Arquivos mensais: setembro 2011

o sofá já tem encosto! #fazendomeusofá

Nosso sofá está em franco progresso! Agora ele já tem assento e encosto e a inclinação de ambos ficou ótima! Ele está bem reforçado, todo parafusado, beeem melhor do que as estruturas que já vimos nas tapeçarias por aí. Elas são bem ruinzinhas, provavelmente porque é algo que o freguês não vai ver mesmo, já que a peça será estofada e o serviço malomenos será escondido depois…

Ainda não arranjamos os pés (vamos colocar 5, o quinto bem no meio). Já encomendamos pés palitos numa loja, mas não há certeza se os pés realmente virão. Uma segunda opção seria mandar tornear os pés num marceneiro. Enquanto isso, estamos planejando o estofamento, a colocação das espumas… ai, ai… vamoqvamo!

costura à mão

Aqui no Tofu tem muita costura à mão, na raça, como nos melhores ateliês e maisons (chique, huh?). São detalhinhos e pormenores que precisam das nossas mãozinhas para serem executados à perfeição! A velha dupla agulha e dedal entra em cena para deixar a peça com o melhor acabamento possível! Aqui as mãos espertas do marido confeccionando uma clutch Tomie

A força broxante do “não pode”

Outro dia, no rádio, um ouvinte perguntava a um comentarista de vinhos se ele podia abrir uma garrafa de uma safra de 1999, se não me engano, de um vinho importado não-sei-da-onde para harmonizar com um determinado prato que ele ia fazer. Aí eu fiquei pensando em como as pessoas se impõem regras para um monte de coisas e ficam meio bitoladas. Tem mesmo que perguntar se pode abrir? Eu entendo que os especialistas no assunto devem ter provado inúmeras garrafas e realmente devem conhecer as melhores combinações, safras e o melhor momento para degustar a bebida, mas é tão, tão legal apenas beber uma taça de vinho, meu pai, sem se importar se ela é carésima, baratinha, se ela combina com seu jantar, assim, sem compromisso nenhum com ninguém, com nenhuma cartilha, com nada! Gente, isso é errado?

Há algum tempo assisti na TV um sommelier dizendo que o melhor vinho do mundo é aquele que agrada o seu paladar. Vou ficar devendo o nome da pessoa, porque realmente eu não o conhecia e não me atentei na hora a creditar a frase, mas achei tão alentador e libertador, que guardei comigo. Genial! Deveria ser óbvio, mas as obviedades hoje em dia parecem carregar um toque de gênio de tanto que a gente complica as coisas e corre atrás do próprio rabo. Eu tenho as minhas combinações bacanas de pratos e vinhos, são poucas, é verdade, porque não sou assim obcecada pelo assunto, mas posso dizer que experimentei e gostei, agradou e me rendeu ótimos momentos! Também, vai ver, não tenho ninguém para impressionar, nenhum amigo sabe-tudo, vasto entendedor do assunto, que me faça aprofundar no tema a cada refeição que ele faça em minha casa.

Vocês viram né, que estamos fazendo um sofá! Já me perguntaram se eu sei fazer um sofá ou onde eu aprendi. Eu repassei a pergunta ao marido, porque na verdade é ele que está com a mão e o coração na massa. Ele me disse que não sabe fazer, apenas viu pessoas fazendo na TV e nas tapeçarias e imaginou que não poderia ser assim tão complicado. Simples assim. O “não pode” não existe na vida dele! Ele é uma pessoa tão solta, livre e independente… daquelas que sempre acham que dá e voam alto. Vai ver é isso uma das muitas coisas que me fizeram caminhar esses longos anos com ele até aqui. Com ele aprendi a ser mais otimista e a acreditar mais! Acho que o espírito crafter tem muito a ver com isso, com desprendimento, achar sempre que pode, que vai dar certo, não temer o erro e sempre, sempre tentar!

