu fujo, pego raiva. Repara só: padaria de pão ruim, vira bar de bêbado, o lugar vai se metamorfoseando aos poucos e de repente vira um buteco pútrido e decadente, com uma clientela mulambenta caída no balcão virando umas branquinhas às 8 da manhã (ugh!).
Bem, a conclusão é que um sujeito é mais respeitado socialmente dizendo que é auxiliar administrativo do que padeiro, mesmo ganhando pouco e tendo menos perspectivas, o que é um raciocínio pobre demais. Acho que é mais tosco ainda: o que se quer é um trabalho pra ficar sentado na frente de um computador, bater cartão e usar a praga do Orkut quando o chefe estiver de costas. O título de auxiliar administrativo deve fazer mais sucesso entre a mulherada, só pode ser! No fim, acaba-se vivendo pros olhos dos outros e não pra sua satisfação pessoal, e ainda ganhando uma miséria, com um pelotão de gente do lado de fora da empresa louquinho pra te substituir, o que é mais pobre ainda.
Em tempo: a Pamela Skillings fundou sua própria firma de consultoria em NY e escreveu um livro chamado “Escape from Corporate America: A Practical Guide to Creating the Career of Your Dreams”.















by Ana, on junho 5 2008 @ 3:49 pm
Adorei seu texto e vou ler a materia no NYT sim… eu tambem vivo esse dilema. Nao curto meu trabalho, fico por causa da grana – porque preciso, e enquanto isso, deixo meu sonho de lado – com medo do que possa acontecer.
by Natália, on junho 6 2008 @ 8:53 pm
Olha só… vim parar neste blog procurando idéias de costura…
Qual nao foi a minha surpresa de ler justamente este post, totalmente relacionado com meu momento atual: trabalho como funcionária pública ha dois anos e há mto tempo estou insatisfeita e infeliz. Por ser um emprego estável, ficava mais dificil ainda abrir mão dele, mesmo pagando pouco e nao tendo nenhuma perspectiva de melhoria… Mas ha uns meses venho pensando em sair e as coisas no serviço piorando; esta semana decidi pedir exoneração. Incrível como a vida da gente muda: td mundo ja me fala q eu to com outra cara, cara feliz!
A gente tem q procurar ser feliz, mesmo q com pouco dinheiro, passando dificuldade… O q importa é fazer o q gosta, do jeito q gosta…
Li uma vez na net uma frase que deveria ser o lema de todos: faço o que gosto e gosto do que faço!
by Emy, on junho 7 2008 @ 10:20 am
ana, natália, acho q a gente tem que arriscar um dia, senão nunca vamos saber o que poderia ter acontecido… é importante estar bem consciente dos riscos e consequências e assumi-los como parte da mudança! bjinhos
by Bia, on junho 9 2008 @ 4:40 pm
Emy, adoro o Tofu, acompanho desde o flickr e vi nascer o blog. Vivo nos bastidores, e só hj resolvi aparecer!
Bem, não é a primeira vez que vc fala deste assunto. Me vejo exatamente nesta situação. É um horror trabalhar só por conta do contra-cheque. Eu não faço questão do status não, mas acho que penso como a moça da matéria: que vou morrer de fome. Essa questão permeia meus pensamentos e sonho dia e noite com isso. Fico deprê qnd vejo meu blog largado, sem tempo para as costuras e para as fotos…. bom, deixa de choradeira, foi mais um desabafo. Ainda vou chegar aqui de novo e dizer que mudei esta situação!
bjus a todas! Bia
by Emy, on junho 9 2008 @ 6:14 pm
Bia, é curioso, mas mesmo trabalhando full time no Tofu, ainda sofro com o blog vazio e a loja desatualizada… trabalho muito mais agora do que antes pra atender todo mundo e fazer tudo ficar perfeitinho e o que menos tenho é tempo! É uma corrida insana todos os dias, mas não tenho como reclamar de nada! Sou livre e enxergo um horizonte bem largo na minha frente, coisa que nunca experimentei trabalhando pros outros. Também não quero influenciar ninguém, pois tem muita gente que se dá bem e gosta de seus empregos. Eu tb morria de medo, achando q ia mendigar na esquina, mas eu tinha tanta certeza que eu tinha q tentar, q eu me joguei. Espero q essa certeza tb cresça em vc e te faça bem!
E apareça + por aqui! Vai ser sempre um prazer! bjs =)
by Drica Menezes, on maio 11 2009 @ 3:29 pm
Vivo exatamente este dilema! Todo o dia é um sofrimento enorme levantar e vir trabalhar….não aguento mais o q faço e qdo estou no trabalho fico o tempo todo pensando e tendo ideias de bolsas novas, combinações de cores e texturas, formas…..ahhhhh e fico me sentindo tão presa, pq trabalho o dia todo e me sobra mto pouco tempo pra fazer o q gosto! Mas como sou funcionária pública (professora) a estabilidade me segura…..tá dificil mudar! aff! bjao!