Vivo recebendo e-mails que me perguntam onde aprendemos a costurar, qual a técnica, o curso, como faz… não aprendemos em lugar nenhum! Fomos tentando, errando muito, fazendo de novo e de novo até achar que estava digno para presentear ou vender a alguém. Eu nem sei se sabemos costurar de verdade, porque o trabalho aqui no estúdio é tão intuitivo! A gente não tem só um jeito de fazer um bolsinho ou uma alça, a gente só faz da melhor maneira possível, que resulte no melhor produto, é isso que importa! Aqui no Tofu a gente tá sempre tentando e fazendo de novo! Aqui não tem nada pronto e acabado, a gente só vai descobrindo coisas novas todo dia e melhorando! Não tem segredo, tem é muito trabalho!

Não saber o jeito “certo” de fazer uma coisa impede muita gente de tentar e instala aquela atmosfera negativa do “eu não consigo, porque ninguém vem me ensinar”. Acho que os melhores artesãos compreendem que muito do que eles sabem veio com a lida diária com os materiais e instrumentos que operam e não de uma cartilha pronta e mastigada. Muitos empreendedores inventam suas próprias máquinas, suas próprias ferramentas e criam empresas, produtos e serviços fantásticos. Eles não estavam preocupados com o “não pode”.

Juro que se eu estivesse com o dilema de poder ou não poder abrir uma garrafa de vinho que comprei com meu dinheirinho, a ponto de ter que consultar alguém que eu nem conheço, eu ia ficar preocupada…

na madeireira #fazendomeusofá

E foi dada a largada: começamos nossa maratona para fazer nascer nosso sofá handmade, feito em casa! Na sexta fomos pegar a madeira toda cortadinha na madeireira. Lá tem máquinas enormes e precisas que cortam chapas de madeira no tamanho que o freguês quer, uma delícia de ver! As nossas são estas aí em baixo:

Checamos todos os cortes um por um antes de sair de lá. Isso é muito importante! Trena, lápis e uma lista dos tamanhos dos cortes são indispensáveis. De fato, algumas estavam no tamanho errado e 1 peça estava faltando.

Fizemos o projetinho de um sofá 2 lugares (mas cabem 3 pessoas magras ;D), de 1,80 m de extensão, 75 cm de profundidade e 80 cm de altura, que achamos ser ideal para o espaço que temos e suficiente para se jogar, tomar uma boa taça de vinho e assistir filminhos :D

O desenho 3D é este:

E aqui o desenho da estrutura de madeira:

A madeira na sala de casa e o braço sendo montado:

Estamos colando e parafusando todas as peças para evitar aqueles rangidos irritantes, portanto, se alguém se dispuser a fazer um sofá também, uma dica óbvia, mas importante seria: tomem muito cuidado para não confundir as peças! Uma vez coladas, será difícil soltar!

Aqui o sofá tomando forma, já com a base e os braços arredondados (a foto está xexelenta, mas é o que dá para fazer à noite…):

Preciso dizer que estamos empolgadíssimos e louquinhos para vê-lo pronto?

#pedidopersonalizado

Mais uma opção de bolsos internos para as pastas para tablet, netbook e laptop! O pedido foi da Flávia e ficou tão legal que eu tinha que postar aqui :D

Só para constar: fazemos capas e pastas esmeradas em tecido na medida do seu aparelho, seja ele qual for, e com as alterações de cores, tecidos, bolsos e o que mais vc quiser! Veja algumas opções aqui!

Para o alto e avante! fazendo nosso próprio sofá – do zero!

Inspirações para o nosso sofá
fotos: reprodução

Tô pra ver coisa mais difícil que comprar sofá! Agora a praga nas lojas parece ser os sofás com chaise, enormes, com encosto reclinável… Se você quer uma coisa simples, limpa, simpática e honesta, sinto muito, vai penar e fritar as solas das suas sapatilhas ou então, vai pagar um preço exorbitante e irreal, pelo menos para mim que estou montando um apartamento inteirinho e cada realzinho conta. Para quem não sabe, encontro-me numa empreitada decorativa, a passo de tartaruga, é verdade, e cansei das lojas! Cansei! Sempre as mesmas tendencinhas, as mesmas cores, os móveis tabaco, as combinações de preto, branco e vermelho, os vasos combinandinhos irritantes, os quadros na parede horrorosos. Volto pra casa e tenho pesadelos, me vejo trancada para todo o sempre num desses apartamentos decorados, com iluminação de loja (milhares de spots entuchados no teto rebaixado), painéis de MDF tabaco e branco atrás da TV e na cabeceira da cama, socorro! Gente, precisamos de libertação, dar-nos a oportunidade de fazer as coisas diferentes, recusar os modelos prontos que grassam por aí!

Aí que resolvemos, num momento de pouca lucidez (só pode ser!), fazer nosso próprio sofá! A princípio rolou uma certa descrença e ceticismo, mas o que a gente tem a perder, certo? Na pior das hipóteses, a gente aprende alguma coisa, ri da experiência e conta para os filhos :D

O marido já fez cadeira, mesa, cama, estante, cômoda, aparador, mas nunca uma peça estofada tão grande. Mega-desafio! O principal “contra” dessa vez vai ficar por conta do espaço reduzido que temos. Eu sempre penso que as limitações são o maior incentivo à criatividade. Em vez de reclamar e estagnar, a gente deve é queimar as pestanas e resolver, matar um problema por dia e voltar pra casa realizada com essas pequenas conquistas diárias. Felicidade tem muito a ver com isso!

O sofá vai ter estrutura de madeira e vai ser estofado depois (essa parte vai ficar com um tapeceiro, porque o marido pediu arrego). É um sofá convencional, linhas retas, com pés palito em madeira e tecido que ainda vou escolher (espero que eu dê sorte nessa parte e ache um tecido leeendo e digno!). O esquema vai ser o mesmo que já adotamos algumas vezes: chapas de madeira compensada pré-cortadas. A idéia é mandar cortar tudo na própria loja e sair de lá com todas as pecinhas prontas para montar. O desafio vai ser conseguir montar tudo num apartamento pequeno. Eu poderia usar a casa de minha mãe, ela tem muito espaço lá, mas como queremos demonstrar que dá para fazer esse projeto num espaço diminuto, ou seja, em tese, qualquer um pode fazer, resolvemos abraçar com muita fé o projeto!

Vão acompanhando a saga do sofá! Em breve, novo episódio!

Sekihan, arroz vermelho!

A gente sempre tem umas comidinhas do coração, que a gente guarda com afeto nas memórias, seja porque elas participaram de momentos especiais, festivos e alegres, seja porque elas lembram uma pessoa, um período bacana da vida. Eu tenho alguns deles arquivados na memória e no peito e tenho reparado que muitos deles eram feitos por minha avó, que já se foi e infelizmente não tive oportunidade de resgatar suas receitinhas e seus macetes, pois ela nos deixou já muito debilitada. Mesmo assim, tenho registros na memória, alguns até nítidos, de como era o passo-a-passo de algumas comidinhas que ela preparava no dia-a-dia ou em ocasiões especiais.

Neste fim de semana, preparei sekihan salpicado com shio goma! “Sekihan” é um arroz para moti (motigome, mais pegajoso que o arroz comum) com feijão azuki. “Shio goma” é gergelim torrado com sal. Ele é comumente servido em datas especias, é um arroz, digamos, de festa. Quando criança, sempre me referia a esse arroz como “akai gohan” (arroz vermelho). Só fui saber que na casa dos outros era sekihan quando já estava mais velhinha :P A gente comia muito quando era aniversário de alguém e normalmente minha vó fazia ele como oniguiri (bolinho de arroz). Era uma perdição!

Ela o preparava no fogão, numa panela de vapor bem grande com o arroz embrulhado num paninho de algodão. Esse  é o modo tradicional de preparo, que certamente fica muito melhor. Como não tenho a panela de vapor, fiz tudo na panela elétrica de arroz mesmo. Não fica igual, mas matou a vontade! Eu e o marido nos fartamos!

* Já fizemos outras receitinhas com azuki:

Shiruko, caldo doce de feijão azuki

Yokan, doce de feijão azuki com kantem (ágar-ágar)